Apple: a ascensão e os produtos que a tornaram a empresa mais valiosa do mundo

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Por Isabela Borrelli

4 de setembro de 2018 às 19:40 - Atualizado há 2 anos

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Depois da Apple quase falir, voltar a ficar sob comando de Steve Jobs e ter recebido investimento da Microsoft, a empresa decolou, apostando em produtos de última geração com design impecável que se tornaria marca registrada da maçã. Para isso, Jobs contou com a ajuda de Jonathan Ive, então chefe do departamento de design, contratado quando Steve estava afastado. Mas antes disso, Jobs quase o demitiu.

Quando assumiu novamente o controle da Apple, Steve trouxe funcionários da NeXT para a gigante, algo esperado uma vez que uma empresa foi adquirida pela outra. Seu plano inicial era contratar Hartmut Esslinger, fundador do Frog Design e ex-funcionário tanto da Apple quanto do NeXT.

Ao mesmo tempo em que o CEO tinha outros planos para o cargo de chefe de departamento de design, o próprio Ive já tinha uma carta de demissão pronta: ele não aguentava mais trabalhar na Apple. Foi no primeiro encontro entre os dois experts que tudo mudou. Jobs adorou Ive e o convenceu a ficar na empresa, garantindo que seu talento não seria desperdiçado (como teria ocorrido nos anos anteriores).

O foco da empresa então adotaria um caminho bem definido de produtos inovadores, tanto tecnologicamente quanto em questão de design e usabilidade. Dessa forma, o slogan adotado pela Apple em 1997 não poderia ser outro: Think different (pense diferente, em tradução livre), que acompanharia a marca até 2002.

iMac G3

O produto que marcou a volta de Jobs, e primeiro da dupla Jobs e Ive, é o iMac G3, lançado em 1998 no valor de US$ 1.299. Conhecido como a salvação da Apple, o iMac G3 trouxe algumas inovações para os computadores, como a priorização da entrada USB aos drives de disquete.

Mas não era só isso: a máquina não só priorizava a entrada USB, ela eliminou o drive de disquetes do design do computador.  Na época, Jobs já via os disquetes como uma tecnologia ultrapassada, uma vez que CDs conseguiam transferir uma maior quantidade de dados, por exemplo.

Ao mesmo tempo, há 20 anos não havia uma padronização de entradas, o que fazia com que os computadores tivessem um espaço considerável dedicado a comportar a maioria de entradas possíveis. Com o minimalismo do iMac G3, que adotou o padrão USB e abriu mão de seus formatos de entrada, outras marcas também começaram a fazê-lo.

Outra inovação do modelo G3 foi o design. Até então, os computadores seguiam um padrão muito claro: formato quadrado e cor bege. Com o objetivo de fugir do senso comum, o iMac G3 chegou com um formato mais arredondado e em até 13 cores diferentes no catálogo. A partir de 2007, o iMac ganhou um design mais próximo do atual, apostando em uma composição de alumínio e vidro.

iBook

O iMac G3 to go (portátil, em tradução livre), como a própria propaganda já frisava, chegou com mais que um rostinho bonito. Trazendo design similar ao seu antecessor, com cores diferentes e bordas arredondadas, o iBook foi lançado com o valor de US$ 1.599.

O sucesso foi imediato e elevou a marca na categoria de laptops, que andava meio morna com outros produtos como Performa, Quadra, Powerbook, etc.. Mas a novidade não estava toda no design, pelo contrário.

O iBook foi o primeiro produto de massa a oferecer conexão wifi, batizada de AirPort, o que consolidou a Apple de uma vez por todas como uma marca inovadora. A partir de 2006, a linha de laptops passa a adotar o nome MacBook, lançando posteriormente as linhas MacBook, MacBook Pro e Air, que trouxeram design e tecnologia de ponta para

iPod

No começo dos anos 2000, os players MP3 eram muito comuns, assim como muitas pessoas ainda usavam os já ultrapassados discmans. Apesar de ser uma solução viável, os MP3s não eram nem de perto uma solução boa. Pelo menos até a chegada dos iPods, em 2001.

Os iPods marcaram a entrada da Apple na indústria musical. Eles não tinham necessariamente mais armazenamento que os produtos rivais (no começo ofereciam até 5GB) ou mais features, mas a interface intuitiva e simples fez com que o produto fosse revolucionário. Outro fator que ajudou no sucesso do produto foi sua compatibilidade com outros sistemas operacionais, como o Windows.

As versões posteriores não deixaram a desejar e novas features também chegaram, como o Genius, uma tecnologia que cria playlists automaticamente a partir de músicas com características em comum que o usuário tenha no iPod.

Assim que o iPod foi lançado, o iTunes veio junto como um aplicativo de música simples que também exportava músicas de CDs para o player, mas isso mudou drasticamente em 2003 com o iTunes Music Store.

iTunes Music Store, a revolução da indústria da música

Dois anos depois da chegada do iPod e do iTunes, Apple lançou a iTunes Music Store, uma loja de música online que permitia que os consumidores encontrassem, comprassem e baixassem a música que quisessem por US$ 0,99.

