O Model 3 da Tesla pode ser muito maior do que todos estamos imaginando

Model 3 pode ser um divisor de águas na produção de veículos elétricos para a Tesla

Avatar

Por Lucas Bicudo

25 de fevereiro de 2016 às 17:17 - Atualizado há 4 anos

O Model 3, da Tesla, será revelado ao mundo no mês que vem e estará disponível no mercado em 2017, com o modesto preço de US$ 35 mil. Quem traz a informação é o site TechInsider.

O que está em jogo por trás desse lançamento são as expectativas do CEO Elon Musk em produzir 500 mil veículos por ano a partir de 2020. Essa previsão só será possível se baseada na experiência que o Model 3 trará à marca no próximo ano.

Além de manter a qualidade ímpar que lhe é creditada no mercado de luxo, a empresa tem demonstrado uma habilidade única para atrair compradores dos mercados de baixo custo. Nós já vimos isso acontecer com o lançamento do Model S, que de uma certa maneira, “roubou” um considerável número de compradores do Toyota Prius, que até então era considerado a referência do setor de carros ambientalmente amigáveis (o Prius não é elétrico, apenas híbrido).

Em uma conferência em 2013, o antigo CFO da Tesla Deepak Ahuja notou que 10% dos compradores do Model S estavam migrando do Prius, o que faz sentido, visto que ambos concorrem no segmento de carros sustentáveis e se distanciam gigantescamente um do outro em termos de preços.

A Tesla pode repetir o feito e ir além com o Model 3, pois o preço estabelecido para o veículo elétrico não está sendo baseado somente na questão do luxo. Embora o Model S esteja caracterizado como um carro de luxo, por exemplo, ele não se compara a outros carros de preço similar como a Mercedes S-Class ou a BMW 7 Series. A carta na manga está em sua tecnologia, que pode unir-se com a elegância de um veículo Tesla de luxo e fazer história entre os compradores de carros a baixo custo.

Se eles forem capazes de operacionalizar essas pretensões da maneira correta, estamos falando de um lançamento que será muito maior do que todos imaginamos. O mercado que se abrirá para a Tesla, agradando tanto um lado, quanto o outro, permitirá que Elon Musk de fato produza seus 500 mil veículos por ano em 2020.

Outro fator que impulsiona o sucesso do novo modelo é que, diferentemente dos compradores do segmento de luxo (onde os carros estão custando por volta de US$ 70 mil e o poder aquisitivo é maior), as pessoas se preocupam em economizar dinheiro com combustível. Um carro elétrico, chancelado por uma líder em produção de veículos de luxo, à preço comum, não tem como dar errado.

Para se ter uma noção, optar por mecanismos elétricos fariam um comprador comum economizar aproximadamente US$ 4 mil de combustível em cinco anos, comparado à alguém que possui um carro que faz 20 milhas por galão – isso com o preço do combustível em baixa; se houver uma alta do petróleo, a economia desse comprador do Model 3 aumentaria mais ainda.

De repente, estamos falando de uma potencial competição da Tesla com Toyota Camry, Honda Accord e outros modelos de sedans líderes de vendas nos Estados Unidos.

Mas é claro que isso são apenas previsões e oportunidades que batem na porta da companhia para os próximos anos que entram. Como a Tesla irá abraçar essas oportunidades irá depender exclusiva e inevitavelmente de sua execução e competência. Estamos falando da chance de uma empresa segmentada e com um público fiel expandir seus horizontes sem comprometer o que lhe foi sempre característico.

No que diz respeito à execução, atingir uma produção nesse patamar é dar um salto gigantesco em termos de capital e coragem operacional requeridas. A Tesla nunca produziu nessa escala, mas o Model 3 já está sendo desenvolvido com a ideia de “fácil manufatura”. Os percalços no meio dessa execução são todos os tipos de add-nos que poderão ser acoplados ao veículo, aumentando seu preço substancialmente. A companhia, sem dúvidas alguma, precisará ainda percorrer um grande caminho para estabelecer um preço exato e fixo ao pacote completo do Model 3, além de lançá-lo dentro do tempo previsto.