Tesla joga no lixo US$ 150 milhões e tem que devolver dinheiro para clientes

Elon Musk, porém, afirma que a empresa não precisa captar mais dinheiro no mercado, através da emissão de novas ações. Promessa essa que ele já fez e quebrou cinco vezes de 2012 para cá

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Por Da Redação

5 de junho de 2018 às 10:03 - Atualizado há 2 anos

A crise da Tesla só está se agravando. Nos primeiros cinco meses do ano a empresa já teve perdas de materiais no valor de US$ 150 milhões – uma quantia enorme que ela basicamente jogou no lixo. Para piorar a crise financeira, a companhia já teve que devolver 25% de todos os depósitos feitos por clientes para reservar o Model 3.

Elon Musk, porém, afirma que a empresa não precisa captar mais dinheiro no mercado, através da emissão de novas ações. Promessa essa que ele já fez e quebrou cinco vezes de 2012 para cá. De acordo com algumas pessoas ligadas ao mercado de capitais, é extremamente necessário que a Tesla capte dinheiro através de ações ou dívida corporativa, ou deverá quebrar até o fim do ano.

O que seria um caminho normal para uma empresa que está desperdiçando cerca de 40% de todos os materiais que entram na Gigafactory para serem transformados em baterias e autopeças, em Nevada. É um nível elevadíssimo de desperdício, muito maior do que as concorrentes (como GM, Ford e todas as outras empresas que estão se adaptando a nova era).

Além disso, muito desse lixo industrial que a Tesla cria é perigoso para o meio-ambiente, inflamável e precisa ser guardado – gerando novos custos para a empresa no longo prazo. A cada 3500 baterias feitas pela empresa, salienta o Business Insider, mais de 1.000 são descartadas.

Além disso, destaca-se que o valor de US$ 150 milhões refere-se apenas ao que foi gasto com o material jogado no lixo, mas não inclui quanto se gastou para produzir esse lixo – aumentando ainda mais a quantia. A Tesla se defende afirmando que esse é apenas o início da produção, e que o trabalho que está sendo feito vem diminuindo a criação deste tipo de lixo.

Contudo, os problemas já fizeram a Tesla atrasar de maneira significativa a entrega de novos carros, aumentando o prazo para muitos clientes – e cerca de 25% deles não aceitou esse reajuste de datas, pedindo o dinheiro já investido de volta. A companhia parece longe de atingir o objetivo de Elon Musk de se tornar a montadora mais eficiente do mundo.

Pelo contrário, no momento ela caminha para ser a menos eficiente de todas. Recentemente a empresa mudou alguns processos para diminuir o nível de automação nas fábricas, já que muitos dos problemas estavam concentrados em robôs menos eficientes do que seres humanos ou mal programados.

A companhia confirma que “reduziu temporariamente a automação em algumas áreas e introduziu processos semi-automatizados ou manuais”. Contudo, a forma que escolheu quais máquinas seriam desligadas não tem sido muito boa, de acordo com relatos dos funcionários da Tesla: basicamente, Elon Musk olha para ela e decide se deve ou não desligar, geralmente sem nenhum embasamento de dados para justificar a decisão.

A Tesla ainda não teve um dia de lucro, mas é avaliada juntamente com GM e Ford, empresas que são lucrativas há décadas e que possuem excelente padrões de eficiência em suas fábricas. O sonho de mudar o mundo através dos carros elétricos mantém-se vivo, mas fica cada vez mais claro que a Tesla talvez não tenha papel neste novo mundo.

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