A nova estratégia da Microsoft para o Xbox: torná-lo um “novo Office”

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Por Lucas Bicudo

16 de fevereiro de 2016 às 13:28 - Atualizado há 5 anos

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A guerra dos games continua! Dessa vez, quem prepara uma investida no front de batalha virtual é a Microsoft, que vem de algumas perdas após ver a rival Sony disparar na frente em número de vendas do seu último console PlayStation 4. Embora a Microsoft tenha parado de reportar os números arrecadados pelo Xbox One, analistas estimam que, desde seu lançamento em 2013, foram vendidas cerca de 18 milhões de unidades. Já a Sony caminha a passos largos e lidera o mercado com quase o dobro de unidades vendidas: 36 milhões.

Isso fez com que uma luzinha vermelha acendesse no QG da Microsoft e seus especialistas entrassem em estado de atenção. Qual maneira seria mais eficiente para equalizar os números e dar suco nessa briga que vem desde o lançamento das primeiras gerações desses consoles? Bem, o plano de imediato é transformar a experiência do Xbox One em uma experiência Microsoft, ou seja, integrar a plataforma de vídeo game com todas as outras da empresa, mostra o Business Insider, assim como foi feito com o Pacote Office.

Tal visão é proveniente dos bons resultados estabelecidos pelo CEO Satya Nadella, que transformou o Office em um serviço de assinatura na nuvem, desprovido da necessidade de compra do software de instalação físico. O programa, agora denominado Office 365, tem um custo básico mensal de US$ 10 e seus usuários ganham o benefício de utilizar todos os produtos Microsoft em celulares, PCs, tablets e quaisquer plataformas que lhe forem cabíveis, desde que acessados com seus logins e senhas através do OneDrive – sistema de armazenamento de dados alocado na nuvem. Até agora os números tem suprido todas as expectativas da marca e espera-se que com o mesmo tipo de impulso, seu segmento de games seja alavancado rumo a uma reviravolta contra a liderança da rival Sony.

Uma dica de como isso será operacionalizado pode ser vista no lançamento de um dos games carro-chefe da casa em 2016. Quantum Break, previsto para 5 de abril, também será lançado simultaneamente para Windows 10 e aqueles que adquirirem o jogo para o console, automaticamente receberão a oportunidade de jogá-lo no PC, além da possibilidade de transitar entre uma plataforma e outra com o mesmo arquivo de jogo salvo. Trata-se do início de uma possível onda de jogos exclusivos para Xbox que podem ser utilizados fora do console, aumentando o alcance da marca através de seus usuários de computadores.

Falando na linguagem de números, o sistema operacional Windows 10 já vendeu mais de 200 milhões de unidades ao redor do mundo, desde seu lançamento em julho de 2015. Nem todos esses compradores estão interessados em vídeo games, mas se você assumir que pelo menos 30% desse público de duas centenas de milhão tem o mínimo de interesse, isso já resulta em uma audiência potencial de aproximadamente 60 milhões de usuários. Comparando com as 36 milhões unidades de Playstation 4 vendidas até agora, de repente a briga não fica tão feia para o lado da Microsoft, que tem em mãos um mercado mais abrangente do que a rival.

Outro mecanismo que a Microsoft está investindo para alavancar seus números é a Xbox Live. Com 48 milhões de usuários ativos, a ideia é transformar o sistema no centro de seus negócios, uma vez que o modelo de assinatura, criado lá atrás em 2002, se encaixa perfeitamente com a moderna estratégia de integração do CEO Nadella.

Entretanto, existem percalços por meio desse caminho de expansão. Um deles é a ira dos fãs mais aficionados, que não abrem mão da experiência do console e levantam algumas perguntas bem pertinentes. Se os jogos de Xbox estão sendo vinculados também ao Windows 10, por quais motivos seria necessário gastar mais dinheiro na compra de um console Xbox One? E por qual motivo os usuários deveriam pagar o valor de US$ 60 por ano para jogarem online, sendo esse um mecanismo grátis e característico de todos os jogos de PC desde sua criação?

Esse é realmente um entrave no desenvolvimento da estratégia da Microsoft, uma vez que, se focada na experiência de game para Windows 10, possivelmente alienaria todos esses heavy users que já investiram bastante dinheiro e tempo na plataforma do console. Na via contrária, se a estratégia continuar apenas focada em atender a experiência de game através do Xbox One, tudo que foi colocado aqui para a transformação da Microsoft em uma rede integrada de serviços vai por água abaixo.

Se a empresa conseguir atravessar esses entraves e mudar o jeito de pensar de seus usuários a respeito do Xbox como uma marca e não somente um vídeo game, invariavelmente a base de seu público irá exponencialmente aumentar. A questão é: o sistema operacional Windows já está em vigor no núcleo dos aparelhos Xbox e essa mudança de pensamento já vem ocorrendo debaixo dos narizes de todos, ao fazerem streaming de suas jogadas instantaneamente para o PC, ou ao utilizarem serviços de Live disponíveis tanto para uma plataforma, quanto para a outra.