Como transformar qualquer negócio numa empresa vendável

Antes de explicá-los é importante notar que quando digo “sucesso” quero dizer empresas que cresceram e estão em evidência

Avatar

Por Claudio Nasajon

16 de novembro de 2016 às 11:32 - Atualizado há 3 anos

Pense no profissional liberal mais bem-sucedido que você conseguir. Pode ser o seu médico, o seu contador, personal trainer, coach… você escolhe. Agora imagine que ele, por qualquer motivo não possa mais exercer essa profissão (o que não faltam são motivos possíveis). O que acontece com todo o valor que ele construiu ao longo da carreira? Os clientes, a credibilidade, o conhecimento que acumulou para ajudar as outras pessoas? Há boas chances de ir para o ralo.

Isso acontece não só com profissionais, mas também com empresas. Eu vivi isso com o meu pai. Ele era dono de uma sorveteria e fez muito sucesso, mas a fabricação dos sorvetes dependia essencialmente de um dos sócios e ele morreu (esse, aliás, é um dos motivos pelos quais alguém pode ter que parar de prestar serviços). Longa história curta, eles tiveram que fechar a empresa porque não havia ninguém para substituí-lo no curto prazo. Jogaram no lixo dez anos de construção de marca, conhecimento técnico e todos os demais ativos intangíveis que uma empresa constrói ao longo de uma década. Um verdadeiro desperdício.

O que acontece com os seus ativos intangíveis se você sair de cena?

Aí eu pergunto: como é a SUA situação? O que aconteceria com os seus clientes, o seu know-how, os seus contatos com fornecedores e parceiros, se você amanhã precisasse sair de cena rápida e involuntariamente?

A maior parte das pessoas que eu conheço teria um desfecho semelhante ao do meu pai. O negócio perderia valor num piscar de olhos.

Para resolver esse problema eu estudei as minhas decisões empresariais dos últimos trinta anos e cheguei à conclusão de que o sucesso das empresas se deve a cinco itens que eu chamei de “Pilares do VALOR”, dado que as suas iniciais formam essa palavra.

Antes de explicá-los é importante notar que quando digo “sucesso” quero dizer empresas que cresceram e estão em evidência. A Nasajon, minha primogênita, é uma das 100 Maiores empresas de TI do Brasil, está entre as 10 mais rentáveis do setor e é a sexta maior de software contábil do país. A Braspag, um dos meus primeiros investimentos em startups, tornou-se (e é hoje) líder em pagamentos eletrônicos na América Latina, vendida para a Cielo por mais de R$ 40 milhões há alguns anos. A MoIP, outra startup na qual participei, é um dos líderes do e-commerce e foi vendida em março por R$ 160 milhões. Tem mais, mas acho que você já entendeu o espírito.

Os “pilares” do sucesso formam a palavra V.A.L.O.R.

São a Vocação (entender e focar naquilo que a empresa faz de melhor), a Autonomia (reduzir a dependência de clientes, fornecedores e pessoas específicas), a Lucratividade (identificar e entender os produtos e serviços do portfólio que são mais rentáveis), a Organização (recrutar um time de pessoas adequado e criar processos que permitam monitorar os seus resultados a distância) e a Recorrência (criar ofertas que permitam usar o esforço de vendas para aumentar a base de clientes e não apenas para mantê-la).

Recentemente realizei um Seminário online (gratuito) apresentando essa fórmula do sucesso e explicando como implementar os cinco pilares do valor. Mais de 4.000 pessoas participaram e uma quantidade bastante significativa compartilhou os seus desafios comigo.

A repercussão foi tamanha, e tanta gente querendo assessoria, que decidi criar um grupo de empreendedores para acompanhar pessoalmente nessa jornada de construir negócios rentáveis, escaláveis e autogerenciáveis.

Para saber mais sobre o programa e como você pode participar, acesse o site www.empresavendavel.com.br

Só empresas grandes são vendáveis?

