Você precisa de um smartphone com blockchain?

José Eduardo Costa

Por José Eduardo Costa

1 de março de 2019 às 14:19 - Atualizado há 2 anos

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Vários smartphones com foco em criptografia estão chegando ao mercado – aqui, mostramos três deles. Eles são habilitados para blockchain, o que permitirá aos usuários armazenar seus dados com segurança criptográfica e operar na blockchain. A promessa é que com estes aparelhos, e outros que virão, a blockchain, que até agora é assunto para entusiastas, se popularize e passe a fazer parte do dia a dia das pessoas.

Neste segmento, para o grande público, duas marcas estão saindo na frente, a coreana Samsung e a taiwanesa HTC. A Samsung confirmou, no início da semana, que o seu lançamento Galaxy S10, disponível em três versões (preços à partir de US$ 900), incluirá um sistema de armazenamento seguro para chaves privadas de criptomoeda.

A Samsung já tem alguns parceiros de blockchain para o seu novo Galaxy S10, conforme revelou a agência de notícias Coindesk. O S10 começa a ser vendido em países selecionados no dia 8 de março. Não há previsão de lançamento no Brasil, por enquanto.

O aparelho S10 da Samsung se junta ao Exodus 1, da HTC. A empresa taiwanesa anunciou, esta semana, que está trazendo alguns novos recursos para o seu lançamento. Isso inclui a chegada de 20 novos aplicativos. Um desses aplicativos, o navegador Opera, agora um parceiro da HTC, permite que os usuários façam micropagamentos para os sites parceiros.

A HTC descreve esta funcionalidade como “revolucionária”, pois permite que os pagamentos do Ethereum (Bitcoin e Litecoin serão suportados em breve) sejam feitos com quantias muito pequenas, sem a necessidade de se preocupar com taxas transacionais. O aparelho da HTC está disponível, nos Estados Unidos, diretamente pelo site, à partir de US$ 699.

Outro aparelho na mesma linha do S10 e do Exodus 1 é o Finney, desenvolvido pela empresa Sirin Labs. Considerado o primeiro smartphone blockchain do mundo, o Finney foi anunciado em setembro de 2017 e está disponível para ser comprada por qualquer pessoa por US$ 999.

Então, vale ter um smartphone com blockchain?

Esses dispositivos são uma porta de entrada para algo chamado web descentralizada, ou “Web 3.0”. Nesta futura versão da internet, blockchain e tecnologias similares suportariam aplicativos descentralizados – os “dapps” –, que usam redes públicas, ponto-a-ponto, em vez de servidores privados de grandes empresas de tecnologia.

Um grande impedimento para a adoção generalizada de criptomoedas e dapps é que essas tecnologias são muito difíceis de serem usadas por leigos. Em outras palavras, são produtos para um nicho específico de mercado.  No entanto, melhores experiências do usuário, começando com o gerenciamento de chaves criptográficas, poderiam mudar isso. Mas chegar lá não é simples, já que a segurança das chaves é primordial: se você perde suas chaves, perde seus ativos.

Isso também explica por que o criador da Ethereum, Vitalik Buterin, parece tão empolgado com uma característica específica do Exodus 1 da HTC, chamada recuperação de chave social. Essencialmente, os usuários podem escolher um pequeno grupo de contatos e dar a eles partes de suas chaves. Se eles perderem suas chaves, poderão recuperá-los, peça por peça, de seus contatos.

Buterin está olhando para o futuro, neste caso para um futuro onde as pessoas usam blockchain para manter mais controle sobre suas identidades digitais e dados pessoais do que é geralmente possível hoje. A recuperação da chave social é “provavelmente um passo inicial em direção à identidade formal não apoiada pelo Estado”, ele twittou.

Mas voltando a questão original, vale a pena ter um celular que usa blockchain?

Se você está curioso sobre o uso da criptografia e pode pagar por um destes aparelhos, pode ser uma boa maneira de testar esta nova tecnologia e suas aplicações. Se você já usa criptografia, provavelmente já tem uma carteira em que confia, e esta primeira geração de telefones pode não oferecer muito mais do que isso.

Uma resenha do Exodus 1, publicada esta semana pela Wired, chamou o smartphone de “surpreendentemente bacana”, mas afirmou ao mesmo tempo que o Exodus 1 não vai criar a Web 3.0. Se esses telefones decolarem, a web descentralizada ainda será em grande parte um sonho. A construção de sua infraestrutura básica ainda está em estágio inicial.

Talvez com novos usuários aderindo à blockchain, surjam novos aplicativos aderentes à rede, que por sua vez poderiam inspirar o desenvolvimento de nova infraestrutura. Por enquanto, segundo uma resenha do MIT Technology Review, o melhor que a primeira rodada de celulares blockchain pode fazer é nos dar um vislumbre de um futuro  ainda muito distante.