Cartórios não precisam morrer com blockchain

Da Redação

Por Da Redação

27 de fevereiro de 2018 às 10:55 - Atualizado há 3 anos

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*Texto por Carl Amorim, executivo do Blockchain Research Institute Brasil

Tenho sempre discorrido que o principal objetivo do Blockchain Research Institute no Brasil é colaborar com a transição do paradigma dos modelos de negócios descentralizados para os modelos distribuídos. A descentralização nada mais é que o modelo hierárquico piramidal das corporações com diversos níveis que vão afunilando até topo. Já a distribuição é um modelo achatado onde todos conversam com todos e não há um centro ou distinção de posição dos nós da rede.

Em resumo, isso quer dizer que não adianta querer pegar um modelo de negócio antigo, da era industrial, e tentar aplicá-lo numa topologia nova da era digital. É como usar uma Ferrari no Uber, simplesmente não vai encaixar e a potência de um vai ser desperdiçada pelo modelo de negócio do outro. Nesse contexto, uma pergunta recorrente em palestras e conversas sobre o blockchain é muito emblemática e feita com boa dose de esperança: os cartórios serão extintos pelo blockchain?.

A resposta é sim e não. Sim, o atual modelo de processos manuais, dispendiosos de tempo e dinheiro, que representam um incômodo para a população está com os dias contados. E não, porque espero que alguém mude o modelo de negócio centralizado e arcaico dos cartórios para um modelo distribuído que aproveite toda a potência que o sistema pode prover. Peço ao leitor que não abandone o artigo até apresentar meus argumentos.

Ninguém detesta os cartórios, detestamos o processo burocrático e centralizado aonde cada cartório é um ente isolado e o cidadão está condenado a usar sempre o mesmo lugar para uma certidão de casamento, nascimento ou de seu imóvel, não importa se esteja ainda perto ou não. Os processos internos não informatizados pioram ainda mais a experiência de se precisar de um serviço notarial.

Mas e se os cartórios tivessem seus sistemas conectados a um blockchain, onde os documentos ficassem registrados e só precisassem ser autenticados uma única vez e, toda vez que necessários, pudessem ser fornecidos por meio de um link, com um pagamento na casa de centavos e não de dezenas de reais?

E se esse sistema permitisse que, em qualquer um dos 15 mil cartórios do Brasil, o cidadão tivesse acesso a suas certidões e documentos independente de onde foram registrados? E se os órgãos públicos disponibilizassem seus serviços online para que os cartórios se tornassem os “Poupatempos” do cidadão, multiplicando os pontos de acesso aos serviços do Estado mais de 100 vezes, sem custo algum de instalação e manutenção para os governos?

Enfim, os cartórios num modelo centralizado ou descentralizado podem ser um problema, num modelo distribuído podem ser uma solução. Depende somente de que paradigma vamos querer para nosso país. Pois a energia vai para onde nossa atenção vai. Podemos colocar atenção em atacar a mudança ou na criação do novo.

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