“O ser humano será remunerado para pensar”, diz ex-cônsul do Vale do Silício

Juliano Alves Pinto, ex-cônsul de inovação do Vale do Silício, discute como a Nova Economia mudará empregos (e o mundo)

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

20 de dezembro de 2017 às 13:12 - Atualizado há 2 anos

800 milhões de pessoas ficarão desempregadas em todo o mundo até 2030. Apesar desse dado – obtido em uma pesquisa do McKinsey Global Institute – ser assustador, o que acontecerá é simples: algumas profissões serão extintas, mas outras serão criadas.

“Nos próximos 30 anos, metade das profissões que serão ocupadas por pessoas que estão nascendo agora sequer existe. O ser humano vai deixar de se remunerado para fazer coisas, e será remunerado para pensar”, afirmou o ex-cônsul de inovação do Vale do Silício, Juliano Alves Pinto.

O diplomata viveu no Vale do Silício de janeiro de 2013 a dezembro de 2016, onde conheceu a Nova Economia. A Nova Economia está trazendo a tecnologia para agilizar processos, utilizando, por exemplo, a inteligência artificial e IoT (internet das coisas) para trazer soluções e mudanças no nosso cotidiano.

Mas, para o ex-cônsul, por mais que as máquinas venham trazendo automação e inteligência artificial, dificilmente o ser humano deixará de cumprir o seu papel de pensar e ter criatividade. Para saber como a Nova Economia impactará em nossas vidas ainda em 2018, participe do evento A Revolução da Nova Economia.

“O que vai acabar com certeza são as profissões de trabalho de manufatura, de fazer as coisas, de fabricar – isso realmente vai deixar de existir nos próximos anos. Por isso, eu vou remeter para a importância imensa que é da educação. Na medida que você tem uma população mais educada para que possa trabalhar de forma mais qualificada, a população estará preparada para vencer esses obstáculos”, sintetiza Juliano Alves Pinto.

Por isso, um dos principais desafios para o país adotar a Nova Economia agora é investir em educação. “A educação passa a ser o ponto central, as universidades e professores têm que ser valorizados. E não é só o Estado que tem que fazer, mas quem desenvolver ferramentas voltadas para a educação também pode lucrar dentro da Nova Economia”, comenta.

Além das próprias universidades, as startups e fundações podem se voltar para a capacitação e qualificação das pessoas, visando a melhorar a qualidade de talentos em cada ecossistema.  “No Vale do Silício, por exemplo, não se olha nacionalidade, classe social, raça, religião, nada. Você é valorizado pelo o que tem a oferecer, não por ser quem você é, qual a sua família”, comenta. E essa é uma tendência que deverá ser atingida globalmente.

Profissões do futuro

Não são apenas engenheiros, desenvolvedores de software ou pessoas com carreiras ligadas à tecnologia que possuem lugar na Nova Economia, mas ela é voltada à atividade central do desenvolvimento de novos produtos. Por isso, a criação e desenvolvimento acaba sendo muito mais valorizada do que a manufatura (que começará a ser feita por máquinas).

“O que a gente tem que fazer é educar os tomadores de decisão, empresários e todas as pessoas, sobre como funciona a remuneração pelo desenvolvimento, que é muito mais alto que a manufatura. É preciso aprimorar a questão do desenvolvimento na legislação de propriedade intelectual, de patente, desenvolvendo o nosso ambiente de negócios”, finaliza o ex-cônsul.

Com a criação de patentes feita de forma mais rápida, outras áreas como a jurídica também serão valorizadas, pois são quem rege esse setor. E, para os empreendedores e talentos do Brasil, será muito mais fácil empreender, criando novas soluções e contribuindo com o desenvolvimento, não a manufatura. Dessa forma, a manufatura e processos automatizados ficarão nas mãos dos robôs, enquanto o ser humano será valorizado pelas suas ideias. A mudança nos empregos acontecerá, mas a educação será a principal arma para todo o mundo entrar na Nova Economia, trazendo suas próprias ideias e convicções.