“Não estamos prevendo o futuro, estamos construindo ele”, diz diretor da Hyperloop

Rodrigo Sá, Head of Global Business Development da Hyperloop, esteve no Silicon Valley Conference da StartSe neste sábado (29)

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

29 de setembro de 2018 às 13:36 - Atualizado há 1 ano

Você já imaginou qual será o transporte do futuro? Há quem diga que será o Hyperloop – um sistema ultrarrápido que transporta pessoas e cargas em cápsulas, impulsionado pela levitação magnética. A tecnologia permite que o transporte alcance até 1.223 km/h, velocidade próxima à do som, utilizando apenas energias renováveis, como eólica, solar e geotérmica.

Neste sábado (29), Rodrigo Sá, Head Of Global Business Development da Hyperloop esteve no Silicon Valley Conference realizado pela StartSe, contando um pouco mais sobre como acredita que será o futuro do transporte – para ele, o futuro já está acontecendo agora. “Nós não estamos pensando no passado, não estamos tentando prever o futuro, estamos construindo o futuro”, afirmou.

Sá conheceu a empresa quando estava no Vale do Silício e desejava abrir um fundo de investimentos focado em saúde. “Eu estava inquieto, não queria ser mais um. Eu queria mudar o mundo e fazer algo que valha a pena”, comentou. Quando ainda era adolescente, o executivo estudou para ser diplomata – e fez até um estágio na ONU, em Nova York -, mas voltou para o Brasil para continuar na faculdade.

Ele já havia construído três empresas em dois anos e morava no Chile quando decidiu que queria mudar novamente, buscando outros propósitos. No Vale do Silício, conheceu Bibop Gresta, o presidente do Hyperloop. “Quando ele me contou tudo o que estava fazendo, eu disse ‘esse trêm aí não vai funcionar não, é muito jetsons’. Depois de cinco meses conversando, ele conseguiu me convencer que daria certo e eu entrei no projeto”, explicou.

Mineiro de Campo Belo, faz sentido pensar que “o trem não daria certo” – mas o “trem”, na verdade não é um trem. O transporte não se encaixa em nenhuma das categorias existentes hoje e se diferencia desde às tecnologias utilizadas ao modelo de negócios.

O mindset do Hyperloop se diferencia das empresas convencionais, segundo o Rodrigo Sá, porque é uma empresa de transporte que coloca o usuário em primeiro lugar. “Quando vemos o que está acontecendo nos principais meios de transporte, quem está no centro é o transporte, não a pessoa. Pensemos no que acontece quando tiramos o transporte da Avenida Paulista, as pessoas ocupam o espaço [se referindo à Avenida Paulista fechada para veículos todo mundo]. O grande problema é que as cidades foram construídas para os carros, não para as pessoas”, afirmou.

Além de pensar nos usuários, o Hyperloop pode ser considerado uma grande aposta para o transporte do futuro porque é movido a energia renováveis e também é capaz de gerá-las através do movimento realizado e dos painéis solares implantados no topo das cápsulas. “No Canadá, um local que não é muito ensolarado, estimamos um incidente energético de 15.000 %. Em outros lugares com mais sol, de 40.000 e 45.000 %”, disse Sá.

O consumo de energia também é consideravelmente menor do que os trens e metrôs porque a levitação magnética realiza um trabalho – e tanto – para a movimentação das cápsulas. “Lembram do imã? Há o polo norte e sul, e, quando colocados de forma específica em cima de uma lâmina de metal e há movimento, ele cria uma indução e levita para cima. Não precisamos fazer nada, é só empurrar que ele vai”, explica Rodrigo Sá.

Para o head de negócios globais da empresa, essa é uma ideia disruptiva por ser sustentável, mas a ideia não é uma novidade. “O protótipo do metrô de Nova York foi um protótipo do Hyperloop”, afirmou.

O modelo de negócios global da Hyperloop

O desenvolvimento de tecnologias e aplicações da Hyperloop também é algo que destaca a empresa de transporte, pois é baseado em colaboração. O Hyperloop possui apenas 50 pessoas contratadas em tempo integral, mas possui mais de 900 colaboradores no mundo inteiro que ganham ações da empresa à medida que colaboram. “Antes de receber qualquer investimento, nós já tínhamos 70 mil horas de trabalho”, comentou Sá. Hoje, a Hyperloop possui centros de inovação e pesquisa em Toulouse, na França, no Brasil, em Contagem – MG – inaugurado recentemente -, e abrirá um centro em Abu Dhabi.

“O que estamos propondo para o mundo é a forma como criamos negócios”, disse Rodrigo Sá. Uma das formas em que a startup já está realizando esse trabalho é através da realidade aumentada, para trazer a exibição de imagens de paisagens para as janelas do Hyperloop. A empresa já conversou inclusive com a Amazon e Best Buy, que desejam tornar possível que os usuários vejam produtos e façam compras na viagem, não que sobre muito tempo… A estimativa de uma viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro é de menos de 30 minutos.

“No Brasil, estamos analisando alguns terrenos. O que vocês acham de Campinas-São Paulo em 6 minutos? Ou São Paulo-Rio de Janeiro em 22 minutos? Gostaríamos de fazer conexão de aeroporto com portos. Aqui no Brasil, o nosso maior desafio são as regulamentações”, disse o diretor de negócios global da Hyperloop em sua palestra.

Devemos receber mais notícias sobre a construção do Hyperloop em breve: a estimativa é que um protótipo de 1,5 km fique pronto na França até 2019.

Foto: Eduardo Viana