Sistema de identificação facial falha ao expor infratora

A empresária Dong Mingzhu, reconhecida como uma das executivas mais bem sucedidas da China, teve seu rosto estampado na tela de uma das ruas da cidade de Ningbo – mesmo não estando no local

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

23 de novembro de 2018 às 14:22 - Atualizado há 1 ano

reconhecimento facial

Atravessar uma rua na China exige um cuidado especial. O país, que tem avançado cada vez mais em soluções de reconhecimento facial, implantou um novo sistema em diversas cidades com o objetivo de identificar e, de certa forma, constranger aqueles que atravessam fora da faixa de pedestre. Em um esforço para reprimir a atitude, foram instaladas câmeras e grandes telas que mostram o rosto e a identidade daqueles que não cumprirem a lei. O país ainda estuda aliar esta tecnologia às empresas de telefonia e de plataformas como o WeChat, para enviar alertas e até mesmo multas para os celulares dos pedestres.

Porém, na cidade de Ningbo, no leste do país, um erro cometido pelo uso desta tecnologia causou polêmica. O rosto da famosa empresária chinesa Dong Mingzhu, reconhecida pela Forbes como uma das empresárias de maior destaque no país, apareceu na tela como sendo uma infratora. O que a câmera identificou, no entanto, foi um anúncio de ônibus em que a executiva aparecia. A polícia local admitiu o erro em um comunicado e alegou que o problema seria corrigido em uma atualização do sistema.

Foto: Weibo

O episódio reforça a discussão do quanto a tecnologia pode ser benéfica ou não. Hoje, os chineses usam o reconhecimento facial para metrificar o desempenho de alunos e a qualidade das escolas, identificar passageiros suspeitos em estações de trem e até mesmo realizar pagamentos. Em paralelo a isso, diversas startups da China estão investindo na tecnologia. A Watrix, por exemplo, criou um software capaz de identificar os indivíduos a uma distância de até 50 metros, mesmo quando o rosto está coberto ou estão de costas. O país também está desenvolvendo um sistema para reconhecer qualquer um de seus 1,3 bilhões de habitantes em três segundos. 

As medidas estão sendo criticadas pelos grupos de direitos humanos que acreditam que a tecnologia tem sido usada de forma invasiva. Além disso, grandes empresas afirmam que a adoção requer a criação de regulamentações. Durante o Web Summit, uma conferência de tecnologia realizada recentemente em Lisboa, Brad Smith, presidente da Microsoft, afirmou que o uso do reconhecimento facial poderá mudar as nossas vidas, mas que “possui profundas ramificações para os direitos civis em que sociedades democráticas estão apoiadas”.