Adeus “Gun Control”: americanos podem imprimir armas legalmente mês que vem

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

25 de julho de 2018 às 16:23 - Atualizado há 2 anos

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Ativistas de direitos armamentistas dos Estados Unidos realizaram um acordo com o governo sobre um conflito criado em 2013 – agora, cidadãos americanos poderão imprimir em suas casas armas em impressoras 3D. A medida se tornará legal a partir do dia 1 de agosto.

Tudo começou quando Cody Wilson postou alguns esboços de uma arma feita em impressora 3D, chamada de “The Liberator”, cinco anos atrás. A arma, que cabe apenas uma bala, é feita quase inteiramente de plástico ABS – o mesmo material dos Legos -, e construída em uma impressora 3D. As únicas partes de metal da arma são o pino de disparo e uma peça colocada exclusivamente para cumprir a lei de armas de fogo no país e torná-la suscetível ao detectores de metais.

Quando tomou conhecimento sobre os planos de Wilson, o governo dos Estados Unidos retirou o site do ar. O governo alegou que os arquivos poderiam infringir Regulações Internacionais sobre o Tráfico de Armas (ITAR).

Mas apenas tirar o site do ar não foi efetivo, já que os arquivos haviam sido baixados milhares de vezes. Uma das principais alegações do governo dos Estados Unidos é que pessoas de outros países – para os quais os Estados Unidos não vendem armas – podiam fazer as próprias armas.

O que mudou?

Agora é possível que cidadãos americanos façam download e imprimam suas próprias armas 3D devido ao acordo feito entre Wilson (através da organização Defense Distributed) com o governo americano em 29 de junho. Wilson e sua organização agora podem publicar planos, arquivos e desenhos em 3D de qualquer arma de fogo. Ainda no acordo, o governo americano concordou em pagar quase US$ 40 mil dos impostos e taxas cobradas.

O processo contra Wilson foi iniciado ainda no governo de Obama, e segundo relatos, estava empenhado em ganhar a causa. “O governo lutou contra nós durante todo o tempo e então do nada jogou a tenda”, disse Alan M. Gottlieb, advogado que atuou no caso.

Apesar da mudança de governo durante o processo, o advogado acredita que a política não influenciou no caso, já que este estava sob a responsabilidade de funcionários de carreira. O acordo não foi público, mas os advogados de Wilson enviaram uma cópia para a CNN – fonte das informações.

Armas feitas em impressoras 3D

Armas como a “The Liberator” são chamadas de “armas fantasmas” ou (“Ghost Guns“, em inglês) porque não possuem números de série – portanto, não são rastreáveis. Isso é um problema principalmente quando modelos desse tipo são facilmente acessados e disponíveis na internet – no próprio site de Wilson há modelos digitais de uma AR-15, Baretta M9 e outras armas de fogo.

Para Cody Wilson, os arquivos disponibilizados no site – outros usuários também podem disponibilizá-los – são bons recursos para quem faz armas, mas não é prático para que a maioria das pessoas as imprimam em impressoras 3D, principalmente devido ao preço.

“Ainda é fora de alcance para eles. Nós iremos ver tudo isso se desenvolver”, disse ele. “Os planos (arquivos) estarão aqui quando esse momento chegar”. Para ele e seus defensores, a maior facilidade em criar armas não-rastreáveis dificultará que governos proíbam armas de fogo justamente pela maior dificuldade em controlá-las.

A possibilidade de imprimir armas em impressoras 3D reacende a discussão sobre o porte de armas, em pauta nos Estados Unidos e também no Brasil. Para Cody Wilson, a medida representou o fim do controle de armas – como o próprio exemplificou em seu Twitter,

Mas já há pessoas se posicionando contra o acordo realizado com Cody Wilson – é o caso de Avery Gardiner, co-presidente da Brady Campaign para prevenir a violência armas. “Eu acredito que todo mundo na América deve ficar aterrorizado com isso. As pessoas que farão (as armas) serão cartéis criminosos bem financiados que têm a capacidade de realizar ataque criminosos bem organizados nos Estados Unidos e em outros lugares”, afirmou Gardiner.

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