Gigante do Vale escolhe Brasil como bola da vez e mira até aquisições

A companhia é uma gigante do Vale do Silício presente em vários países diferentes e provendo serviço para milhões de clientes

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Ainda pouco conhecida por aqui, a Intuit é uma gigante do Vale do Silício que acaba de escolher o Brasil como sua “bola da vez”. A companhia – responsável por softwares de gestão financeira – quer aproveitar o momento positivo do empreendedorismo no Brasil e ganhar fôlego por aqui, incluindo até a possibilidade de adquirir startups nacionais para agregar no negócio.

A companhia é uma gigante do Vale do Silício presente em vários países diferentes e provendo serviço para milhões de clientes. “A Intuit tem 34 anos de vida, está na Nasdaq (bolsa de valores americana que concentra a maior parte das empresas de tecnologia) e é avaliada em mais de 30 bilhões de dólares”, afirma André Macedo, country manager da Intuit no Brasil.

O executivo é a prova da intenção e da metodologia da Intuit com o Brasil: ele teve sua startup, a Zero Paper, comprada pela gigante americana alguns anos atrás. Ao invés de vender a empresa e aproveitar o dinheiro, André assumiu o principal posto da empresa por aqui e tratou de aumentar a operação da companhia.

A Intuit não matou o produto de sua startup para fortalecer um produto global, muito pelo contrário: André montou uma boa estrutura para crescer e fortalecer o Zero Paper. A companhia abraçou o produto que ela comprou, a companhia e trouxe sua mentalidade para dentro. Uma forma de montar uma empresa vencedora, não apenas um produto.

Empresa boa é empresa com foco e propósito

O casamento da Intuit com o Zero Paper de André só deu certo por um motivo: ambos partilhavam do mesmo propósito, de ajudar empreendedores e pequenas empresas a organizarem suas finanças. Foi um casamento muito bem feito e importante, já que empresas que prosperam são as que possuem missão muito bem definida.

Aqui no StartSe, compartilhamos da intenção de ajudar empreendedores a organizarem suas startups. Por isso, fizemos (em conjunto com a Intuit), um manual para organização das finanças de sua companhia – um dos maiores problemas capazes de matar startups. Além disso, a companhia estará presente conosco no Fintouch, a maior conferência de Fintechs do Brasil.

A empresa atende três tipos de clientes diferentes, sempre ajudando-os a organizar suas finanças. “Trabalhamos com três segmentos, pessoa física, jurídica e contabilidade. Temos vários produtos, vários programas para ajudar as pessoas a organizarem suas finanças, esse é o nosso objetivo mundial”, completa o executivo.

A empresa literalmente nasceu para ajudar as companhias do mundo a organizarem – com muito fit com as startups da área. “Nós somos uma fintech, não necessariamente tão moderna quanto as que estão nascendo agora, mas certamente uma das maiores do mundo”, destaca o country manager de uma empresa de US$ 30 bilhões – quase o dobro do valor de mercado de uma empresa tradicional como a Fiat.

Depois de se tornar extremamente forte no mercado norte-americano, a Intuit resolveu entrar no mercado global – parece simples, mas o mercado de gestão financeira tem muitos nuances em cada país, com impostos, bancos e leis diferentes. A companhia ou comprou startups (como é o caso do Brasil) ou levou seu principal produto para fora. “7 ou 8 anos atrás resolvemos sair dos Estados Unidos, com um produto global que é o QuickBooks”, conta Macedo.

Brasil é uma grande oportunidade

E olhando os mercados globais, a Intuit decidiu que valia a pena apostar suas fichas no nosso País. “A bola da vez agora é Brasil, mesmo sabendo que a economia brasileira não anda muito bem”, afirma. Parece complicado, mas a crise, na verdade, é uma oportunidade. “O cara as vezes está desempregado, ele resolve empreender. A crise é um momento importante para as pessoas, tentar fazer aquele dinheiro render o máximo possível”, completa.

Uma prova disso é o crescimento do empreendedorismo no Brasil, impulsionado tanto pelo crescente sentimento de que isso é o que trará desenvolvimento para a nação quanto pela necessidade das pessoas. “Temos um movimento importante, com a adoção do MEI. Foram 1,6 milhão de empresas novas no ano passado, acima da média de 1,2 milhão”, conta.

