Há um risco muito grande que pode quebrar a Petrobras (e não é o PT ou corrupção)

Da Redação

Por Da Redação

22 de agosto de 2016 às 13:12 - Atualizado há 4 anos

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A Petrobras é a empresa brasileira mais falada dos últimos anos, sem nenhuma dúvida. É a maior estatal do Brasil e está no alvo de uma grande investigação para “limpar” toda a corrupção que lá existe há décadas – a Lava Jato, que vem abalando as estruturas da República.

Só que a empresa enfrenta um adversário muito maior nos próximos anos. É a possibilidade de se ver envolta contra um problema que pode acontecer com qualquer empresa que fica parada no tempo: a irrelevância de sua tecnologia, substituída por outra mais alinhada com o seu tempo. A era do petróleo está acabando, até a Arábia Saudita está se preparando para isso –abrindo o capital da sua estatal na bolsa de valores, aumentando a produção e tentando faturar com isso enquanto ainda dá tempo.

Talvez parte do Brasil não tenha percebido, mas o fim da Era do Petróleo é horrível para uma companhia que, basicamente, só produz petróleo. A maioria (71%) do petróleo extraído no mundo é refinado para se transformar em gasolina ou diesel para abastecer carros e caminhões. Há uma infinidade de outros produtos, mas o grande uso do petróleo ainda é basicamente para movimentar automóveis.

Isso vai passar. O futuro dos carros (e caminhões) é majoritariamente elétrico. E também majoritariamente autônomo e mais eficiente. Do ponto de vista da energia, espera-se que a grande maioria seja produzida através de fontes sustentáveis, como energia solar e eólica. E nem precisa aumentar tanto assim a capacidade de produzir para atender a essa frota: estima-se que a maioria do carregamento de baterias ocorra durante a noite, quando a demanda está mais baixa do que o horário comercial – e pode usar alguma capacidade ociosa do que já está instalado e produzindo energia.

Não quer dizer que os próximos anos serão difíceis para a Petrobras. Carros e caminhões elétricos ainda estão muito no começo de suas eras de adoção, e ninguém ainda conseguiu fazer uma bateria capaz de alimentar um avião. Não é nem um pouco simples trocar toda a matriz de produção das montadoras, mas praticamente todas estão estudando a fabricação de carros elétricos e autônomos.

A demanda do petróleo ainda será a mais alta da história nos próximos anos, mais alimentada pelo desenvolvimento econômico dos países emergentes. Essa talvez seja uma janela de oportunidade ímpar para o governo brasileiro lucrar com a Petrobras: sanear, organizar e privatizar. E depois disso, pensar em um mundo mais verde, ter mais cuidado com as futuras gerações.

Não estou nem falando da evolução de novas formas de energia como o gás do xisto, que jogam o preço do petróleo para baixo. Aliás, é sabido que o óleo brasileiro tem um custo de extração elevadíssimo (principalmente o pré-sal) e é de qualidade inferior. Mas isso realmente não importa na discussão.

Pode demorar 20, 30, 40 anos para que passamos do motor a combustão para uma sociedade de carros totalmente elétricos. Mas as chances hoje são maiores para que isso aconteça que o contrário: estamos vendo uma tecnologia morrer para nascimento de outra, melhor, mais eficiente e mais limpa para o planeta.

Uma geração que não é dona de carros

Só que essa não é a única mudança que vai entrar no caminho da Petrobras, pois para o azar das grandes empresas de petróleo, a geração Y é muito menos interessada em ter um carro do que as gerações anteriores…

Esse fetiche de ter um carro era muito comum nas gerações anteriores, para as quais o carro era um grande símbolo de sucesso e fartura material. A geração Y geralmente não compartilha esse sentimento, e, embora muitos tenham interesse em ter carros, tem muita gente mais preocupada em usar transporte público e diminuir a emissão de poluentes. E isso é interessante, pois ela é radicalmente contra o uso de combustíveis fosseis desnecessariamente – preferindo alternativas mais verdes.

Startups estão mudando o mundo!!

