"Não estamos prevendo o futuro, estamos construindo ele", diz diretor da Hyperloop

Rodrigo Sá, Head of Global Business Development da Hyperloop, esteve no Silicon Valley Conference da StartSe neste sábado (29)

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Você já imaginou qual será o transporte do futuro? Há quem diga que será o Hyperloop – um sistema ultrarrápido que transporta pessoas e cargas em cápsulas, impulsionado pela levitação magnética. A tecnologia permite que o transporte alcance até 1.223 km/h, velocidade próxima à do som, utilizando apenas energias renováveis, como eólica, solar e geotérmica.

Neste sábado (29), Rodrigo Sá, Head Of Global Business Development da Hyperloop esteve no Silicon Valley Conference realizado pela StartSe, contando um pouco mais sobre como acredita que será o futuro do transporte – para ele, o futuro já está acontecendo agora. “Nós não estamos pensando no passado, não estamos tentando prever o futuro, estamos construindo o futuro”, afirmou.

Sá conheceu a empresa quando estava no Vale do Silício e desejava abrir um fundo de investimentos focado em saúde. “Eu estava inquieto, não queria ser mais um. Eu queria mudar o mundo e fazer algo que valha a pena”, comentou. Quando ainda era adolescente, o executivo estudou para ser diplomata – e fez até um estágio na ONU, em Nova York -, mas voltou para o Brasil para continuar na faculdade.

Ele já havia construído três empresas em dois anos e morava no Chile quando decidiu que queria mudar novamente, buscando outros propósitos. No Vale do Silício, conheceu Bibop Gresta, o presidente do Hyperloop. “Quando ele me contou tudo o que estava fazendo, eu disse ‘esse trêm aí não vai funcionar não, é muito jetsons’. Depois de cinco meses conversando, ele conseguiu me convencer que daria certo e eu entrei no projeto”, explicou.

Mineiro de Campo Belo, faz sentido pensar que “o trem não daria certo” – mas o “trem”, na verdade não é um trem. O transporte não se encaixa em nenhuma das categorias existentes hoje e se diferencia desde às tecnologias utilizadas ao modelo de negócios.

O mindset do Hyperloop se diferencia das empresas convencionais, segundo o Rodrigo Sá, porque é uma empresa de transporte que coloca o usuário em primeiro lugar. “Quando vemos o que está acontecendo nos principais meios de transporte, quem está no centro é o transporte, não a pessoa. Pensemos no que acontece quando tiramos o transporte da Avenida Paulista, as pessoas ocupam o espaço [se referindo à Avenida Paulista fechada para veículos todo mundo]. O grande problema é que as cidades foram construídas para os carros, não para as pessoas”, afirmou.

Além de pensar nos usuários, o Hyperloop pode ser considerado uma grande aposta para o transporte do futuro porque é movido a energia renováveis e também é capaz de gerá-las através do movimento realizado e dos painéis solares implantados no topo das cápsulas. “No Canadá, um local que não é muito ensolarado, estimamos um incidente energético de 15.000 %. Em outros lugares com mais sol, de 40.000 e 45.000 %”, disse Sá.

O consumo de energia também é consideravelmente menor do que os trens e metrôs porque a levitação magnética realiza um trabalho – e tanto – para a movimentação das cápsulas. “Lembram do imã? Há o polo norte e sul, e, quando colocados de forma específica em cima de uma lâmina de metal e há movimento, ele cria uma indução e levita para cima. Não precisamos fazer nada, é só empurrar que ele vai”, explica Rodrigo Sá.

Para o head de negócios globais da empresa, essa é uma ideia disruptiva por ser sustentável, mas a ideia não é uma novidade. “O protótipo do metrô de Nova York foi um protótipo do Hyperloop”, afirmou.

O modelo de negócios global da Hyperloop

O desenvolvimento de tecnologias e aplicações da Hyperloop também é algo que destaca a empresa de transporte, pois é baseado em colaboração. O Hyperloop possui apenas 50 pessoas contratadas em tempo integral, mas possui mais de 900 colaboradores no mundo inteiro que ganham ações da empresa à medida que colaboram. “Antes de receber qualquer investimento, nós já tínhamos 70 mil horas de trabalho”, comentou Sá. Hoje, a Hyperloop possui centros de inovação e pesquisa em Toulouse, na França, no Brasil, em Contagem – MG – inaugurado recentemente -, e abrirá um centro em Abu Dhabi.

“O que estamos propondo para o mundo é a forma como criamos negócios”, disse Rodrigo Sá. Uma das formas em que a startup já está realizando esse trabalho é através da realidade aumentada, para trazer a exibição de imagens de paisagens para as janelas do Hyperloop. A empresa já conversou inclusive com a Amazon e Best Buy, que desejam tornar possível que os usuários vejam produtos e façam compras na viagem, não que sobre muito tempo... A estimativa de uma viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro é de menos de 30 minutos.

“No Brasil, estamos analisando alguns terrenos. O que vocês acham de Campinas-São Paulo em 6 minutos? Ou São Paulo-Rio de Janeiro em 22 minutos? Gostaríamos de fazer conexão de aeroporto com portos. Aqui no Brasil, o nosso maior desafio são as regulamentações”, disse o diretor de negócios global da Hyperloop em sua palestra.

Devemos receber mais notícias sobre a construção do Hyperloop em breve: a estimativa é que um protótipo de 1,5 km fique pronto na França até 2019.

Foto: Eduardo Viana

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