Por isso, a companhia comprou um software já adaptado ao Brasil e com excelente qualidade (o Zero Paper) e integraram às tecnologias da companhia. “A Intuit veio para o Brasil adquirindo a Zero Paper. E resolveram unificar as tecnologias, nós tivemos um tempo para refazer o Zero Paper, integrado e com todo o padrão de qualidade da Intuit”, destaca.

Agora que este trabalho foi concluído, o objetivo da empresa é crescer muito no Brasil – focar suas energias para atingir o máximo de pessoas possíveis. “Esse ano (fiscal) que começou no dia 1º de agosto, é muito importante para nós. A ideia é crescer muito por aqui”, salienta.

Neste período, até metade do ano que vem, o foco será nas microempresas e empreendedores individuais, o público alvo do Zero Paper. “Estamos focando em 2017-2018 para alcançar o microempresário, os MEIS. Que recebem até R$ 1 milhão por ano”, diz.

O próximo produto será lançado em um futuro próximo: justamente o Quickbooks, carro-chefe da Intuit nos Estados Unidos, com foco nas pequenas e médias empresas. “Agora vamos retomar o QuickBooks em um futuro próximo, talvez não nesse ano ainda, estamos terminando de adaptar o produto para o Brasil”, completa.

Não há planos, porém, de softwares para as grandes empresas brasileiras – já que estes demandam muito mais energia por cliente e possuem rivais fortes neste segmento, o compromisso e missão da Intuit é com um público já definido. “Nosso foco é com micro e pequenas empresas, não é a grande empresa. Essa é o foco da Oracle, SAP”, lembra.

Com essa intenção de crescer no Brasil, a empresa precisa de mais gente para aumentar o esforço. “Estamos com 40 colaboradores, com 15 vagas abertas, está até difícil de contratar. E depois dessas vagas vamos contratar ainda mais e continuar crescendo acelerado”, conta o executivo, cuja empresa mudou-se recentemente de sua antiga sede na Brigadeiro Faria Lima em São Paulo para uma outra maior na mesma avenida.

Conhecimento do Vale direto para o Brasil

Trabalhar para a Intuit é trabalhar para uma empresa que tem a mentalidade do Vale do Silício e que é líder em seu segmento – um ponto de interesse para qualquer pessoa que queira crescer na carreira. “Estamos aproveitando toda a expertise da Intuit fora do Brasil, herdando grandes know-hows de tecnologia, de processos. Eles são excelentes em processos”, explica.

A parte do Vale chama a atenção, pois é comum que os funcionários brasileiros visitem a região para alinharem com o espírito e conhecimento da região. “Boa parte da equipe vai para o Vale do Silício para alinhar, receber conhecimento”, diz André.

Por isso, boa parte dos funcionários está habituado a pensar e trabalhar como as pessoas do Vale. “A conexão é muito forte com a Intuit lá no Vale do Silício. Isso é maravilhoso. Todos os funcionários possuem essa mentalidade da Vale do Silício”, destaca. “O Vale do Silício está dentro da gente!”, completa.

De olho no ecossistema de startups

O sucesso da Intuit depende de uma coisa aqui no Brasil: startups e empreendedores dispostos a adotarem as soluções da empresa em um futuro próximo. Para a sorte da companhia, o ecossistema nacional está cada vez mais forte. “Tem o nosso case (Zero Paper) que é muito bacana, fomos vendidos para uma empresa americana, viemos de uma aceleradora, provando que o modelo funciona no Brasil”, salienta.

Sua visão é extremamente positiva em relação ao que tem sido construído por aqui e o desenvolvimento do ecossistema nacional. “Eu acredito muito que teremos um Vale do Silício no Brasil, temos excelentes startups, que crescem em velocidades altíssimas. Estou muito orgulhoso do ecossistema brasileiro”, afirma o executivo.

E se a oportunidade aparecer, a Intuit deverá até comprar mais startups para acelerar ainda mais o crescimento no Brasil. “Já estamos olhando novas aquisições, conversando com parceiros. Queremos fintechs que agreguem ao nosso negócio. Estamos olhando para oportunidades. Quem sabe?”, termina André.

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