O futuro será moldado por essa geração. E a tendência é que a propriedade de carros seja cada vez menor por conta disso. Startups de compartilhamento já mostram essa tendência: a Uber diminui a necessidade pelo uso de carros de muitas pessoas, tirando automóveis da rua e promovendo o compartilhamento.

Tudo isso faz com que os automóveis existentes deixem de ser objetos subutilizados (se você não trabalha, usa teu automóvel apenas algumas horinhas por dia e somente para transportar uma pessoa). Agora, os carros tendem a carregar mais pessoas e por mais tempos. E isso é bom para todo mundo.

Essa mudança de mentalidade também resolve um outro problema: bateria dos carros. Abastecer um carro com combustível fóssil é algo extremamente fácil, que dura apenas alguns minutos. Carregar a bateria elétrica de um carro demora horas e mesmo nas estações de carregamento rápido isso se torna uma atividade chata demais para ser realizada. É uma desvantagem que inviabiliza as baterias elétricas e que a indústria tem se esforçado bastante para reduzir.

Se os carros passam a ser vistos como um meio de transporte passageiro que você chama pelo celular e, possivelmente, nunca mais vê aquele modelo específico novamente, então você provavelmente nunca terá que passar pelo ritual de carregar um carro elétrico. A desvantagem desaparece e a era do petróleo perde mais um diferencial.

Além disso, abre-se a possibilidade de que os carros sejam carregados enquanto eles se dirigem, por energia cinética, solar e até mesmo que a via carregue o carro conforme ele vá andando. A mudança do asfalto para rodovias de plástico na Holanda pode até mesmo ajudar que isso se torne realidade mais rápido que você imagina.

E isso vale para o futuro dos caminhões também, que vão tender a ficar 24 horas rodando na estrada, aumentando a eficiência. É o que já fazem 4 caminhões da Otto, recentemente comprada pela Uber, por US$ 680 milhões. A ideia é ter uma frota de caminhões rodando o tempo todo. Esse é um grande benefício, pois diminuiria o valor do frete radicalmente por tirar o caminhoneiro da boleia e triplicar o período em que cada caminhão pode rodar na rua. Ganhos enormes para toda a cadeia da economia.

Fator Elon Musk e a Tesla

Essa é mais uma prova de que algumas startups estão mudando o mundo. Não apenas o Uber, mas uma série de empresas está trabalhando com a possibilidade de carros compartilhados em um futuro próximo e majoritariamente elétricos. É o que planeja a Tesla, talvez a empresa que tenha feito as companhias de automóveis mais temer.

O plano de longo prazo da Tesla é extremamente ambicioso e envolve mudar toda a forma que a humanidade se transporta, para um mundo ambientalmente mais sustentável. Por conta disso, Elon Musk, seu CEO, pretende transformar a companhia em uma empresa que não apenas produz os carros e caminhões de amanhã, mas que também cria a infraestrutura para que eles possam andar livremente e que as outras companhias tenham a tecnologia para desenvolver seus próprios modeles de carro elétrico.

É um trabalho muito mais ideológico. No começo de sua história, próxima dos anos 2000, a Tesla teve um trabalho ingrato: mostrar que carros elétricos também podem ser “sexy”. Naquela época, a visão do carro elétrico era de um automóvel chato para a família, muito associada ao híbrido Toyota Prius. A Tesla resolveu, então, criar um esportivo 100% elétrico. Que fosse de 0 a 100 em poucos segundos, tivesse um design bacana e que chamasse a atenção onde quer que ele fosse.

O plano funcionou, a Tesla se estabeleceu e hoje já conta com uma série de carros – todos eles muito bem avaliados. A companhia se tornou tão relevante que ela vale três vezes mais do que companhias centenárias que fabricam 100 vezes mais carros que ela. Todo esse valor é justificado através da expectativa dos investidores para que ela, de fato, mude o mundo – e ganhe muito dinheiro fazendo isso.

Além disso, a companhia abriu todas as suas patentes – permitindo que rivais cortem anos de pesquisa e tenham carros elétricos em muito menos tempo, o que acaba facilitando a popularização dos carros elétricos. No total, já são 19 companhias pesquisando carros elétricos e autônomos atualmente. E para ajudar, a Tesla ainda quer permitir que seus carros sejam 100% autônomos e possam ser divididos entre várias pessoas. É para matar a indústria de petróleo mesmo.

