Como três bancos pequenos viraram fintechs para competir com grandes

Avatar

Por Mariana Rodrigues

21 de junho de 2017 às 17:25 - Atualizado há 3 anos

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

Os pequenos bancos perceberam que têm na conta digital a oportunidade de ultrapassar as barreiras como custos de agências e distância física dos clientes para atrair uma nova parcela de consumidores antes inatingível, por meio da tecnologia.

Juntas, as contas digitais do Inter, Neon e Original já têm quase 400 mil clientes em suas carteiras. Os três vieram de bancos menores e dois deles nem ofereciam conta digital no começo de 2016.

Já para os grandes bancos, criar as contas digitais sem cobrar por elas acabou saindo caro. Desde que o Banco Central permitiu aos bancos oferecerem atendimento apenas digital, em 2011, o Itaú, o Banco do Brasil e o Bradesco já lançaram e já suspenderam seus modelos de contas digitais gratuitas. Dois deles relançaram: o Bradesco, que agora cobra pelo serviço, e o BB, que reformulou o modelo.

Por que a conta grátis saiu cara para os grandes bancos

No momento em que contas digitais foram autorizadas esse pareceu um grande negócio aos grandes bancos. Porém, pela estrutura que eles mantêm, com agências e caixas eletrônicos próprios, o serviço digital e gratuito parece não se sustentar. Tanto que atualmente apenas o Banco do Brasil ainda oferece uma conta digital gratuita, em versão mais limitada. O Itaú encerrou a oferta de conta digital este ano. O Bradesco descontinuou a conta gratuita e lançou recentemente uma versão para sua conta digital, o Next, que é pago.

O BB é procurado por mais de 3,6 milhões de consumidores anualmente para abrir contas correntes. Sua estratégia foi migrar mais de 50% desse contingente para contas digitais, ou seja, ter 1,8 milhões de correntistas digitais, até o final de 2017.

De acordo com uma pesquisa da Febraban de Tecnologia Bancária, divulgada em maio, uma em cada três operações bancárias já são feitas por smartphone ou tablet, e ano a ano as operações realizadas pelos smartphones crescem geometricamente. Ou seja, com conta digital ou não, o correntista está se tornando cada vez mais digital. Nesse cenário, não seria uma vantagem para os bancos perderem seus próprios clientes para suas contas gratuitas.

A virada de chave veio com novas estratégias. O Banco do Brasil (BB) colocou limitações na conta digital gratuita, chamada Conta Fácil, em novembro de 2016. A movimentação máxima permitida é de R$ 5 mil, ou ela é bloqueada, e além da versão gratuita, o banco tem uma opção com taxa de R$ 9,90 mensais. Disputando o espaço com outros bancos pelos clientes que pagam mensalidade, estão também o Next – do Bradesco – e o Original – braço financeiro do grupo J&F.

Abaixo, as contas digitais disponíveis hoje no mercado brasileiro:

Inter (antigo Intermedium) Banco múltiplo com conta digital desde 2014. Tem 165 mil correntistas digitais. Prevê que terá 350 mil até o final de 2017 e espera ter atingido 1 milhão de clientes no final de 2018. Não cobra mensalidade.
Neon Lançado em julho de 2016 pela fusão entre a fintech Controly e o banco Pottencial. O Neon tem hoje mais de 130 mil usuários. Recebeu R$ 14 milhões em investimento de investidores-anjo e do banco Pottencial.
Conta Fácil (Banco do Brasil) Lançada em novembro de 2016. Tem uma opção gratuita e uma paga de R$ 9,90.
Original (J&F) A conta digital do banco foi lançada em março de 2016 e tem mais de 100 mil clientes. Entre dezembro de 2016 e maio de 2017, sua carteira de clientes cresceu cerca de 70%. Oferece pacotes de R$ 9,90, R$ 24,90 e R$ 29,90.
Next (Bradesco) Lançado em junho de 2017 pelo Bradesco. As contas digitais têm mensalidade entre R$ 19,95 e R$ 39,95.

