País africano pode ser o primeiro a utilizar apenas pagamentos eletrônicos

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

30 de outubro de 2017 às 09:47 - Atualizado há 3 anos

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É difícil pensar que um país africano devastado por uma guerra civil pode ser o primeiro a abolir o dinheiro. Mas a desvalorização do shilling, moeda da Somalilândia, levou a população a realizar transações eletrônicas para pagarem praticamente todas suas compras. Isso acontece porque, para comprar um simples colar, por exemplo, são necessários um ou dois milhões de shillings. É muito dinheiro para ser carregado todos os dias não devido ao valor, mas pelo peso das notas.

A política, diretamente associada ao mercado financeiro no país, foi responsável pela desvalorização da moeda. Não há a presença de bancos no país, autodeclarado independente da Somália há 26 anos. A pobreza trazida pela seca na Somalilândia torna caixas eletrônicos inacessíveis pelo povo.

Para agilizar as transações e melhorar a vida dos cidadãos, duas empresas, Zaad e e-Dahab, criaram transações eletrônicas que funcionam mesmo com a ausência de internet. Seu funcionamento é simples: o dinheiro é depositado nas contas das empresas, que transformam a quantia em créditos para celulares. Cada vendedor possui um código exclusivo e, para efetuar o pagamento, os clientes digitam o valor e os números necessários. A operação é semelhante a inserção de créditos em celulares pré-pagos.

A simplicidade da tecnologia garante que até analfabetos a usem – é necessário apenas ter um celular, já difundidos no país. Com as transações eletrônicas, o passageiro não precisa carregar uma bolsa só com o dinheiro para pagar o ônibus, por exemplo. O motorista do ônibus não precisa nem pegar o dinheiro, que ficaria sem espaço para armazenar com a chegada de novos passageiros.

A ambulante Eman Anis vende ouro em um mercado no país e constata o crescimento na aceitação das transações eletrônicas: há dois anos, apenas 5% dos pagamentos eram feitos com celular. Hoje, os pagamentos eletrônicos ultrapassaram 40%.

A Somalilândia é o exemplo perfeito de como inovar não depende apenas de dinheiro. O dinheiro é uma peça importante, mas não é fundamental – é possível inovar com pouco capital. Essa é uma tendência crescente, na qual investimentos são utilizados apenas para acelerar um crescimento já existente.

Um porém das transações eletrônicas no pais é: os shillings são transformados em dólar, aumentando ainda mais a desvalorização da moeda no país e taxas de câmbio são pagas para as empresas. Esse é o preço pago pelos cidadãos.

A aceitação das transações eletrônicas demonstra que priorizam a acessibilidade e agilidade em suas vidas. O fato do país ser subdesenvolvido mas caminhar na direção da abolição do dinheiro físico mostra que eles se adaptaram a uma Nova Economia. A Nova Economia será discutida por Mauricio Benvenutti em um curso online da StartSe, confira.

(Via BBC)

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