O impacto é tão grande, que montadoras já começam a fazer planos de contingência para seus futuros que permitam viver em uma era de automóveis elétricos. O presidente da Ford disse que as montadoras e seus planos de negócios, estavam sendo ameaçadas e resolveu que a companhia deveria deixar de ser uma montadora, se tornando uma “companhia de mobilidade”. Ela vem financiando startups para conseguir acesso a tecnologias que a ajudem a se manter na frente nessa competição.

Mais longe ainda foi a GM, que investiu US$ 500 milhões no maior rival da Uber, a Lyft. A companhia até mesmo tentou comprar a companhia por US$ 8 bilhões, mas ainda não fechou um acordo. A ideia é fazer um aplicativo que chame os carros da GM para transportar os passageiros, adaptando-se, assim, à era em que os usuários não terão a propriedade direta de seus carros. E para isso, a companhia está próxima de lançar um modelo popular 100% elétrico, o Bolt. Prova de que os tempos estão mudando.

Governo deveria pensar em inovação, energias limpas e deixar um legado verde

Talvez uma das incoerências maiores do governo brasileiro nos últimos anos tenha sido falar o quanto quer ser “eco-friendly” e priorizar o uso de combustíveis fósseis acima das outras. Por exemplo, o subsídio ao preço da gasolina nas altas do preço do petróleo, quando a Petrobras tinha que importar o combustível mais caro do que vendia aqui dentro. Isso fez a companhia ter elevados prejuízos, além de ser um desastre para a indústria do Etanol (que é um combustível muito mais limpo que a gasolina) nacional.

Além disso, o governo teve que recorrer ao uso das térmicas para conseguir garantir. Poderia ter ajudado na popularização de painéis solares, uma forma fácil de gerar energia e muito boa para um país com a incidência solar que o Brasil tem. Imagine quanta energia poderia ser gerada no nordeste, levando um progresso nunca antes visto na história deste país para aquela região que ainda é tão carente de desenvolvimento econômico (embora tenha se desenvolvido bastante nos últimos anos). Poderia ter sido game-changer.

Eu vejo uma solução para isso, que nem a esquerda pode reclamar (já que ela abraça a causa do meio ambiente). Privatizem a Petrobras. Consigam alguns bilhões com isso e a deixe nas mãos da iniciativa privada. Os escândalos de corrupção não vão incomodar tanto assim nem se continuarem existindo e provavelmente a empresa verá sua produtividade crescer de maneira absurda, como ocorreu com a antiga Vale do Rio Doce.

Esqueçam o combustível fóssil. Taxe a gasolina cada vez mais, mas deixe o etanol sem impostos. Faça que ser amigo do meio-ambiente seja melhor para o bolso de cada cidadão brasileiro.

E principalmente: pegue os bilhões da privatização da Petrobras e invistam em novas tecnologias mais sustentáveis. Torne o Brasil um país referência em sustentabilidade, potencial que sempre tivemos, principalmente por conta da Amazônia.

Use o dinheiro obtido com a Petrobras para atrair fábricas de carros elétricos e teste as novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas. Faça-os acessíveis ao bolso do brasileiro. O Brasil pode muito em termos ambientais e pode ser um país extremamente moderno. Não vamos mais nos importar de tirar combustíveis fósseis de debaixo da terra.

Não é o pré-sal que vai transformar esse país em uma potência e permitir que os brasileiros tenham qualidade de vida elevada – não dá para um país do nosso tamanho acreditar que um fato específico vai mudar o destino de todos nós. É só com trabalho, ética e respeito ao próximo que o Brasil vai atingir o posto de economia desenvolvida.

E nesse meio tempo, vamos ser verdes e cuidar mais do planeta para que as próximas gerações tenham uma qualidade de vida superior à que temos. Se isso envolve se desfazer da Petrobras e deixa-la de ver como um investimento estratégico nacional, que assim seja.

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