Você já ouviu falar sobre o Picturephone, o aparelho que quase desenvolveu a internet nos anos 60?

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Por Lucas Bicudo

3 de Maio de 2016 às 14:20 - Atualizado há 4 anos

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Você já imaginou se na década de 60, aquela da contracultura e da pílula anticoncepcional, o mundo tivesse acesso a internet? Pois bem, para quem acha que isso não passa de um mero exercício fantasioso, a coisa quase aconteceu.

Durante esse período, o AT&T’s Bell Labs desenvolveu uma plataforma de chamadas de vídeo conhecida como Picturephone. E no meio desse processo, não é que o laboratório quase desenvolveu a internet também?

A história começa em 1932, quando a primeira patente de chamadas de vídeo foi registrada na Alemanha, pelo Dr. Goerg Schubert, cabeça do departamento de desenvolvimento da Fernseh-AG. Não muito tempo depois, as agências de correio alemãs também começavam a adotar o serviço. O desenvolvimento da tecnologia foi temporariamente interrompido durante os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial e retomou suas atividades nos Estados Unidos pós-guerra, pela Bell Labs.

A companhia de telefonia americana já vinha trabalhando em protótipos desde o lançamento do primeiro Gegensehn-Fernsprechanlagen de Schubert. Foi em 1964 que o Picturephone chegou ao público, chancelado como o resultado de todo o desenvolvimento de décadas da marca.

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A qualidade de transmissão era baixa e o tamanho da tela do aparelho também não ajudava, mas certamente houve um grande burburinho em torno do lançamento da nova tecnologia. Os planos da Bell Labs era evoluir o serviço para algo parecido com a banda larga que temos hoje em dia e é aí que entra o papo da internet.

Os engenheiros previam um futuro onde seria capaz de enviar informações através de uma conexão banda larga – algo como os cabos de ethernet atuais -, no lugar dos fios de cobre tradicionais e característicos dos serviços de telefonia da época.

Infelizmente, o produto era muito caro para ser utilizado em casa e não tão potente assim para atender todas as demandas de uma empresa com cacife para bancá-lo. A companhia cobrava US$ 160 mensais (equivalente a US$ 1.200 de 2016) pelo uso do aparelho e cada chamada interurbana entre as grandes cidades dos Estados Unidos poderia custar até US$ 20 o minuto (equivalente a US$ 150 atuais).

O preço exorbitante – para um display de qualidade ainda questionável -, fez com que o interesse pelo Picturephone fosse mínimo e retardasse todo o desenvolvimento da plataforma que naquela época poderia ser considerada como o primeiro lampejo da internet.

No primeiro semestre de uso, apenas 71 usuários adquiriram o Picturephone, frustrando imediatamente todas as metas traçadas pela companhia. Em 1980, a Bell esperava já ter vendido 1 milhão de unidades; em 2000, esse número cresceria para 12 milhões. Bem, a empresa não teve vida hábil para chegar nem em seu primeiro objetivo: em 1978, depois de já ter desembolsado US$ 500 milhões no projeto, decidiu fechar as portas e cancelar toda a operação.

Bill Hammack tem um vídeo, disponível no YouTube, sobre o tema. Confira:

(via Business Insider)