FMI alerta para o fim dos Bancos

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Por Guilherme Horn

19 de outubro de 2017 às 16:24 - Atualizado há 3 anos

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Na semana passada, a Diretora Geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, deu uma declaração surpreendente sobre o impacto que as criptomoedas poderão ter na economia nos próximos anos. Segundo Lagarde, Bitcoin e as criptomoedas em geral têm tanto futuro quanto a própria Internet. E poderão substituir Bancos Centrais e a atividade bancária como a conhecemos hoje, além de desafiar o monopólio das moedas nacionais.

Numa conferência organizada pelo Bank of England, a número 1 do FMI ressaltou que as limitações técnicas que as criptomoedas enfrentam hoje em breve serão coisa do passado. Usando o conceito de Tecnologias Exponenciais da Singularity University, eu diria que as criptomoedas estão na fase da Decepção, que é anterior ao ponto de inflexão da curva de adoção pelos usuários. Neste estágio, a tecnologia costuma enfrentar várias dificuldades, que tornam o seu uso limitante. Assim, as pessoas que a experimentam tendem a considerá-la tão ruim, que pensam ser incapaz de substituir o sistema atual. Não se dão conta, entretanto, de que sua evolução se dá de forma exponencial e não de forma linear, como estamos acostumados a pensar. Assim, em poucos meses, ela terá evoluído o que nossas mentes comumente projetariam para décadas. Assim foi com o celular, o smartphone, a energia solar, e está sendo com o carro autônomo e inúmeras outras tecnologias.

Lagarde, em sua palestra, lembrou que há não muito tempo atrás especialistas afirmavam que computadores pessoais nunca seriam adotados pelo grande público e os tablets serviriam como caras bandejas de cafés. Ela alertou para que não se faça o mesmo julgamento com as moedas virtuais.

Ela enxerga que as criptomoedas hoje não são vistas como uma ameaça real para a indústria financeira por enfrentarem quatro grandes desafios: (a) são muito voláteis; (b) são intensivas em energia; (c) as tecnologias subjacentes não são escaláveis; e (d) não são ainda totalmente transparentes para os reguladores. Mas todas estas limitações serão superadas com o tempo, segundo ela.

No longo prazo, Lagarde acredita que as criptomoedas vão mostrar o seu valor, com base em três grandes argumentos:

1. Melhor valor para o dinheiro

Para economias fracas, com moedas instáveis, uma criptomoedas será muito mais indicada do que o dólar americano, por exemplo. A experiência do FMI mostra que há um ponto de inflexão além do qual a adoção de uma nova moeda é exponencial. Nas Seychelles, por exemplo, a dolarização saltou de 20% em 2006 para 60% em 2008. Além disso, a moeda virtual será muito mais segura e prática do que o papel moeda, especialmente em regiões remotas. Cestas de moedas poderão ajudar a trazer estabilidade e reduzir a volatilidade. E regras de emissão poderão levar em conta indicadores macroeconômicos, permitindo a monitoração dos algoritmos que funcionarão como decisões de política monetária.

2. Melhores serviços de pagamento

Lagarde ressalta aqui a crescente demanda por serviços mais eficientes de pagamento em locais onde a economia de serviços compartilhada e descentralizada é cada vez mais relevante. Este novo sistema exige transações ponto a ponto, em pagamentos frequentes e de pequeno valor. E muitas vezes entre diferentes países. Ela deu exemplos: quatro dólares para dicas de jardinagem de uma senhora na Nova Zelândia, três euros para uma tradução especializada de um poema japonês e 80 pence para uma renderização virtual da histórica Fleet Street: esses pagamentos podem ser feitos com cartões de crédito e outras formas de dinheiro eletrônico. Mas as taxas são relativamente elevadas para transações de pequeno valor, especialmente através das fronteiras.

3. Novos modelos de intermediação financeira

A economista alerta aqui para uma possível fragmentação dos serviços bancários. Poderemos manter saldos mínimos para os pagamentos que serão feitos com as carteiras virtuais. E os saldos poderão ser investidos em plataformas de crédito peer-to-peer, que utilizem big data e inteligência artificial para avaliar o risco de crédito. Em suas palavras: “este é um mundo de produtos com ciclos de desenvolvimento de seis meses, com atualizações constantes, com interfaces simples e alta segurança. Um mundo onde reinam os dados. Um mundo repleto de muitos novos participantes, sem agências ou escritórios físicos.”

Na verdade, nada do que Lagarde falou é novidade para quem acompanha este mercado. A novidade é vir com tanta clareza da Diretora Geral do FMI, uma instituição conservadora, que mede minuciosamente o impacto que cada declaração pode ter no mercado. Para quem está neste dia-a-dia, esta é uma sinalização importante de como os principais players deste mercado já estão sentindo a avalanche que se aproxima.

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