Como a lógica de Aristóteles fez a Apple lucrar bilhões

Da Redação

Por Da Redação

2 de Maio de 2016 às 17:07 - Atualizado há 4 anos

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A Apple é a empresa mais valiosa do mundo e ela ganha MUITO, MUITO dinheiro com cada venda de iPhone ao redor do mundo. São 50 milhões de aparelhos vendidos todo trimestre, então a empresa que foi fundada por Steve Jobs e Steve Wozniak tem MUITO dinheiro.

Passei uma tarde inteira estudando modelos de planos de negócios. Até que cheguei em um site que exemplificava com a Apple. Bateu uma vontade de assistir aquele filme “Jobs” (que tem o Ashton Kutcher no papel do Jobs) e vi ali um Jobs muito doidão, que usava LSD e pregava o amor livre (no caso dele, a falta de amor por vários anos de vida). E uma moedinha começou a cair.

O que guia a grande roda de dinheiro da Apple é nada mais nada menos do que um conceito filosófico muito louco chamado “média dourada”, que é presente em praticamente todas as correntes de pensamento do mundo, mas mais proeminente na filosofia aristotélica. E na minha cabeça leiga aqui, esse conceito é o caminho para qualquer empresa que quiser ser saudável.

Basicamente, Aristóteles dizia que o melhor caminho de todos era o caminho do meio, o que ele considerava o mais virtuoso possível. Extremos deveriam ser evitados, pois eles seriam o caminho mais fácil para o vício. Um exemplo: o excesso de coragem gera estupidez e a falta extrema dela é covardia.

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Todas as culturas do mundo perceberam isso em algum momento. Puxe os olhos de Aristóteles e você terá Confúcio na China com a “Doutrina da Média”. Engorde ou faça-o morrer de fome e você terá Buda falando a mesma coisa. Bote um círculo na cabeça e é São Tomás de Aquino que está falando sobre isso. Bote um pouco de barba e é Maomé quem está pregando o خير الأمور أوسطها (eu não faço ideia de como se fala isso, mas está lá no Corão, quietinho).

E aí entramos no mundo empresarial onde o que se menos vê é equilíbrio, busca por meio-termo. Quero dizer, tem umas empresas que até tentam, mas não seguem. A Apple, porém, ao menos no segmento de smartphone, é a empresa mais de meio-termo que existe.

Mas o que eu quero dizer com isso? Que a Apple não exagera, tenta manter as coisas todas sobre controle. Veja a linha dela: TRÊS smartphones diferentes (eram dois). Sem muita fragmentação. Sem inovação desnecessária ou tecnologia que ainda não foi provada: só a média do que as outras fabricantes colocam nos smartphones delas. Ou seja, se a maioria já colocou tal tecnologia, a Apple vai colocar também. Mas se ninguém usa, para que colocar?

O NFC é uma prova! Já estava nos aparelhos top de linha Android bem antes de chegar ao iPhone. Mas a empresa foi esperta em colocá-lo só quando começou a acreditar que a tecnologia teria capacidade de popularizar. E ainda fizeram o Apple Pay. Muito, muito espertos.

E o pricing da Apple? É importante também. A Apple tem 20% do mercado de smartphone, mas possuem 80% dos lucros. E o motivo disso? Os aparelhos não são nem tão baratos que não tenham uma margem de lucro polpuda, nem caros demais que não os permitam ser um produto de massa. Exatamente o meio-termo proporcional perfeito que permite o iPhone ser uma MÁQUINA de fazer dinheiro.

Ok, existem MILHARES de fatores para o sucesso da Apple. O marketing, a beleza dos produtos, a atenção para detalhes e até mesmo o fato de que uma empresa com “A” aparece na frente nas listas alfabéticas. Mas essa atenção ao “meio-termo” é um dos principais motivos, na minha opinião.

Afinal, a Apple podia estar produzindo porcaria muito barata ou aparelhos para o 1% da população. Nada teria dado tanto dinheiro quanto o meio-termo disso aí. Aristóteles teria aprovado.

Conteúdo Appeando, da rede Middi.