Eleições 2018: plano de governo de Bolsonaro defende empreendedorismo

A StartSe analisou o plano de governo de Jair Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil pelo PSL, para descobrir suas propostas sobre tecnologia, inovação e empreendedorismo

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Por Da Redação

20 de setembro de 2018 às 19:22 - Atualizado há 1 ano

A StartSe iniciou uma série de análises sobre os planos de governo dos principais candidatos à presidência do Brasil. O objetivo é de conhecer suas propostas sobre tecnologia, inovação e empreendedorismo, temais centrais para o desenvolvimento de nosso País. Após o candidato Guilherme Boulos (PSOL) ser analisado, agora é a vez de Jair Bolsonaro (PSL).

Nas próximas semanas, teremos matérias sobre as propostas de Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (REDE), Fernando Haddad (PT), Henrique Meirelles (MDB), João Amôedo (NOVO) e Álvaro Dias (PODEMOS). Todos esses presidenciáveis foram convidados a darem entrevistas em vídeo, mas apenas João Amôedo (NOVO) aceitou o convite até agora – os outros declinaram por incompatibilidade de agenda.

É importante ressaltar que essas são as propostas do candidato do PSL à Presidência do Brasil, Jair Bolsonaro, sobre tecnologia, inovação e empreendedorismo expressas em seu plano de governo. Todas as suas propostas sobre outras questões estão fora do escopo deste texto. Também é importante ressaltar que essas ideias podem não formar uma previsão de como seria seu governo e estão suscetíveis a quaisquer mudanças. Leia o plano de governo completo de Bolsonaro aqui.

Jair Bolsonaro, 63 anos, é militar da reserva e deputado federal pelo Rio de Janeiro. O candidato oficializou sua candidatura à Presidência pelo PSL no dia 22 de julho deste ano, em uma convenção do partido. O plano de governo do candidato, chamado de “O caminho da prosperidade”, possui 81 páginas, reunidas em formato de slides.

O incentivo à inovação através de universidades

No que diz respeito à inovação, empreendedorismo e tecnologia, o plano de governo de Jair Bolsonaro expressa claramente o desejo de “criar um ambiente favorável ao empreendedorismo no Brasil”. A intenção é de valorizar os “talentos nacionais” e atrai-los do exterior para fomentar novas tecnologias, emprego e renda no País – hoje, dada as condições atuais, o contrário acaba acontecendo.

Entre as iniciativas, o documento descreve a necessidade de universidades estimularem e ensinarem, em todos os cursos, o empreendedorismo. “O jovem precisa sair da faculdade pensando em como transformar o conhecimento obtido em enfermagem, engenharia, nutrição, odontologia, agronomia, etc, em produtos, negócios, riquezas e oportunidades”, diz o plano de governo.

O candidato afirma, no documento, que as universidades precisam gerar avanços técnicos para o Brasil, “buscando formas de elevar a produtividade, a riqueza e o bem-estar da população”. Novamente, o Bolsonaro defende à integração da academia com a iniciativa privada, com o objetivo de desenvolver novos produtos e pesquisas. “Enfim, trazer mais ideias que mudaram países como Japão e Coreia do Sul”, descreve o plano de governo, sem citar quais são as ideias.

O documento defende que o modelo atual de pesquisa e desenvolvimento no país está totalmente esgotado, utilizando exemplos de “estratégias descentralizadas” de pesquisa de outros países, como Estados Unidos, Israel, Taiwan, Coréia do Sul e Japão. A intenção é de que a pesquisa deixe de depender de recursos públicos e se alie à iniciativa privada, possibilitando a criação de hubs tecnológicos.

Segundo o plano de governo, os hubs tecnológicos são locais onde pesquisadores e cientistas de universidades locais são estimulados a buscar parcerias com empresas privadas, com o objetivo de transformar ideias em produtos. “Isso gera riqueza, bem-estar e desenvolvimento para todos”, diz o documento, afirmando que o candidato à presidência pôde contestar isso pessoalmente porque “em todos os países visitados há tais centros”.

O candidato à Presidência pelo PSL incentiva que cada região do Brasil “busque suas vantagens comparativas” – no caso do Nordeste, defende que a região desenvolva fontes de energia renováveis, como solar e eólica, trazendo o exemplo de que países da Ásia têm investido nessa tecnologia.

Para a região, Bolsonaro prega que o Nordeste pode se tornar uma “base de uma nova matriz energética limpa, renovável e democrática”. O candidato defende não apenas a produção de energia, mas a instalação e manutenção de painéis fotovoltaicos e parceria com as universidades locais para desenvolvimento. Na agricultura, além de defender uma nova estrutura federal agropecuária, o candidato acredita que o setor deve ter a inovação tecnológica como uma atribuição. Além disso, Bolsonaro sugere trazer o conhecimento de Israel no setor para o país.

