Carreira: Planeje-a ou deixa a vida me levar?

Devemos planejar nossas ações de carreira ou devemos ir seguindo os caminhos que a vida for nos levando?

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Por Felipe Lamounier

27 de setembro de 2017 às 14:15 - Atualizado há 2 anos

Por Adriano Lima, Alumni StartSe Silicon Valley Learning Experience

Eu tenho muita paixão pelo tema de gestão de carreira. Frequentemente, em palestras, em aulas, em papos, sou questionado sobre o dilema acima. Devemos planejar nossas ações de carreira ou, como canta Zeca Pagodinho, devemos ir seguindo os caminhos que a vida for nos levando ?

Essa paixão que adquiri pelo tema vem do quanto ele fez a diferença em minha carreira e em minha vida. Na escolha pela faculdade, fiquei muito em duvida pela educação física e pela psicologia. Decidi pela psicologia porque uma orientadora escolar e meu pai foram decisivos. A opinião deles era de que a opção pela educação física seria pelo amor aos esportes e ser um esportista eu poderia ser a vida inteira se assim quisesse. Já a opção pela psicologia, seria na opinião deles, atender um chamado, uma vocação. E assim foi tomada uma decisão muito importante. Muito mais por seguir a opinião de outros do que seguir a minha e qualquer planejamento. E deu muito certo. Sempre fui feliz com essa escolha. Eu já estava na faculdade, já fazia meu primeiro estágio, não tinha ainda muita noção e visão de planejar minha carreira, mas já tinha alguns sonhos. Sonhava crescer e poder construir uma família, ter condições de alugar uma casa, fazer as compras do mês e colocar meus filhos numa escola particular. Esses sonhos me moviam muito e me faziam buscar ser melhor a cada dia. Lia livros e revistas Exame emprestados no trajeto diário e longo de ônibus da baixada fluminense onde morava até ao centro do Rio de Janeiro onde eu trabalhava.

Tive a oportunidade de iniciar minha carreira no Grupo Amil. Com os sonhos sempre me incentivando, procurava aprender sempre e entregar bons trabalhos. Fui me destacando e crescendo até que fui indicado para um curso interno nos moldes de um MBA em parceria com a Coppead. No módulo dado pelo saudoso e querido fundador da Amil Edson Bueno, ele nos apresentou, desafiou, incentivou e nos orientou para que fizéssemos o nosso primeiro plano de carreira. Era o ano de 1991 e muito antes desse conceito aparecer no mercado, na academia, nas literaturas, estava ali o Edson Bueno trazendo inspiração e desafios. Tive a gratificação de ter sido escolhido por ele como um dos três melhores planos da turma toda e esse incentivo foi determinante. Eu fiz o meu primeiro projeto, meu primeiro planejamento de ações para minha carreira e nunca mais parei. O plano está em uma das fotos aqui anexadas.

Aprendi na prática que estar no comando de sua carreira e vida lhe dá mais possibilidades de você fazer escolhas do que ser parte das escolhas de terceiros. Que o plano de carreira é parte integrante de sua vida e que deve estar equilibrado com seu momento de vida, sonhos, e principalmente, seus valores. Fui cada dia mais aprimorando meu planejamento e posso afirmar que cerca de 70% das ações que eu colocava como objetivos, iam acontecendo ao passo que eu me preparava com competências, estabelecia relacionamentos novos que me permitiam conhecer dimensões novas e sócios para alguns objetivos. Outros reconhecimentos foram surgindo, aos quais destaco ter tido parte dessa história como matéria-prima para dois livros de duas líderes das mais influentes de nosso país no tema de gestão de pessoas e que sempre foram exemplo e inspiração para mim. Tive a grande oportunidade de ter tido parte dessa história contada no livro “Carreiras, você está cuidando da sua?” da Sofia Esteves e de ter outra parte de minha história sobre carreira num capítulo do livro de “Coaching Executivo” da Vicky Bloch.

Nesse novo e desafiador mundo do trabalho em que teremos menos empregos formais e muito mais geração de oportunidades para oferecermos nossas competências e conhecimentos através de produtos, serviços, consultorias, o empreendedorismo aparece como uma solução de carreira cada vez mais promissora. Estive recentemente no Vale do Silício em uma maravilhosa missão de aprendizado com a empresa StartSe. Dentre tantos aprendizados, um me marcou bastante. Eles se referem a uma numerologia para expressar o sucesso. A de que 1% do sucesso é a ideia e 99% do sucesso é a execução. Um planejamento muito bem feito é chave para excelência nessa execução.

Devo confessar que em alguns momentos deixei a vida me levar e ao ritmo e balanço da música do Zeca Pagodinho, me permiti estar mais livre, leve e solto. “Se a coisa não sai do jeito que eu quero, também não me desespero, o negócio é deixar rolar”, diz ele também. E nem tudo dá certo. Em algumas ocasiões, errei ao implementar algumas ações e fui infeliz com algumas escolhas. Errei também em outros momentos ao não fazer as decisões corretas ou não ter tido as melhores atitudes nesses momentos. E oportunidades também foram perdidas. Mas, nessas ocasiões, sai com o reconhecimento de acionistas, conselheiros e de que, acima de tudo, ficavam na lembrança a ética, a integridade, os meus valores. Assim como me escreveu em mail um dos acionistas de uma das maiores empresas do Brasil quando sai. Como dizia meu pai lá atrás quando eu não tinha a menor noção sobre carreiras. “Percamos até o emprego, mas nunca percamos de mão os nossos valores”. Então Zeca, me uno a você para cantar mais um verso de sua música: “confesso que sou de origem pobre, mas meu coração é nobre, foi assim que Deus me fez”.