Carros (e caminhões) autônomos vão resolver um problema brasileiro de 60 anos

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Por Isabella Câmara

16 de Maio de 2017 às 11:18 - Atualizado há 3 anos

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Uma das maiores barreiras enfrentadas pelo Brasil hoje sem sombra de dúvidas são os grandes entraves logísticos em nosso país.

Com uma extensão territorial continental, temos o desafio de levar mercadorias dos mais diversos tipos  para os quatro cantos do Brasil. E o fazemos primariamente através das rodovias, algo que por si só já é um grande problema em termos de eficiência energética de transporte, mas que se torna um desafio ainda maior quando consideramos as questões da qualidade das vias de transporte no país (leia-se: estradas esburacadas) e escoamento de produção.

Enquanto a maior parte dos países ao redor do mundo prioriza o transporte ferroviário ou portuário, o Brasil, ainda nos tempos de JK, optou por priorizar o transporte rodoviário. Agora que caminhamos para a automação do transporte, isso pode significar que pela primeira vez teremos uma solução que não demande toda a reestruturação logística do país para melhorarmos nossa capacidade.

A grande verdade é que apesar da péssima qualidade de nossas vias de modo geral, temos uma malha rodoviária que cobre boa parte do território nacional. Sim, temos vários trechos de terra batida, que se alagam com a menor chuva, pontes mal-conservadas, estradas esburacadas e etc., mas temos a base necessária para o trafego de veículos.

Reformar as vias brasileiras, é a curto prazo muito mais fácil do que construir novas ferrovias, especialmente em tempos nos quais uma crescente preocupação como meio ambiente torna cada vez mais difícil a aprovação de projetos que por simples definição, requerem que sejam gerados passivos ambientais.

Potencialidade

Atualmente contamos com mais de 3 milhões de veículos rodando cerca de 11,5 horas por dia, movimentando mais de 60% de toda a carga. Se considerarmos que veículos autônomos poderiam trabalhar por 24 horas, sábados, domingos e feriados, estamos falando da possibilidade de praticamente dobrar a capacidade de transporte de cargas no Brasil.

Desemprego

Obviamente uma migração total dos meios de transporte para veículos autônomos possui um efeito direto: desemprego.

Os atuais motoristas ao menos no curto prazo não terão mais sua fonte de sustento ao serem substituídos por maquinas, o que é um potencial problema de grandes proporções para o país, não somente pelo desemprego em si, mas pelo fato de que essa classe de trabalhadores dificilmente vai aceitar esse destino sem fazer nada.

Protestos pacíficos e violentos definitivamente não podem ser destacados e novamente a nossa dependência do transporte rodoviário, como já mostrado em casos anteriores, torna o Brasil um país muito sensível às greves de motoristas.

Soluções para o desemprego

Serei sincero aqui em afirmar que não vejo soluções simples para realocar uma mão de obra tão vasta quanto a dos caminhoneiros, muitos fazem isso a mais tempo do que tenho de vida, e mesmo quando falamos em passarem a trabalhar como motoristas em outras frentes que não sejam o transporte de cargas, precisamos nos lembrar que a automação do transporte vai atingir provavelmente todas as áreas que não estejam ligadas ao lazer.

Assim, é preciso pensar em soluções alternativas. A capacitação de uma parte da mão de obra para a área de reparos ou assistência é uma saída, mas que dificilmente será o bastante para realocar 100% dos trabalhadores.

Outras soluções passam inevitavelmente pela recolocação completa desses profissionais no mercado, algo que as empresas que não pretendem enfrentar grandes processos trabalhistas, e ao mesmo tempo, querem modernizar suas frotas, deveriam começar a analisar como fazer o quanto antes.

Legislação

Por fim, temos o problema da legislação para autorizar que as frotas sejam 100% automatizadas no Brasil.

Somos um país famoso pelas suas reservas de mercado, com políticos que se elegem prometendo proteger o emprego das pessoas, e ganham apoio de parcelas da população se opondo a novas tecnologias que podem tirar esses empregos.

O caso do Uber ilustra bem essa situação no Brasil. Da mesma forma que a proibição do autoatendimento em postos de gasolina nos faz ser um dos poucos países do mundo onde ainda temos frentistas em todos os postos de combustível.

Olhando por esse ângulo não é absurdo pensar que teremos um atraso considerável no processo de regulamentação e liberação da rodagem dos veículos autônomos em território nacional, e que mesmo quando isso acontecer, ainda poderemos ter reservas de mercados para motoristas humanos.

Se por um lado isso é negativo, atrasando o avanço tecnológico e modernização do país, por outro pode ser uma chance de observarmos como outros países lidam com essa transformação e copiarmos as melhores estratégias com mais tempo para implementarmos.

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