Um homem quer montar uma nova bolsa de valores (e ele está certo)

Da Redação

Por Da Redação

15 de junho de 2016 às 15:30 - Atualizado há 4 anos

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O que entendemos como Bolsa de Valores nasceu para prover empresas do capital necessário para que elas crescessem. Contudo, alguns efeitos colaterais das bolsas de valores acabaram atrapalhando mais a trajetória das empresas do que ajudando, principalmente o temido “pensamento a curto-prazo” e a habilidade de um conselho de acionistas conservadores em limitar a inovação de uma companhia.

Por conta disso, o empreendedor americano Eric Ries quer montar uma nova bolsa de valores – a Bolsa de Valores de Longo Prazo, ou LTSE, da sigla em inglês. Ries é mais conhecido como autor da bíblia das startups, A Startup Enxuta, onde ele já havia proposto a ideia.

Contudo, como ninguém resolveu executá-la, Ries assumiu para si este fardo: trabalha full-time como CEO da nova bolsa, junto com uma equipe de cerca de 20 pessoas. E este pode ser um projeto interessante para ajudar as empresas a captarem dinheiro sem perderem a capacidade de inovação que elas estão acostumadas e que precisam para poderem manter-se no tipo. Basta dar uma olhada nesta aula do StartSe para entender como a capacidade de inovação é o que move todas as startups do mundo.

Ries destaca que o maior problema das bolsas atuais é que elas incentivam muito o pensamento no curto prazo. E isso está fazendo várias startups não pensarem em abrir o capital mais – é o caso do Uber, que está segurando o máximo que pode para não abrir o capital, e já comanda um valuation de cerca de US$ 68 bilhões, facilmente alcançando o posto de maior startup do mundo atualmente.

Veja bem: é muito importante para qualquer startup atualmente poder captar dinheiro para impulsionar o seu negócio, ganhar escala e tornar-se lucrativa lá na frente. Só que atualmente, a melhor opção é captar privadamente com poucos investidores – aliás, Tallis Gomes do Easy Taxi ainda vai te dar dicas de como fazer isso. Hoje ela é a melhor opção, mas não é o ideal e mais eficiente.

O ideal seria abrir o capital de vez, o que permitiria que os valuations das startups fossem até mais elevados (afinal, permitiria que mais investidores fizessem parte e com mais segurança, dada a existência e possibilidade de um mercado secundário). E aí, a empresa poderia fazer novas ofertas de ações, caso precisasse, como faz hoje com Séries A, B, C, D…

Como fazer uma empresa pensar no longo prazo?

Nos Estados Unidos, onde é comum que até as pequenas empresas tenham capital aberto, costuma-se dizer que quando uma empresa abre o capital, é super comum seus funcionários perderem horas e horas acompanhando o movimento das ações na bolsa de valores – e qualquer movimentação brusca, mesmo as sem fundamento, pode ser contraprodutivo para o funcionamento da empresa.

Boa parte das empresas do Vale do Silício sofrem com isso, principalmente por conta de muitas delas terem em seus pagamentos opções sobre ações e participação na empresa. Essa é uma das razões para o sucesso das empresas do Vale, mas que pode ser prejudicial se a empresa passa por algum problema e os funcionários pensam em como salvar o que já possuem e não em criar valor.

Mais uma vilania: os executivos que estão mais preocupados com o desempenho das ações no curto prazo do que. Para que motivo eles vão desenvolver um projeto de longo prazo se é melhor para o bolso deles que a empresa englobe algum lucro amanhã? Para que tomar riscos se continuar com o “mais do mesmo” for mais seguro para garantir o bônus do final do semestre?

Por isso, o projeto de Ries quer garantir que a empresa pense no longo prazo. Dos executivos ao conselho de administração. E para isso, algumas mudanças às tradicionais questões da bolsa de valores ele propõe: a primeira é que o pagamento de bônus das empresas listadas seja atrelado ao bom desempenho da empresa no longo prazo, com ganhos até mesmo depois das pessoas deixarem a companhia – favorecendo o pensamento no longo prazo.

Além disso, o seu poder de voto não seria determinado apenas pela quantidade de ações que você possui. Haveria um mecanismo de “peso” dependendo de quanto tempo você carrega aquela ação. Ou seja, investidores de longo prazo teriam mais peso em uma empresa do que aqueles que pulam de ação em ação, fazendo com que investidores oportunistas e ativistas sejam escanteados para aqueles que realmente possuem uma visão de longo prazo para a empresa. Ter ações nesta bolsa precisa ser um casamento, não um relacionamento casual.

Uma terceira mudança seria permitir uma abertura maior por parte das empresas para determinar quais planos de longo prazo são, além de aproximar os investidores com as empresas investidas. É muito importante gerar esse laço para que se tenha uma relação verdadeira de longo prazo.

Eu também gostaria de ver mecanismos para impedir a movimentação muito forte do preço de ações sem novas avaliações do que aquela empresa vale ou não. Não sei nem se é possível, mas talvez empresas tivessem que se submeter a avaliações de bancos para determinar o valor justo de suas ações de tempo em tempo – e as ações só pudessem oscilar entre esses valores.

Banir short-sellers e impedir que o mercado descolasse de seus múltiplos históricos (para impedir bolhas) também seriam adições interessantes para a criação de um ambiente de bolsa de valores mais saudável para o investidor de startups.

Bom para a empresa, bom para o investidor

O grande beneficiado da ideia de Ries, porém, não é o empreendedor. É o investidor que pretende também ser dono daquela empresa. A volatilidade excessiva de curto prazo da bolsa de valores é mais inimiga do que amiga em muitos casos – uma pessoa que quase perde tudo abandona e nunca mais volta a bolsa de valores, fora de popularizar a ideia de que bolsa “é apenas para os Tubarões”.

Assim, um ambiente mais saudável de investimentos seria melhor para o pequeno comprador de ações, que poderia acumular riqueza de longo prazo – uma estratégia que costuma dar mais resultados em bolsa de valores do que comprar e vender excessivamente. Aqui mesmo no Brasil, um dos principais investidores na Bovespa, Luiz Barsi, só chegou ao posto de bilionário por pensar no longo prazo.

E um ambiente econômico mais racional permitiria retornos maiores para os acionistas, além de deixá-los com a proteção inerente de um mercado secundário.

Atualmente não é fácil investir em startups. Preparamos uma série para que os investidores saibam o que estão fazendo e consigam ter sucesso neste mercado, arriscado – porém imensamente lucrativo. Iniciativas como a de Ries poderiam fazer isso ficar mais fácil. Esperamos que aqui no Brasil iniciativas como a de Ries vinguem e facilitem a vida para investidores e startups.

Afinal, todos aqui do StartSe queremos ver este mercado crescer e se fortalecer cada vez mais.