Apple quer revolucionar a mídia tradicional após comprar startup do ramo

Segundo o Recode, a Apple está entrando em contato com grandes jornais dos EUA para integrarem sua plataforma de notícias

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

11 de setembro de 2018 às 16:43 - Atualizado há 1 ano

Em março deste ano, a Apple comprou a Texture, uma startup descrita como o “Netflix das revistas”, pois disponibiliza a leitura de mais de 200 títulos digitais através de assinatura. Agora, a Apple parece estar abordando novas mídias para integrarem a plataforma, como os principais jornais dos Estados Unidos.

Segundo o Recode, executivos da Apple estariam entrando em contato principalmente com o New York Times, The Wall Street Journal e o Washington Post. Os executivos estariam sendo liderados por Eddy Cue, líder de conteúdo da Apple. Um representante da empresa negou fazer comentários sobre o assunto.

Mas trazer os principais jornais para sua plataforma poderá ser uma tarefa difícil para a Apple, já que os três jornais citados possuem seus próprios serviços por assinatura e isso poderia diminuir seus números. O Washington Post possui uma assinatura digital de US$ 10 por mês, enquanto o Times possui o mesmo serviço por US$ 15 e o preço-base do Wall Street Journal é de US$ 37 mensais.

Para os usuários, ter os jornais da Texture seria vantajoso, pois a assinatura na startup é de US$ 10 mensais e disponibiliza mais de 200 títulos diferentes. Ainda não há informações se a Apple disponibilizaria os jornais na plataforma de forma comum ou se criaria planos específicos para cada veículo.

Ao mesmo tempo, ter os jornais veiculados pela empresa seria uma forma de angariar novos leitores, pois a Apple afirmou que possui 1,3 bilhões de aparelhos ativos em janeiro deste ano. Hoje, o New York Times possui cerca de 2,9 milhões de assinantes digitais.

Em julho, a Apple contratou Liz Schimel, uma executiva com experiência na Conde Nast e Comcast como “head of news business”. A executiva lidera a área de notícias da empresa, que possui o Apple News – um aplicativo específico para a leitura.

A empresa parece estar cada vez mais voltada ao setor de conteúdo – no comunicado à imprensa sobre a aquisição da Texture, Eddy Cue afirmou que a Apple está “comprometida com o jornalismo de qualidade”. Agora, a empresa parece estar unindo dois interesses: o jornalismo com serviços por assinatura.

Um serviço de assinatura único

Segundo o Daily Mail, há rumores de que a Apple está planejando um serviço por assinatura que une músicas, programas de TV e seriados, notícias e revistas. Amit Daryanani, analista da RBC Capital, afirmou em um relatório que unir todos os serviços seria positivo para a companhia. O serviço da Apple concorreria diretamente com o Amazon Prime e a Netflix.

A expectativa do analista é que a empresa continue investindo no setor de conteúdo. “Nós estimamos que a Apple irá gastar mais de US$ 1 bilhão em 2018 com produções e conteúdo que serão lançados em 2019 e além”, afirmou Daryanani ao Daily Mail. O serviço de streaming de músicas da empresa, o Apple Music, foi lançado em 2015e  atingiu 50 milhões de assinaturas.