“Meu objetivo é desenvolver o primeiro coração bioartificial até 2030”

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Por Isabella Câmara

10 de março de 2018 às 17:14 - Atualizado há 3 anos

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O primeiro transplante de órgão foi realizado em 1933 por um médico ucraniano para tratar uma insuficiência renal aguda. Mesmo com as inovações da área, os médicos ainda lidam com os mesmos problemas quando o assunto é transplante – segundo Gabriel Liguori, o número limitado de doadores e a rejeição após a cirurgia são as implicações mais frequentes.

Gabriel Liguori, médico formado pela USP que desenvolve pesquisas na área de medicina regenerativa no InCor-HCFMUSP, esteve no HealthTech Conference e falou sobre órgãos artificiais. “Sim, teremos órgãos artificiais no futuro”, afirma Gabriel quando questionado sobre o tema.

Mas não é tão simples assim. De acordo com Liguori, a bioimpressão requer equipamentos e biomateriais que permitam imprimir as células-tronco adequadas – células capazes de sobreviver, crescer, diferenciar-se e se comportar de forma pré-determinada. Além disso, segundo ele, é necessário melhorar a resolução e velocidade das bioimpressoras. “Tudo deve estar combinado para funcionar corretamente”, diz ele.

Além de questões técnicas, a impressão de órgãos artificiais depende da complexidade do mesmo. “Tecidos e órgãos complexos requerem soluções complexas. Um órgão complexo tem vários tipos de células, o tecido é organizado em 3D e a vascularização é muito grande, então a impressão será muito complexa também”, diz ele.

Atualmente, a tecnologia ainda está em fase de experimentação. “Estamos trabalhando com ela em laboratório para entender quais são os desafios em construir diferentes tecidos. Mas conforme as pesquisas forem avançando, a tecnologia permitirá a criação de órgãos e tecidos para uso clínico. Inicialmente, tecidos mais simples, e futuramente tecidos complexos”, diz.

Apesar dos avanços, de acordo com Gabriel, ainda há muitos desafios a serem solucionados nos próximos anos. “Precisamos definir o biomaterial e a biotinta ideal para a fabricação de órgãos e tecidos, entender quais tipos de células-tronco podem ser utilizadas com segurança e eficiência, criar tecidos especializados e complexos, e garantir a microvascularização dos tecidos”, afirma.

Segundo Liguori, os tecidos mais simples chegarão ao mercado em menos de 10 anos. Já os órgãos inteiros, por sua vez, ainda exigirão muita pesquisa antes de estarem até mesmo disponíveis em laboratório. Seu objetivo, por exemplo, é desenvolver o primeiro coração bioartificial da América Latina e, segundo ele, até mesmo do mundo até 2030.