Uma das perguntas mais frequentes que escuto quando apresento a palestra sobre as empresas de VALOR é se uma empresa pequena, que tem um punhado de funcionários, também pode ser colocada “à venda”.

Outra variação bastante comum é se um consultório dentário, uma clínica médica, um negócio uniprofissional como Personal Trainer, Marceneiro ou Coach, podem ser negócios “vendáveis”. A resposta é SIM.

Entenda: investidores (leia-se “compradores”) querem fazer crescer o seu capital. Há investidores de todos os tipos e tamanhos. Há os que querem aplicar bilhões e há os que podem aplicar milhares. A boa notícia é que existe mercado para todos eles.

Se você colocar “comprar e vender empresas” no google, vai achar dezenas de resultados como por exemplo os sites meubiz.com.br, queroumnegocio.com.br, empresaperfeita.com.br e muitos outros que oferecem de negócios de fabricação de fraldas artesanais a grandes corporações.

O que faz a diferença para um investidor ou comprador não é tanto o tamanho da empresa, mas o fato de ela ter potencial para crescer – que chamamos “escalabilidade”. Se a empresa é uma hamburgueria de beira de estrada, mas tem potencial para tornar-se o próximo Mc.Donalds, então temos um negócio vendável.

O problema é que para ter potencial de crescimento, escalabilidade, a empresa não pode depender do dono. O dono, fundador, deve ser o estrategista, quem pensa no negócio, quem define as diretrizes e controla a qualidade dos resultados, mas não pode ser quem gira a manivela porque aí não tem potencial de crescimento porque não dá para multiplicar o dono (pelo menos ainda, enquanto a clonagem não evolui).

Então, se você quiser que o seu negócio possa receber investimentos ou até compradores da totalidade, precisa sair da operação, criar processos que garantam que outras pessoas façam o que deve ser feito. Estabeleça parâmetros, indicadores de desempenho e ações que garantam que os resultados sejam compatíveis com a sua visão do negócio.

Em vez do “olho do dono”, crie sensores automáticos que apenas enviem alertas quando algo sai dos trilhos e que liberem o seu tempo para fazer coisas que agreguem mais valor ao negócio do que apenas monitorá-lo.

A transformação é inspiradora

Eu tenho acompanhado empreendedores fazendo isso no meu programa Empresa Vendável e uma das coisas mais inspiradoras que tenho vivenciado nesse trabalho é a transformação dessas pessoas. Gente que antes vivia sobrecarregada passou a ter tempo para pensar na estratégia do negócio, realizar parcerias, ficar mais tempo com as suas famílias.

Vi profissionais que aprenderam a delegar as tarefas da forma certa e com isso passaram a usar o seu tempo em tarefas que realmente lhes davam prazer o que, por sua vez, os fez sentir – alguns pela primeira vez – o gosto da estabilidade financeira, livrar-se das dívidas e ganhar paz de espírito.

Vi empresas cujos empregados escondiam os lugares onde trabalhavam como se isso fosse motivo de vergonha, passar a ser motivo de orgulho desses mesmos funcionários que passaram a se identificar usando o nome da empresa como se fosse o seu sobrenome.

Invariavelmente essas empresas passam a atrair a atenção dos investidores e na maioria das vezes eles não precisam nem procurar, porque as ofertas de investimento aparecem. Esse é a minha consagração.

Espero que você seja capaz de construir o seu patrimônio, que as minhas dicas nesta coluna e no canal Youtube, Facebook e Instagram (todos /claudionasajon) sejam úteis para construir mais do que um negócio, um ativo, que você possa usufruir em vida ou passar adiante como parte do seu legado.

Até a próxima!

*Claudio Nasajon é fundador da Nasajon Sistemas e membro do grupo de investidores Harvard Angels.

Não deixe de entrar no grupo de discussão do StartSe no Facebook e de inscrever-se na nossa newsletter para receber o melhor de nosso conteúdo!

[php snippet=5]