O Bitcoin vai acabar com o meio ambiente do planeta

Não é apenas a volatilidade da moeda que definirá o seu futuro, mas a quantidade de energia utilizada na mineração da criptomoeda

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

8 de dezembro de 2017 às 14:39 - Atualizado há 2 anos

poluicao

No começo desse ano, um Bitcoin custava menos do que mil dólares. Na semana passada, a um Bitcoin alcançou o valor de US$ 10 mil pela primeira vez e, durante a semana, chegou à mais de US$ 15 mil.

A alta da moeda foi ficando cada vez mais forte ao longo deste ano, levando muita gente a acreditar que se trata de uma bolha. Se uma pessoa tivesse comprado US$ 100 em Bitcoin em 2011, hoje o investimento valeria quase US$ 4 milhões. A criptomoeda foi criada em 2009 e é a responsável por popularizar (ou, ao menos, tornar conhecidas) as moedas virtuais no mundo.

Mas, apesar de muitas vezes ser encarada como um, o Bitcoin não é um investimento. Por ser uma moeda, sua finalidade teórica seria realizar troca de valores entre pessoas – o que, no momento, não é uma coisa que ela tem se destacado. O diferencial é que o dinheiro físico não existe e as transações são realizadas através de uma plataforma criptografada e descentralizada – a blockchain. Por conta disso, a moeda também não é regulada por nenhum governo ou banco e possui uma velocidade maior em realizar transações.

Para bitcoins e outras criptomoedas serem criadas, elas são mineradas. Ou seja, computadores de altíssima tecnologia passam dias e noites ligados resolvendo complicadíssimos algoritmos através de programas e, como recompensa, recebem frações das moedas. Mas o problema é: ninguém previu a quantidade de energia que isso gastaria.

Existe um número determinado de bitcoins que podem existir no mundo. Por isso, a corrida está cada vez mais acirrada, com computadores minerando 24/7. A questão é: o quanto de energia estamos gastando com isso?

Acabando com clima

Atualmente, cada transação realizada por bitcoin requer a energia utilizada por nove casas dos Estados Unidos em um dia. O poder dos computadores da rede de bitcoin é quase 100 mil vezes maior do que os 500 supercomputadores mais rápidos do mundo, juntos. O uso total de energia calculada é 31 terrawatts-hora por ano. Mais de 150 países consomem menos energia por ano.

Uma consequência viva da mineração é a a Venezuela, país onde a população adotou o Bitcoin em larga escala para driblar a hiperinflação e que logo lançará a própria criptomoeda. Devido ao alto uso de energia advindo da mineração de bitcoins (versus a incapacidade do governo de adicionar nova capacidade ou cuidar da que já tem instalada), o país tem experimentado apagões frequentemente.

Mais um exemplo é a China: o país possui o maior número de “minas” de Bitcoin, mas também possui grandes hidrelétricas – uma das alternativas mais baratas de energia sem carbono no mundo, e já avisou que quer se tornar um exemplo de “país verde”. O país poderia estar caminhando mais rapidamente em direção a uma fonte de energia limpa se não tivesse uma demanda cada vez maior por conta do Bitcoin.

O crescimento do gasto de energia é absurdamente alto. Na trajetória atual, a rede de Bitcoin será o maior gasto energético do mundo (superando os Estados Unidos) já em julho de 2019. E em fevereiro de 2020, vai usar tanta energia quanto o mundo inteiro atualmente. Dobrar o gasto de energia do mundo em três anos é um convite para usarmos cada vez mais tecnologias sujas, ao invés de tecnologias limpas.

O momento agora é de pensarmos como o uso de energia para mineração de criptomoedas poderá influenciar nas mudanças climáticas do mundo. Pois atualmente (e infelizmente) a energia nem sempre provém de fontes sustentáveis. Pelo contrário: a queima do petróleo é a fonte de energia mais utilizada no mundo, segundo o Energy Business Review. Mas essa queima gera gases que provocam mudanças climáticas originadas pelo efeito estufa e outros fenômenos.

Por isso, utilizar a energia em níveis superior a países inteiros sem pensar em sua origem é irresponsável para o mundo. Muitos acreditam que o Bitcoin é uma moeda que veio para transformar a forma como lidamos com o dinheiro, mas, para tornar isso possível, ele deve mudar a forma como geramos energia hoje, apostando em alternativas renováveis. Outras altcoins são mais eficientes no gasto de energia na mineração e podem ser a solução.

Diminuir a poluição é um dos melhores efeitos da mudança tecnológica que estamos vivendo. Já estamos investindo na produção de carros elétricos, agora, eles devem se tornar tão acessíveis quanto os movidos à combustíveis fósseis, aumentando o gasto de energia elétrica, mas diminuindo a queima de gasolina e diesel (que poluem ainda mais). O mundo está cada vez mais voltado para as mudanças climáticas, só é necessário apostarmos em novas alternativas tão rapidamente quanto estamos apostando no Bitcoin.

Carros elétricos são um dos principais expoentes da Nova Economia e trarão alternativas que mudarão o mundo quando popularizadas, tirando a poluição dos grandes centros. Outras tecnologias semelhantes – inclusive a própria blockchain, onde o Bitcoin é operado – serão abordadas no evento Revolução da Nova Economia, que trará as novidades de 2018 e próximos anos. Confira.

(Via Business Insider)