Avião de eletro-aerodinâmica promete eliminar emissão de gases

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Por Isabela Borrelli

22 de novembro de 2018 às 14:58 - Atualizado há 2 anos

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Pesquisadores do MIT desenvolveram um avião capaz de voar sem nenhuma parte que se movimenta, revela o MIT Research Review. O experimento, que pesa 2,45 kg não precisou girar turbinas para atingir a altura de 60 metros.

Se a tecnologia puder ser escalada, ela poderia produzir um avião que é muito mais seguro, silencioso e fácil de manter. Mais importante, no entanto, é eliminar combustões e emissões, já que o processo é movido por bateria. O voo inaugural foi possível por um processo conhecido como propulsão eletro-aerodinâmica, uma ideia que existe desde os anos 1960. O conceito, no entanto, é bem mais difícil de visualizar do que uma típica hélice de fiação, uma vez que essa tecnologia tira vantagem do conhecido como vento iônico.

Com essas vantagens, por que não estamos usando essa tecnologia durante todo esse tempo? Quando ela foi concebida em 1960, pesquisadores chegaram à conclusão de que não era possível criar um nível de confiança suficiente para sustentar um voo. Quando Steven Barret, um professor do MIT de aeronáutica e astronáutica, olhou de forma mais aprofundada para a pesquisa em 2009, ele não se intimidou. Pelo contrário, ele viu um grande potencial. “Fiquei inspirado pelas ideias de ficção científica de aviões e naves”, disse Barrett. “Pensei em como a física poderia viabilizar isso.”

Nove anos – e muitas falhas – depois, Barrett e seu grupo finalmente construíram um avião que voa. O teste não tinha nenhuma pessoa ou coisa dentro dele, uma vez que no momento ele mal consegue se sustentar no ar, muito menos com carga, sendo que os testes foram feitos em um ginásio sem vento e durando aproximadamente 12 segundos.

Ainda levará muito tempo até ser possível viajar de Los Angeles a Nova York com essa tecnologia, mas ainda assim foi uma grande conquista para a área. “Mesmo que estejamos a um longo caminho da turbina propulsora de gás comercial, a propulsão eletro-aerodinâmica tem o potencial de ser um divisor de águas para pequenos drones de curta distância”, afirmou Priyanka Dhopade, pesquisadora no Instituto de Termofluidos de Oxford.

Mesmo ela não sendo o suficiente para um avião comercial, Barrett acredita que ela poderá ser usada junto com motores a jato. Ele diz que os sistemas de propulsão eletro-aerodinâmica podem ser incorporados na superfície de um avião e usados para reenergizar o ar viajando ao longo da aeronave. Atualmente, este ar acaba atrás da aeronave, movendo-se lentamente e arrastando no sentido contrário. A adição dos novos sistemas de propulsão poderia eliminar esse atrito e aumentar a eficiência do combustível.

É nisso que a equipe do MIT está planejando se concentrar agora, além de otimizar o protótipo de embarcações. “Tivemos apenas alguns anos para desenvolver essa tecnologia”, diz Barrett. “A propulsão convencional tem 100 anos, então temos algumas coisas para fazer. Mas acho que conseguimos.”