Como IA pode ser uma ferramenta excelente para a prevenção de suicídio

A tecnologia pode ajudar os provedores de cuidados de saúde, amigos e familiares a detectar tendências suicidas antes que sejam tarde demais

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Por Lucas Bicudo

16 de novembro de 2017 às 17:30 - Atualizado há 2 anos

Inteligência Artificial

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 800 mil pessoas se suicidam a cada ano. É um número relativamente consistente e não varia muito. A questão aqui é que Inteligência Artificial e Machine Learning podem talvez mudar esse cenário.

Pesquisadores da área tiveram um grande ano em 2017 nesse aspecto. Embora Inteligência Artificial nunca substitua a conexão emocional e apoie alguém em um momento de crise, ela pode ajudar os provedores de cuidados de saúde, amigos e familiares a detectar tendências suicidas antes que sejam tarde demais.

Na semana passada, pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon e da Universidade de Pittsburgh publicaram um artigo na Nature Human Today, descrevendo seu mais recente trabalho na área. A equipe criou um sistema de IA que foi capaz de identificar pacientes com pensamentos suicidas.

Foram examinados 34 jovens, divididos uniformemente entre participantes com tendências suicidas conhecidas e um grupo de controle. Eles guiaram cada assunto através de um exame de imagem de ressonância magnética funcional (fMRI), onde foram apresentadas três listas de 10 palavras. Os grupos de palavras incluíam “morte” e “angustiado”, efeitos potencialmente positivos como “despreocupados” e “gentileza” e efeitos potencialmente negativos como “aborrecimento” e “mal”.

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A equipe queria identificar cinco regiões cerebrais associadas com seis das palavras que foram capazes de distinguir os participantes suicidas do grupo de controle. Determinou-se que a atividade cerebral de participantes suicidas diferiu significativamente da atividade cerebral dos participantes no grupo de controle quando foram apresentadas palavras como “morte” ou “problema”.

Através de Machine Learning, a máquina foi capaz de identificar 15 dos 17 participantes suicidas e 16 dos 17 sujeitos de controle. Os pesquisadores conseguiram uma taxa de precisão ainda maior quando dividiram o grupo em nove participantes que tentaram suicídio e oito que não o fizeram. O resultado? Identificou 16 dos 17 participantes.

“Nosso último trabalho é único na medida em que identifica alterações de conceito que estão associadas à ideação e comportamento suicida, usando algoritmos de Machine Learning para avaliar a representação neural de conceitos específicos relacionados ao suicídio. Isso nos dá uma janela para o cérebro e a mente”, disse Marcel Just, Professor de Psicologia da CMU.

As descobertas deste estudo são impressionantes para os profissionais do espaço de psicologia, pois oferecem esperança para a detecção precoce de pensamentos suicidas em pacientes de risco. A tecnologia deve ser submetida a novos testes antes de poder ser aplicada em cuidados de saúde mental padrão, no entanto. O pesquisador principal da Universidade de Pittsburgh, David Brent, diz: “A necessidade mais imediata é aplicar essas descobertas a uma amostra muito maior e depois usá-la para prever futuras tentativas de suicídio”.

Isso em âmbito acadêmico, mas como as empresas de tecnologia estão reagindo diante dessa situação?

No começo do ano, o Facebook começou a aplicar tecnologia de reconhecimento de padrões para identificar e sinalizar quando uma postagem “contenha pensamentos de suicídio”. O aplicativo Messenger também recebeu uma atualização que facilita que pessoas entrem em contato com profissionais para obter ajuda.

O AI Buddy Project é outro que está fazendo um trabalho bacana. O produto fornece a filhos de militares (que estão em uma zona de risco maior ao suicídio) um desenho animado com o qual eles podem interagir em suas plataformas digitais preferidas. O companheiro digital monitora o comportamento da criança e envia relatórios de progresso ao tutor principal com base nas palavras usadas em suas conversas. A máquina é treinada para buscar linguagem que possa ser indicativa de sentimentos e pensamentos suicidas. Isso permite aos cuidadores monitorarem de forma mais efetiva a saúde mental e o bem-estar dessas crianças de risco.

Bark.us é uma empresa que usa Machine Learning para analisar o conteúdo do usuário via e-mail, SMS e redes sociais. A tecnologia explora um idioma que pode indicar que um usuário pode cometer suicídio e envia alertas para o tutor do indivíduo. A empresa foi lançada em 2015 e já está produzindo um impacto inestimável em seus usuários. Em julho, a empresa anunciou que seu programa salvou 25 vidas depois de analisar mais de 500 milhões de mensagens de adolescentes.

Essa integração de tecnologia e saúde é promissora. À medida que estas soluções progredirem, será importante lembrar que o papel dos profissionais de saúde não será extinto. Mais ainda, só se tornará mais importante.

(via VentureBeat)

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