Ainda com exemplos de outros países, Bolsonaro se inspira no Japão para o desenvolvimento e utilização do grafeno – uma das formas cristalinas do carbono. “Durante sua visita ao Japão, Jair Bolsonaro conheceu a utilização do grafeno, por exemplo, no desenvolvimento de um submarino nuclear”, diz o documento. O candidato defende que o Brasil se torne um centro mundial de pesquisa e desenvolvimento em grafeno e nióbio, para gerar novas aplicações e produtos.

O auxílio da tecnologia

Jair Bolsonaro deseja implantar a tecnologia em setores como a segurança e saúde. Na segurança pública, o candidato deseja “investir fortemente em equipamentos, tecnologia, inteligência e capacidade investigativa das forças policiais”, mas não cita especificamente em quais tecnologias deseja investir. “Diante das crises, nossos combatentes precisam de equipamentos modernos, não somente de veículos e armas”, diz o documento.

O plano de governo também se atenta às “ameaças digitais”, informando que elas já estão presentes, sem citar exemplos. “Nossas Forças Armadas precisam estar preparadas, através de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, com a participação das instituições militares no cenário de combate a todos os tipos de violência”, afirma o documento. Isso abre caminho para a criação de uma área de pesquisa e desenvolvimento militar, como muitos exércitos estão fazendo ao redor do mundo.

Já no setor de saúde, o candidato acredita que o Prontuário Eletrônico Nacional “será o pilar de uma saúde na base informatizada e perto de casa”. Bolsonaro defende que os postos, ambulatórios e hospitais informatizem todos os dados de atendimento, registrando o grau de satisfação do paciente ou de seu responsável. A justificativa é que o cadastro do paciente reduzirá custos ao facilitar os atendimentos futuros realizados por outros médicos, postos ou hospitais.

Na educação, Bolsonaro defende o uso da tecnologia para promover a educação à distância. “Deveria ser vista como um importante instrumento e não vetada de forma dogmática”, descreve o plano de governo, considerando-a uma alternativa para as áreas rurais “onde as grandes distâncias dificultam ou impedem aulas presenciais”.

Abertura de mercado para maior crescimento tecnológico

O documento defende que “a dinamização do comércio internacional” terá um efeito positivo no setor tecnológico do Brasil, “aumentando sua produtividade e incrementando seu crescimento econômico de longo prazo”. Dessa forma, o candidato à Presidência defende a facilitação do comércio internacional como uma maneira de promover o crescimento econômico de longo prazo.

“A evidência empírica é robusta: países mais abertos são também mais ricos. O Brasil é um dos países menos abertos ao comércio internacional, a consequência direta disso é nossa dificuldade em competirmos em segmentos de alta tecnologia”, descreve o plano de governo. Bolsonaro também defende uma iniciativa consequente desta: o fomento do comércio exterior com países que possam trazer valor econômico e tecnológico ao Brasil.

Fomento à Nova Economia

O plano de governo de Jair Bolsonaro reconhece as mudanças trazidas pela Nova Economia, afirmando que as novas tecnologias e demandas da sociedade “exigem uma profunda transformação das empresas e das relações de trabalho”.

O documento justifica a necessidade de implementar medidas que acelerem a modernização, como estímulos à inovação e ao investimento em novas tecnologias “por meio de políticas ‘do lado da oferta’”, como a abertura de mercado “imediata” aos equipamentos necessários para implantação da indústria 4.0. O plano de governo não cita quais são os equipamentos necessários.

O candidato também aponta, por meio do documento, a necessidade de requalificação dos trabalhadores para atender as demandas da Nova Economia “e tecnologias de ponta (4ª revolução industrial)”. Entre as inovações citadas, Jair Bolsonaro defende o apoio a startups e scale-ups – startups que já passaram pelas fases iniciais, validaram o produto e estão em crescimento exponencial – em parceria com instituições privadas.

Ainda no setor de empreendedorismo, o candidato sugere a simplificação de abertura e fechamento de empresas, um ponto central para a estimulação da economia – ponto que ele levou em todos os debates antes do atentado contra ele. “Será criado o Balcão Único, que centralizará todos os procedimentos para a abertura e fechamento de empresas”, diz o documento. De acordo com a proposta, os entes federativos teriam até 30 dias para dar um retorno sobre os documentos, e, se não respondessem no prazo, a empresa teria a liberdade automática de iniciar ou encerrar suas atividades.