Por dentro do YouTube: como ganhar dinheiro com vídeos na internet

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Por Paula Zogbi

21 de outubro de 2015 às 10:11 - Atualizado há 5 anos

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Na semana passada, a Forbes divulgou, pela primeira vez, a lista de YouTubers que mais faturaram em um ano. Em primeiro lugar, o sueco PewDiePie, que ganhou US$12 milhões depois de estourar com seu canal, que conta com 40 milhões de assinantes.

No Brasil, o canal com mais assinantes, o Porta dos Fundos, obtém aproximadamente US$3 milhões anuais apenas com a renda dos anúncios próprios do YouTube – aqueles que aparecem, entre outros formatos, em banners ou em vídeo mesmo antes da programação do canal, por exemplo – de acordo com uma estimativa do site Social Blade. Isso sem contar os canais paralelos, publicidade contratada através de merchans ou product placement e o que cada um dos participantes também ganha com os programas na televisão.

Aqui, você pode acessar a lista com os 100 maiores YouTubers brasileiros, de acordo com diversos critérios. Para se ter uma ideia de quanto dinheiro rola neste meio, uma reportagem do Estadão em 2013 – época do famoso vídeo do Spoleto – afirmava que o Porta dos Fundos cobrava R$200 por vídeo encomendado a cada marca. Dois anos e muitos novos fãs depois, esse número deve ter decolado. Veja o primeiro vídeo:

Essas publicidades funcionam como oportunidades. Depois de ver o sucesso do vídeo acima, a própria marca Spoleto resolveu pegar carona no sucesso e pagou para que outro vídeo fosse feito usando o nome da marca – o Spoleto 2.

Logo depois, vieram outras marcas com a mesma ideia e isso passou a ser uma ação bastante comum de entre YouTubers e publicitários.

Também existe a publicidade mais direta e menos encenada. Há YouTubers por exemplo que vendem patrocínios para colocar nomes de marcas nas aberturas dos vídeos e para usar determinados produtos em suas gravações – isso pode ocorrer em vídeos de culinária (um exemplo: Nutella é o nome de uma marca de creme de avelã, e basta chamá-lo pela marca, mesmo), maquiagem e de “unpacking” de produtos, por exemplo. Tudo depende da criatividade do dono do canal e dos marqueteiros. E tudo, claro, dá dinheiro.

O salário de cada um quando acontece a migração à televisão fica mais difícil de estimar, mas dá para ter uma ideia da bolada pelo sucesso que esses atores fazem: atualmente, é difícil conhecer um brasileiro usuário de internet que não tenha visto ao menos um vídeo do Porta dos Fundos.

Em outros termos: que algumas pessoas fazem do YouTube uma máquina de fazer dinheiro já não é novidade para ninguém. O que muitos querem saber é: como criar um canal de sucesso e viver de vídeos na internet?

Para Manuela Villela, gerente de parcerias do YouTube no Brasil, ainda que não haja uma “receita do sucesso”, muitos dos grandes canais de sucesso possuem alguns pontos em comum. Segundo ela, o Brasil já possui diversos canais que atingiram rankings globais de assinantes, e a tendência é aumentar.

Do que e como falar?

“Acredito que todo YouTuber começa com uma grande ideia, uma inspiração. Alguns deles têm um trabalho pregresso e usam isso para falar da sua especialidade nos vídeos: a experiência leva eles a construírem um conteúdo de qualidade e se tornarem os contadores de histórias da época moderna”. Mari Fulfaro, do Manual do Mundo (canal que, segundo o Social Blade, recebe até US$1,5 milhões anuais em anúncios acoplados), antes de começar a aparecer em vídeos, formou-se em Terapia Ocupacional e já tinha um blog sobre isso, de acordo com seu parceiro Iberê Tenório.

Mas nem sempre a formação é um fator essencial. Segundo Manuela, às vezes “vale mais o interesse do que a qualificação”. “O Rolê Gourmet, que tenho com o PC Siqueira, do Maspoxavida, surgiu com a ideia de gravar uma coisa que a gente já fazia há muito tempo — reunir os amigos, cozinhar, tomar uma cerveja e ficar falando besteira, então foi algo bem natural”, diz o YouTuber Otávio Albuquerque, que também trabalha com o canal Coisas que Nunca Vi. Os números do Social Blade para esses canais são de US$128 mil e US$12,9 mil anuais em anúncios.

Ambos os canais possuem funcionários que cuidam da parte operacional – câmera, edição e mídias sociais – e também faturam com patrocinadores. Segundo Otávio, “O Rolê Gourmet, que tenho com o PC Siqueira, do Maspoxavida, surgiu com a ideia de gravar uma coisa que a gente já fazia há muito tempo — reunir os amigos, cozinhar, tomar uma cerveja e ficar falando besteira, então foi algo bem natural”.

Conteúdo constante e fidelidade

Não adianta trabalhar só quando estiver com vontade: o ponto principal para ter um público fiel no YouTube é a contrapartida: ser fiel com seu público. Sem exceção, todos os canais de sucesso na plataforma possuem um cronograma de conteúdo, normalmente semanal.

