A Tesla pode falir, mas ela já trouxe a Nova Economia para o setor

Da Redação

Por Da Redação

10 de Maio de 2018 às 11:11 - Atualizado há 2 anos

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

Não é de se surpreender que a General Motors já tenha avançado mais na tecnologia de carros elétricos e autônomos do que a própria Tesla. Com anos e anos a mais de experiencia no mercado automotivo e uma equipe executiva mais focada, a gigante americana conseguiu correr atrás do atraso. Assim como a Ford, a Mercedes-Benz, a Volkswagen e a BMW também estão fazendo.

Todos os players do mercado automobilístico se preparam para um futuro onde os carros serão autônomos e elétricos – até mesmo aqueles que não são montadoras, como o Uber, Didi Chuxing e outros aplicativos de mobilidade. Ou seja, se preparam para o futuro conforme desenhado por Elon Musk no seu “grande plano para a Tesla”.

A diferença é que, talvez, a Tesla não seja uma das grandes players deste futuro. A empresa, que tem valor de mercado maior do que GM e Ford (as grandes montadoras dos Estados Unidos), passa por uma crise sem igual em sua história. Atraso na produção, excesso de automação e até mesmo o CEO sendo grosso e estúpido em teleconferências com analistas do mercado.

Tesla em crise

Por conta disso, a Tesla passa por uma crise sem precedentes. Vários investidores tem pedido a cabeça de Musk – que deveria tirar umas férias antes de qualquer coisa – por conta desse momento que a empresa está passando. O plano de investimentos da empresa está fortemente ameaçado para o futuro por falta de capital e uma relevante parte das pessoas que compraram o Model 3 estão desfazendo a compra, obrigando a Tesla a devolver o sinal que eles já deram (o que agrava a falta de capital). A companhia pode entrar em um ciclo vicioso de devolução de dinheiro que atrapalha os investimentos que faz a empresa demorar ainda mais para entregar os carros, o que gera mais devoluções… você entendeu o drama.

A empresa só perdeu dinheiro até hoje e queima mais de US$ 7.400 por minuto (o que totaliza mais de US$ 1 bilhão por trimestre). Como essa queima é cada vez maior e a Tesla só tem US$ 3,5 bilhões em caixa, a estimativa é que a companhia fique sem dinheiro até o final do ano. Aí de grosso modo só vão restar três opções: captar dinheiro dos outros (dívida), vender participação da empresa em bolsa de valores ou falência (e consolidação e reestruturação das dívidas atuais). E se eu fosse apostar em probabilidades para cada cenário, diria 75%, 24,9% e 0,1%.

Como ainda não tem uma montagem azeitada, a empresa perde dinheiro com qualquer carro que ela produz (ao invés de lucrar) e tem uma das menores receitas por funcionário de toda a indústria automobilística (cerca de metade de GM e Ford). Além disso, a companhia perde funcionários (alguns de altíssimo escalão, como Chris Lattner, ex-chefe do projeto de carros autônomos) para concorrentes e precisa adaptar a função de muitos outros para se adaptar. Como desgraça pouca é bobagem, a empresa está sendo processada pela Nikola, outra empresa que se inspira no legado de Nikola Tesla.

A Tesla precisa se acertar para conseguir manter essa posição de vanguarda no mercado de carros elétricos e autônomos nos próximos anos e não ser atropelada por GM ou Ford. Musk sabe disso e tem dormido na fábrica para conseguir regularizar a situação – mas precisa abandonar alguns pontos de sua ideologia e se abrir mais. Atualmente, ele tem procurado bodes expiatórios (mandou um e-mail circulando culpando os “terceirizados” por alguns problemas recentes).

Uma volta por cima é possível, principalmente por ter uma marca forte e um bom poder de captação perante o mercado (que ela vai precisar antes do fim do ano) embora Musk tenha maltratado analistas. Falência ainda é uma palavra longe de ser usada no caso da Tesla, já que muita coisa ainda pode acontecer até chegar nesse extremo, mas certamente se ver sem dinheiro até o final do ano é um problema muito mais próximo do que qualquer empresa gostaria.

Os governos compraram a ideia

A Tesla pode até falir, mas a batalha já está ganha no longo prazo. Um dos objetivos de Elon Musk com a companhia era conseguir fazer com que os carros elétricos tivessem mais aceitação no mercado. Por isso, a companhia ate abriu mão de certas patentes, como forma de popularizar os carros elétricos e diminuir a dependência do mundo de combustíveis fósseis.

Nesse ponto, vitória. Além das montadoras estarem se preparando para ter carros elétricos (algumas, como a Volvo, já se preparam para só ter automóveis assim) e trabalhando para tal, ninguém mais duvida que o futuro será assim. Por um motivo simples: a Tesla provou que um carro pode ser elétrico, bom e atrair o gosto dos consumidores.

Até os governos de diversos países já compraram a ideia. China, Reino Unido, Índia, Alemanha e França já determinaram que até 2030 só será permitida a venda de carros elétricos. Isso é um salto gigantesco para um futuro em que nenhum automóvel mais é movido com combustível fóssil. Até a Noruega anunciou isso (e olha que é um país que vive basicamente de petróleo hoje).

Isso é um ganho tremendo para o meio ambiente e para a saúde das pessoas (adeus fumaça nas grandes cidades). E um mundo que pode caminhar para uma matriz energética mais sustentável ao longo prazo. Musk pode não terminar essa história como o empreendedor mais bem sucedido da história, mas talvez como salvador do planeta.

As montadoras se preparam para entrar na Nova Economia

O maior legado de Musk e a Tesla será ter conseguido mudar a mentalidade de empresas centenárias, sociedades e governos para que o carro elétrico pode ser interessante. A Tesla, praticamente sozinha, trouxe muita gente para a Nova Economia. Fez a Nova Economia parecer como um imperativo para muita gente que nunca tinha sonhado com ela antes.

A Ford ficou tão preocupada com seu futuro que demitiu o antigo CEO, Mark Fields, para substituí-lo por um executivo com mais senso de urgência neste sentido. E olha que Mark Fields repetiu diversas vezes que a “Ford gostaria de ser mais do que uma montadora e se transformar em uma empresa de mobilidade”. A empresa é uma das líderes na corrida pelo carro autônomo e pretende ter este tipo de automóvel (nos EUA, claro) até 2020.

Não estamos em uma era de copiar, estamos em uma era para exercer nossa criatividade e deixar os antigos vícios para trás. A Nova Economia que se desenha é muito mais produtiva e deve fazer com que a humanidade entre em uma nova era de bonança. Quem partir na frente, ganhara os maiores benefícios desta era.

Que bom. Mas o Brasil corre o perigo de ficar para trás nesta corrida pela Nova Economia: nós da StartSe trabalhamos e gostaríamos muito que esse não fosse o caso. Por isso, te convido a ler este texto sobre COMO você pode adentrar na Nova Economia de vez, deixando para trás os velhos pilares que faziam a antiga. Clique aqui e venha nesta jornada conosco.

[php snippet=5]

Cursos Online Startse para você iniciar: