O WeWork está vendo o seu valor de mercado derreter – entenda por que

José Eduardo Costa

Por José Eduardo Costa

6 de setembro de 2019 às 18:26 - Atualizado há 11 meses

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A The We Company, empresa-mãe da rede de escritórios compartilhados WeWork, está assistindo a uma redução drástica de seu valor de mercado. No início do ano, a empresa era avaliada em US$ 47 bilhões, mas desde que divulgou os papéis referentes ao seu registro para IPO (oferta pública inicial), a empresa vem recalibrando este valor.

Embora a empresa ainda não tenha escolhido uma bolsa para listar suas ações, a expectativa era de que isso aconteceria agora em setembro. No entanto, quanto mais avança o tempo, maior o ceticismo dos investidores com relação ao WeWork e o seu modelo de negócios.

Segundo o Wall Street Journal, o valor da empresa na abertura de capital deve ficar em pouco mais de US$ 20 bilhões. É menos da metade dos US$ 47 bilhões, valor pelo qual a empresa foi avaliada no início deste ano, após investimentos do fundo de capital de risco japonês Softbank.

A demonstração de resultados da empresa mostra perdas crescentes nos últimos três anos. Em 2016, a WeWork perdeu (diferença entre receitas de vendas e os custos totais da empresa) US$ 429 milhões, para uma receita aferida de US$ 436 milhões. No ano seguinte, essa perda aumentou para US$ 890 milhões ante a receita obtida de US$ 886 milhões. E para 2018, a WeWork perdeu US$ 1,6 bilhão e teve US$ 1,8 bilhão em receita.

Nos primeiros seis meses de 2019, a empresa registrou uma perda de US$ 690 milhões e receita de US$ 1,5 bilhão. O WeWork revelou que possui obrigações mínimas de aluguel futuro no valor de US$ 47 bilhões nos próximos 15 anos.

Investidores cautelosos

Diante deste cenário, os potenciais investidores levantaram preocupações com relação a sustentabilidade do modelo de negócios da empresa. Também demonstraram desaprovar as centenas de milhões de dólares investidos em transações imobiliárias e os negócios do WeWork envolvendo outras empresas do CEO e fundador Adam Neumann.

Neumann viajou para Tóquio, na semana passada, para conhecer um dos maiores investidores da empresa, o CEO da SoftBank, Masayoshi Son, e membros de sua equipe. Lá, eles discutiram a possibilidade de uma infusão adicional de capital no WeWork.
Entre as ideias consideradas, segundo o Wall Street Journal, há a possibilidade de o SoftBank, que atua como investidor-âncora no IPO, comprar uma parcela significativa dos cerca de US$ 3 bilhões a US $ 4 bilhões que a empresa espera levantar na oferta pública de ações.

Os executivos também discutiram se o SoftBank poderia investir ainda mais dinheiro no WeWork, permitindo transferir o IPO para 2020. Não se sabe se o SoftBank acabará investindo mais dinheiro na empresa de Neumann. Alguns dos principais investidores do fundo japonês já se recusaram a fazê-lo.

Mudanças à vista?

O WeWork está fazendo algumas mudanças para reverter a maré de más notícias. Na quarta-feira, a empresa anunciou que está trazendo uma professora de Harvard para integrar o conselho da empresa. A professora Frances Frei, de tecnologia e operações, é a primeira mulher a ter uma cadeira no conselho. O movimento responde a críticas de que a empresa tem baixa diversidade na sua liderança.
A empresa também anunciou que irá desfazer uma transação de US$ 6 milhões na qual comprou a marca registrada com a palavra “We” de uma empresa controlada por Neumann.

Parece pouco para aplacar os ânimos dos investidores. Nas próximas semanas, o WeWork deve organizar roadshows para se apresentar para investidores institucionais. A partir daí, será possível saber se o IPO da empresa acontecerá e em que condições.