3 tecnologias que poderiam ajudar (e salvar) os Correios

Da Redação

Por Da Redação

7 de julho de 2017 às 17:03 - Atualizado há 3 anos

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Como quem assina a newsletter do StartSe já sabe, passei por alguns problemas recentes com os Correios (que sumiram com um pacote que continha meus convites de casamento). A minha surpresa foi na atenção que a empresa me deu depois da minha queixa publica: em questão de horas, até o presidente da estatal tinha me mandado um e-mail tentando me ajudar, fora a iniciativa de vários bons funcionários que, individualmente, vieram colaborar na busca pelo meu pacote.

Eu fiquei (positivamente) impressionado. Conversando com as pessoas eu entendi que o atual presidente dos Correios, Guilherme Campos, é um homem determinado a melhorar toda a situação da empresa – que vem de grandes prejuízos recentemente -, mas que o gigantismo da empresa impede que ela avance na velocidade desejada.

Não vou entrar na discussão se ela precisa (ou não) ser privatizada, mas a imagem que a companhia tem agora diante o público é de um serviço caro e ineficaz. E que quando alguma coisa errada acontece, como foi meu caso, burocrática demais para resolver o problema do cliente. Um detrator, como eu fui, acaba fazendo muito barulho.

Isso tem que mudar e eu compreendo que as pessoas que lideram os Correios agora entendem a questão na pele. É necessário diminuir a quantidade de servidores públicos que lá estão sem merecer, reduzir o inchaço da companhia nos últimos anos e acabar com as indicações políticas que foram tão comuns na última década.

Mas não é só a gestão. Talvez nenhum setor tenha ficado tão “ultrapassado” em seu negócio principal nas últimas décadas do que os serviços postais. Não é só os Correios brasileiros (que por anos foram mal administrados), mas gigantes como Fedex e DHL também sofrem. O avanço dos serviços de telecomunicações transformou telegramas em desnecessários, cartas e enfins… quem prefere receber uma conta por carta atualmente e não por e-mail?

Tem tecnologias MUITO boas que podem melhorar e muito a eficiência da empresa. Separei três delas para essa matéria e suas aplicações para os Correios atuais. Uma mudança que poderia salvar a empresa da situação incômoda em que ela se encontra atualmente. E eu sei que a pessoa atualmente no comando se incomoda, pois quer o bem da companhia. Senti isso pelas conversas que tive.

Vou ser sincero: tendo entendido isso, meu sonho é colocar 15 diretores dos Correios em um avião para São Francisco e mostrar para eles todas as tecnologias e inovações do Vale do Silício. Pouca gente sabe disso, mas o StartSe realiza missões corporativas para a região, de acordo com a necessidade da empresa contratante. Já levamos, por exemplo, o SPC e em breve vamos levar o Banco do Brasil.

Faríamos um grande serviço para a ECT de mostrar o que existe lá e o que é possível na área de serviços postais. Tenho certeza que isso poderia deixar a companhia mais eficiente, baixar custos e aumentar a percepção do público. Então, se alguém dos Correios ou de outra empresa se interessar, me manda um e-mail (felipe@startse.com.br) e a gente vai conversando.

E se quiser ir numa turma “comum”, recomendamos também dar uma olhada na 2ª edição da Learning Experience. Na primeira, levamos 100 brasileiros para passar 5 dias de inovação intensos no Vale do Silício. E tenho orgulho de dizer que a grande maioria deles já nos veio dizer que esses foram os melhores dias da vida deles. Uma grande satisfação, mesmo.

Automação & Blockchain

Vou começar pela primeira tecnologia, aquela que eu acredito que poderia ter resolvido o problema que ocorreu comigo. Antes, deixa eu explicar um pouco do acontecido e como isso poderia ajudar.

Basicamente, minha irmã (em Belo Horizonte) me mandou os convites do meu casamento via Sedex 10. Estávamos com MUITA pressa, por pressões familiares (protocolo). O casamento é só dia 19 de agosto, mas a ÚNICA data que tínhamos para entregar seria no dia 8 de julho. Os convites nunca chegaram.

