A nova estratégia da Microsoft para smartphones é simples: mudar as regras do jogo

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Por Lucas Bicudo

17 de fevereiro de 2016 às 11:00 - Atualizado há 5 anos

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A Microsoft, chancelada sob a visão do CEO Satya Nadella de “cloud first, mobile first”, entendeu que uma andorinha não faz verão no mercado de sistemas operacionais para smartphones. Atualmente detentora da 3ª colocação (com 1% de todo o negócio de SO no mundo, contra 22% da Apple e 78% do Google), a empresa remodela sua estratégia para que as regras vigentes do jogo possam ser alteradas.

Quem tem um hardware da Microsoft costuma gostar muito, isso não há de se negar. É rápido, responsivo e sempre te dá uma ótima autonomia para montar seu layout como bem entender. O problema sempre foi – e agora está prestes a mudar – a pesada falta de aplicativos para celulares com o sistema operacional Windows. Todos eles estão disponíveis, em grande escala, apenas para os concorrentes Android e iPhone, o que estagna o crescimento da empresa no setor e a deixa responsável apenas pela fatia de 1% de todo o bolo. Há algum tempo o alto escalão da empresa vem notando esses entraves no desenvolvimento de seus hardwares e é por isso que começaram a investir na integração de seus softwares com o resto do mercado, mapeando e diagnosticando, fora da casinha, o que funciona e o que não funciona.

Após a aplicação do Project Islanwood, todo software da Microsoft lançado para iOS ou Android é um tijolo a mais na construção dessa nova filosofia imposta por Nadella. Cada usuário que baixa um aplicativo ou utiliza dos serviços de nuvem da empresa – através de um aparelho concorrente – é uma pequena vitória contabilizada, que vai expandindo os horizontes da marca e roubando a cena de exclusividades antes monitoradas pelas duas das outras líderes mundiais do segmento.

A utilização do Office 365, por exemplo, completamente integrado aos serviços de nuvem disponibilizados pela Microsoft em outras plataformas de SO, aparece nas estatísticas com números consideráveis de crescimento, o que nos obriga fazer o inevitável questionamento do porque a empresa ainda investe em lançar aparelhos celulares e não foca apenas na expansão de seus aplicativos para todo o resto do mercado. Bem, segundo a Forbes, o motivo é simples: lembrar a todos que eles ainda estão lá e que estão vivos no jogo – e isso é o suficiente, já que sua estratégia de serviços e softwares a manterá relevante ainda, por no mínimo, os próximos dez anos.

O valor gerado ao dizer que a Microsoft possui uma presença no mercado de smartphones – mesmo que seja em uma pequena proporção – é tão mais importante do que do que não ter presença nenhuma e apostar todas suas fichas em softwares para outras plataformas e serviços de nuvem. A Microsoft é apenas grande demais para ser ignorada e enquanto existir qualquer tipo de produção da empresa no segmento, ela será relevante e notada, não importa o tamanho de sua fatia no bolo todo.

Isso a ajuda a manter-se no campo de visão do público geral, com alguns diferenciais – como o Continuum, que permite usar seu celular como um computador. Seus aplicativos e softwares já são o produto final que está sendo monetizado na conta da empresa, mas a carcaça que fica para os que não conhecem todo o desenvolvimento de estratégia da marca é a de um lançamento após o outro, de uma novidade após a outra – e isso os hardwares não deixam a desejar.

Enquanto os aparelhos da Microsoft ainda estiverem rodando nas lojas espalhadas por todo o mundo, suas ambições dentro do mercado de sistemas operacionais para smartphones serão sempre reconhecidas e muito bem-vindas, impulsionando a expansão também de seus softwares e serviços ao usuário.