De acordo com Manuela, “[os YouTubers] costumam falar qual vai ser a programação, isso é importante para os usuários saberem quando entrar nos canais. A Jout Jout, por exemplo, que acaba de estourar, publica vídeos uma vez por semana”.

Por mais que se publique conteúdo em outros canais, seja outras redes sociais como o Snapchat ou em programas televisivos, é importante não decepcionar neste cronograma do canal do YouTube: postar mais é permitido, postar menos, nunca. Então tome cuidado com a proposta que cria e não prometa mais do que vai conseguir cumprir. A YouTuber Flavia Calina, por exemplo, mantinha dois empregos junto com o canal: “comecei a ganhar dinheiro depois de um ano, mas era muito irrisório, tanto que mantive os outros 2 empregos que eu tinha ao mesmo tempo. Quando o canal chegou a uns 400 mil inscritos pude me dedicar a ele exclusivamente”.

Manuela acredita que a formação do público é uma “escadinha inconstante” metafórica. “Atingir 100 mil inscritos é muito mais difícil do que atingir os outros 100 mil depois e chegar a 200 mil. Cada degrau vai ficando mais difícil”. Mas o importante é se dedicar a eles: “[os YouTubers] fazem Meet & Greet, interagem e sempre respondem”.

Inovação no formato

Em comum, a maioria dos canais tem a busca pela fuga de canais tradicionais e do formato televisivo. “A internet e o YouTube têm essa proximidade com os fãs, e isso torna tudo muito real”, diz Manuela.

Na busca por um padrão, é notável uma “estética do erro”: em canais de culinária, por exemplo, pode ser uma escolha divertir o usuário mostrando que a receita nem sempre sai como o esperado, e que tudo bem: o canal Cozinha Para 2, por exemplo, aposta na máxima “se a gente consegue fazer, qualquer pessoa consegue”.

Já os canais de videogames, que têm feito muito sucesso ultimamente – dois dos 10 YouTubers mais bem pagos na lista da Forbes trabalham com isso – mostram um formato que provavelmente jamais seria visto na televisão, e com um nicho muito específico. “Eu acho que game é a onda do momento. Eles produzem muito conteúdo, tem canais que produzem de 3 a 4 vídeos por dia: acho que a maneira como eles criam facilita essa frequência”. O brasileiro Rezende Evil já ultrapassou quatro milhões de inscritos e a estimativa de ganhos do Social Blade é de US$5,8 milhões, muito pela frequência de suas postagens.

No Brasil, há uma forte tendência surgindo de canais infantis: o canal da Galinha Pintadinha, por exemplo, fica em segundo lugar na lista de pontuação do Social Blade. Manuela acredita que esse é outro formato que “nunca poderia ser visto na televisão”. Vemos “crianças abrindo brinquedos e isso tem uma audiência incrível. Você nunca viu em outro lugar”, ela diz.

Como monetizar seu canal

Assim que um canal do YouTube é criado, o dono dele pode escolher monetizá-lo. O usuário pode escolher que todos os vídeos possam exibir anúncios, ou só alguns. Também é possível permitir apenas alguns dos formatos, entre banners, anúncios que aparecem antes dos vídeos e as outras opções disponíveis.

Caso alguma marca específica não possa aparecer em um canal – por conta do patrocínio de outra, por exemplo – o YouTube permite que ela seja removida manualmente da lista de anunciantes. “Isso acontece muito em época de Olimpíadas e Copa do Mundo, ou outros grandes eventos, quando há muitas marcas anunciando para o mesmo target”, explica a gerente.

Todas essas opções são acessíveis nas configurações de contas, e os critérios de monetização do YouTube podem ser acessados neste link, e Manuela afirma que 55% dos ganhos do canal vai diretamente ao bolso do YouTuber.

Quanto à publicidade, não adianta aceitar tudo o que aparecer – quando aparecer. O público do YouTube se baseia muito em fidelidade e confiança, e tem diversas maneiras de se mostrar insatisfeito caso não aprove uma publicidade: “algumas pessoas reclamam de algumas ações e comentam nas redes sociais”, diz a YouTuber Flavia Calina. Mas o outro lado também é válido: “hoje, sempre que rola uma publicidade no Rolê Gourmet, o público comemora com a gente”, afirma Otávio.

Apoio do Google 

A boa notícia para os que querem crescer no YouTube é: o YouTube também quer que seu canal gere audiência (e, claro, receita). E para isso, ele vai tentar te ajudar com estúdios, workshops e ilhas de edição – basta você fazer um mínimo de sucesso para provar que merece.

Se você possuir ao menos 100 seguidores em seu canal, já pode tirar uma casquinha dos recursos do Google e usar as ilhas de edição que se encontram em algumas cidades específicas. Caso você seja um pouco mais popular – mais especificamente 2 mil seguidores – já pode se inscrever para participar de workshops e, com 2500, para utilizar os equipamentos de vídeo disponibilizados em estúdio.

Não tem nem os 100 seguidores? Neste link há dicas e cursos da plataforma Escola de Criadores que podem lhe ajudar a chegar lá.