Bancos menores tomam a conta gratuita como oportunidade de crescimento

Enquanto os grandes bancos abriram caminho para os clientes conhecerem as contas digitais gratuitas e depois pularam fora do barco, a tecnologia forneceu a base para a abertura de novos horizontes aos bancos tradicionais menores como o Intermedium (hoje Inter) e o Pottencial (que se uniu com a fintech Controly e se tornou o Neon). Eles oferecem também outros serviços aos clientes que abrem uma conta gratuita: “Estamos trazendo para o cliente uma cesta grande de produtos como investimento e crédito”, explica Alexandre Riccio de Oliveira, diretor executivo do Banco Inter.

O Inter é um exemplo de como a conta digital pode ser uma boa estratégia para captar clientes. A instituição começou a operar como banco de investimentos há mais de 20 anos, passou a ser banco múltiplo e abriu uma conta digital gratuita em 2014. Atualmente a conta digital é o produto mais conhecido da empresa.

O Inter não cobra taxas pela conta, e, de acordo com o diretor executivo, procura criar um produto para todos. “Hoje não tem nada mais democrático do que o smartphone” segundo Alexandre Riccio.

Alexandre explica que o banco não depende de tarifa mensal pelos serviços pois tem custos menores em relação aos bancos tradicionais e por ser mais eficiente. Então a conta gratuita serve como entrada para os outros serviços do banco. “Ninguém paga para entrar no supermercado, a remuneração é feita pelo consumo dos produtos”.

A explicação é a mesma para o Neon, que também não cobra mensalidade. “Hoje na cadeia de emissão de cartão existe uma taxa da maquininha que o lojista paga. Essa taxa é dividida entre o dono da maquininha – como a Elo; as bandeiras – Visa e Master; e os emissores, no caso, o banco, essa é uma das nossas fontes” explicou Alexandre Alvares, CMO do Neon. “A gente não quer explorar o usuário, criamos um produto que em conjunto gere um negócio sustentável” concluiu. O banco também está na área de investimentos, com o recém lançado CDB (que é calculado em 90% do CDI).

Vamos considerar então os dados da Febraban, de que enquanto o número de transações realizadas pelos computadores recua gradualmente, ano a ano, as operações realizadas pelos smartphones crescem geometricamente. As transferências realizadas por mobile passaram de 269 milhões, em 2015, para 516 milhões em 2016 (elevação de 91,8%). Mas as transações em mobile representaram apenas 34% do total em 2016, então podemos considerar que ainda há espaço para o crescimento nesse mercado. E é nesse espaço que bancos pequenos agora disputam com os grandes.

Saiba como fazer parte desse ecossistema

Para fazer parte do ecossistema global de fintechs, você pode cadastrar sua startup na MEDICI e na StartSe Base.

A MEDICI é uma base de dados que conta hoje com 7.000 empresas de todo o mundo. Ela pertence à Let’s Talk Payments (LTP), empresa global de conteúdo e pesquisas sobre fintechs.

A StartSe Base é a maior base de dados de startups do Brasil, com mais de 5.000 empresas cadastradas.

Sobre a Let’s Talk Payments (LTP)

A LTP é a principal plataforma de conteúdo e pesquisas sobre fintechs no mundo. Mais de 400 instituições financeiras e 90 programas de inovação recorrem à LTP para obter informações sobre as empresas que estão disruptindo o setor financeiro.

Mariana Rodrigues é colaboradora regular da LTP, focada no mercado de fintechs do Brasil. Ela é COO da SGC Conteúdo. Para acompanhar o conteúdo produzido pela LTP no Brasil e no mundo, cadastre-se na newsletter.

Faça parte do maior conector do ecossistema de startups brasileiro! Não deixe de entrar no grupo de discussão do StartSe no Facebook e de inscrever-se na nossa newsletter para receber o melhor de nosso conteúdo! E se você tem interesse em anunciar aqui no StartSe, baixe nosso mídia kit.