Reclamamos, mas o fato é que os convites podem aparecer a qualquer momento. Só que a utilidade deles literalmente expirou. O problema é ter comprado um serviço de pressa e ter um processo que demora cinco dias úteis para me dizer se o objeto foi extraviado ou não. Mas enfim… e se soubéssemos o que aconteceu com ele?

Pelo código de rastreamento, a última informação que temos dele é que ele foi encaminhado de Belo Horizonte para São Paulo. Literalmente, existem 600 quilômetros de distância em que esses convites podem estar. É uma área de busca meio grande…

Mas aí entra o blockchain. Pense nele como uma “planilha de Excel descentralizada e imutável, em que cada informação busca a última”. Com Blockchain, aplicado aos serviços postais, seria possível ter um registro das esteiras em que o pacote passou, em que veículo ele entrou e até mesmo quais funcionários (ou robôs) o manipularam.

E tudo isso pode ser automático, como é o Bitcoin, que tem milhares de operações individuais por segundo e que são todas registradas no mesmo blockchain. São pequenos pedaços de informações que, juntas, fazem um todo.

A tecnologia é tão “quente” para serviços postais que o USPS (United States Postal Service, os Correios americano) já está estudando quatro aplicações diferentes para ele. Um deles é o gerenciamento de uma “Internet das Coisas Postais”, que tem potencial para melhorar o serviço e abaixar custos radicalmente.

Robôs em logísticas

Uma das teorias que levantamos sobre o sumiço do meu pacote é que algum funcionário “da linha de frente” dos Correios tenha roubado. Declaramos o valor dos convites (no caso, R$ 2.000) e era um pacote relativamente pequeno. O que custa para uma pessoa de moralidade duvidosa abrir o pacote em busca de um objeto de valor? (Quebrou a cara, o convite para ele não tem validade nenhuma…).

Me dói pensar isso, mas já ouvimos tantas histórias parecidas que não nos surpreenderia. Fato é que o “erro humano” nem sempre é um “erro”. Por razões como essa, existe uma tendência da substituição de trabalho humano por robôs em todas as empresas de serviço postais do mundo.

A Amazon comprou uma startup de robôs para poder gerenciar seus armazéns. São eles que buscam e organizam cada compra feita na gigante de comércio online nos Estados Unidos. Eles buscam os pacotes, registram, colocam nas esteiras corretas e fazem todo o sequenciamento para que eles cheguem no local correto.

Como é uma estatal, duvido que os Correios consiga remanejar facilmente os trabalhadores improdutivos (ou demitir, mesmo) sem grandes dramas jurídicos. Mas robôs poderiam aumentar a eficiência do sistema, além de reduzirem drasticamente certos custos associados com a operação.

Novas tecnologias para entregas de mercadorias

Continuando a falar de automatização, que tal automatizar uma coisa importante? O meio da entrega? Para isso, duas tecnologias muito interessantes podem ser usadas: carros autônomos e drones.

Pode ficar muito mais barato e eficiente deixar que vários caminhões que se dirigem sozinhos levem os pacotes de um centro de armazenamento até outro (os famosos CTEs dos Correios!). Vários, mesmo, sem parar, entre todas as cidades. Acredito que o uso de veículos autônomos não é nem uma possibilidade que os Correios pode escapar.

E lá, drones garantem a entrega de “última milha”, ou seja, do CTE até o endereço da entrega. Tudo isso sem uma única pessoa envolvida no processo, salvando milhões de reais (e quem paga a conta quando os Correios tem prejuízo é você, não esqueça disso). Com blockchain ainda, tudo que acontece pode ficar registrado automaticamente e fica fácil de entender o destino de cada um dos pacotes individualmente. Novamente, isso é uma coisa que a Amazon está estudando nos Estados Unidos

O processo de modernização de uma empresa como os Correios é longo, potencialmente doloroso. Mas é possível. Extremamente possível. E quem conseguir fazê-lo, estará prestando um grande serviço para o Brasil.