Zuckerberg e Musk estão tendo ideias muito futuristas, mas não se anime tanto

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Por Lucas Bicudo

29 de Maio de 2017 às 18:15 - Atualizado há 3 anos

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De acordo com o time do Facebook, capitaneado por Mark Zuckerberg, logo logo seremos capazes de digitar usando nossas mentes e ouvir através da pele. Mais longe ainda, Elon Musk diz que um dia será possível fazer download de pensamentos.

Ideias como a capacidade de digitar 100 palavras por minuto com sua mente, ou aprender kung fu com a tecnologia do filme Matrix, estão permeando as tecnologias do futuro. Mas, na verdade, essas são histórias de ficção científica. Mesmo a comunidade de neurociências – que raramente concorda com qualquer coisa – concorda com isso.

Uma grande história sobre ser capaz de reprogramar o nosso cérebro ou ouvir com a nossa pele mantém o público e os investidores animados. Mas estas histórias não se tornarão realidade até entendermos completamente como lidar com um cérebro. Sem entender verdadeiramente a linguagem do cérebro e como bilhões de células cooperam para dar origem ao fenômeno que chamamos de inteligência, não seremos capazes de começar a descobrir como aprimorá-lo com máquinas.

Uma analogia apropriada para o cérebro pode ser que os neurônios trabalham muito similarmente às colônias de formigas. Nelas, cada formiga tem uma tarefa específica: sair, encontrar comida, dar uma mordida, deixar uma trilha para outras formigas encontrá-las. O resultado é uma das sociedades sociais mais complexas da natureza e dos superorganismos mais adaptativos. Do lado de fora, porém, nós não entendemos completamente a variedade completa de papéis que as formigas individuais desempenham para manter o superorganismo vivo.

É o mesmo problema com o código cerebral. Os neurônios, apesar de sua quantidade, só formam uma porcentagem muito pequena de células no cérebro. O que ultrapassa os neurônios numa proporção de cerca de 9: 1 são células especiais chamadas gliais. Os cientistas sabem muito pouco sobre o que as células gliais realmente fazem. Nós temos ideias e teorias, mas nenhuma fórmula definitiva. Antes de começar a construir dispositivos para ligar ao cérebro, temos de compreender a função completa dessas células.

Há aqueles que equiparam o cérebro a um computador, mas isso é uma falsa analogia. Cérebros e inteligência não evoluíram para resolver problemas algorítmicos em uma realidade virtual abstrata. O cérebro evoluiu com o objetivo singular de guiar com sucesso um organismo inteiro através de um ambiente mutável. Tratar o cérebro como um problema algorítmico é um dos maiores obstáculos conceituais em Inteligência Artificial avançada. Somente quando nos libertarmos desse equívoco será possível um avanço nas interfaces cérebro-computador.

O Neuralink de Elon Musk está trabalhando em interfaces diretas do cérebro. Uma forma rudimentar desta tecnologia já é usada para registrar a atividade cerebral. No entanto, dois grandes desafios estão no caminho da meta de Musk. Interfaces diretas modernas usam algumas centenas de minúsculas agulhas para entrar na matéria cerebral e fazer contato direto com células cerebrais.

Para obter o nível de clareza necessário para conseguir uma imagem real de como essas células funcionam você precisaria de centenas de milhares (senão milhões) de agulhas por implante. Aliás, esses implantes matam as células cerebrais que estão monitorando. Quanto mais claro você faz leituras desses implantes, mais células de cérebro você mata. Esta não é uma solução a longo prazo e, certamente, não uma muito amigável.

Nós vamos chegar lá eventualmente, mas não em breve.

Muitos dos ingredientes para a tecnologia que o Facebook e Elon Musk estão divulgando já existem hoje, mas apenas porque os ingredientes estão lá não faz de você um chef. Para ser um chef, você precisa de uma receita. O Código do Cérebro é aquela receita. Nós não seremos capazes de alcançar qualquer um desses incríveis avanços da função cerebral com máquinas até desvendar o Código do Cérebro.

Uma vez que entendemos como ele funciona e como podemos aplicar os princípios subjacentes a dispositivos artificialmente inteligentes, a parte mais fácil será aplicar esse conhecimento ao tipo de avanços que Mark Zuckerberg e Elon Musk estão falando. Isso não só será sobre o avanço do corpo humano, mas ele também irá impactar a forma de como coexistir com nossas criações de Inteligência Artificial, como robôs, máquinas sensíveis, ou até mesmo seres humanos artificiais.

Mas quem os culpa de pensar lá na frente? Afinal, é justamente isso que a mentalidade do Vale do Silício exige, não é mesmo?

(via Venture Beat)

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