Hoje a ideia pode não parecer tão inovadora, mas na época a indústria musical enfrentava uma grande dificuldade: com a conversão da mídia analógica para a digital. As gravadoras assistiam de camarote a queda nas vendas de álbum enquanto grande parte dos consumidores optava por baixar músicas gratuitamente.

Foi aí que a Apple entrou, preenchendo um vácuo no mercado. Mas não significa que convencer a indústria foi fácil. “Quando nós nos aproximamos das gravadoras, o negócio de músicas online estava um desastre,” revelou Jobs para Steven Levy, autor de The Perfect Thing. “Ninguém nunca tinha vendido uma música por 99 centavos. Ninguém nunca vendeu uma música. E nós chegamos e falamos ‘nós queremos vender músicas à la carte. Nós queremos vender álbuns também, mas queremos vender músicas individualmente.’ Eles acharam que seria a morte do álbum”.

Não só não foi a morte do álbum, como o renascimento da indústria musical, inspirando outros modelos de negócio como o do Spotify, que chegou anos depois. Desde seu lançamento, o iTune Store expandiu e hoje inclui filmes, programas de televisão, aplicativos e já vendeu mais de 10 bilhões de músicas, 200 milhões de programas de televisão, 2 milhões de filmes e 3 bilhões de aplicativos.

iPhone: um iPod, um telefone e um comunicador de internet

Se hoje os smartphones são como conhecemos – sem teclado e composto basicamente de uma tela multitoque –, a culpa em grande parte é da Apple. É difícil até lembrar de como os celulares top de linha eram antes de 2007: em sua maioria, metade do display era dedicado a um teclado, com inúmeros botões minúsculos. Em outras palavras, nada prático.

Steve Jobs revolucionou o mercado de smartphones em de janeiro de 2007, quando lançou o primeiro iPhone. O conceito do celular não era muito claro na época, principalmente porque eles não tinham as mil funcionalidades de hoje. Por isso, na apresentação icônica da nova invenção da Apple, Jobs disse que eles tinham três lançamentos: um iPod, um telefone e um comunicador de internet… E eles não eram três produtos separados.

Junto com o iPhone veio o OS X, sistema operacional que depois teve seu nome modificado para iOS. O nome original se deve ao fato de tinha núcleo Unix similar comparado à versão desktop completa do sistema operacional.

Foi graças a ele que foi possível o funcionamento de uma tela multitoque, mas seu triunfo se deu principalmente à possibilidade de integrar um iPod, uma câmera, telefone e internet em um só dispositivo com um design intuitivo e amigável.

Outros modelos que marcaram a linha de iPhones foram o iPhone 4S, primeiro a incluir a Siri, a assistente pessoal da Apple; o 5S, primeira versão com chip 64 bit, o A7, que permite que usuários façam praticamente tudo que eles poderiam em um computador com uma velocidade incrivelmente rápida. Por fim, o iPhone X, que marcou os dez anos do smartphone, trouxe diversas atualizações para o telefone e removeu o famigerado botão.

iPad

Os rumores de um tablet da Apple já estavam rondando o mundo tecnológico, mas foi só em 2010 que a primeira versão foi lançada. Segundo a Apple Insider, o trabalho no desenvolvimento do iPad começou em 2004, quando Jonathan Ive e sua equipe fizeram o primeiro rascunho.

Supostamente, era para o tablet ser lançado antes do iPhone, mas a maçã decidiu que o smartphone teria preferência. Assim, depois que o iPhone fez sucesso, os rumores em volta do tablet e qual seria sua utilidade foram controversos. Depois de seu anúncio, uma onda de expectativa e ceticismo veio em resposta.

Mesmo com críticas e dúvidas, o iPad chegou forte, com mais de 300 mil cópias vendidas na estreia e até hoje é um dos dispositivos mais lucrativos da Apple, sendo considerado o tablet que redefiniu o modelo.

Apple Watch

O mistério envolvendo o lançamento do Apple Watch começou em agosto de 2011, poucos meses depois do falecimento de Steve Jobs. Na época, a Apple registrou a patente para uma pulseira que aproveita a energia cinética dos movimentos cotidianos do pulso para recarregar a bateria. O projeto do smartwatch foi desenvolvido por Jonathan Ive e contou com uma equipe com mais de 100 profissionais, inclusive dois experts de tecnologia médica.

A estreia do Apple Watch em 2015 marcou a entrada da gigante tecnológica no mundo dos smartwatches e foi também o primeiro produto original lançado com Tim Cook como CEO. O produto exige uma conexão wireless com um iPhone, e traz funções como acompanhamento de atividades físicas e orientações de saúde, assim como a possibilidade de realizar ligações, enviar mensagens, etc.

Mais que uma marca, um estilo de vida

Além de produtos inovadores, a Apple também se consolidou como algo muito maior que uma marca de tecnologia. Desde os lançamentos dos produtos Apple, onde Jobs fez história com o “One more thing” (só mais uma coisa, em tradução livre), expressão que ficou conhecida por sempre antecipar o ponto alto do evento, até a construção de produtos de design impecável e alta tecnologia, a maçã fez um verdadeiro trabalho de encantamento. Hoje, a gigante de tecnologia, que vale US$ 1 trilhão, tornou-se  desejo de consumo e símbolo de inovação ao redor do mundo, consolidando-se como um verdadeiro lifestyle.