Conheça a Ratio, a cafeteria do futuro

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Por Isabella Câmara

30 de outubro de 2018 às 19:43 - Atualizado há 3 anos

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No centro de Xangai, há uma cafeteria chamada Ratio, que não tem nem filas, nem cozinheiros. Para fazer um pedido, os clientes precisam seguir regras bem comuns em toda a China: desbloquear o celular, escanear um código na entrada, fazer o pedido no aplicativo e depois pagar pelo próprio celular. Em seguida, um braço robótico começa a preparar o café – ele tritura os grãos, bombeia jatos de café e água em um copo e disponibiliza o produto final para que um garçom humano leve o café até o cliente.

 

A China é um dos lugares mais disruptivos do mundo – e oportunidade para o mercado de café são imensas. O consumo médio de café por pessoa na China, de acordo com a Statista, deve crescer 18% de 2014 a 2019, bem acima de 0,9% nos Estados Unidos e de 3,5% no Japão. “A geração chinesa jovem já desenvolveu o hábito de segurar uma bebida. Mas não se limita ao café, também pode ser chá ou leite”, disse Li Yao, sócio da Tsing Ventures, à Tech in Asia, no evento Forbes Under 30 Asia.

Atualmente, a Starbucks detém 51% do mercado chinês de café, mas os empresários acreditam que existem outras necessidades dos consumidores que a gigante não atendeu. “A Starbucks dominou o mercado de café [da China] por muito tempo, então é hora de os concorrentes trazerem novas ofertas, seja um novo sabor ou uma nova compreensão do café”, disse Li. Para a Ratio, isso significa trazer eficiência, personalização e consistência na experiência dos consumidores.

Tudo começou com Gavin Pathross, fundador da cafeteria, que comandou durante três anos a transformação digital da Yum China, uma empresa norte-americana de fast-food que opera grandes marcas. O executivo liderou a reformulação do aplicativo do KFC, supervisionou a iniciativa “loja-do-futuro” da Pizza Hut, que incluía garçons robóticos, e também ajudou na modernização do Taco Bell. Após essa experiência, Pathross percebeu que faltava eficiência digital nas cafeterias da China – e decidiu fundar, no primeiro semestre deste ano, o robô-café.

“Vamos lembrar como é uma experiência em uma cafeteria tradicional. Você chega a um prédio comercial às 9h30, chega ao seu escritório no 50º andar e desce para comprar seu café da manhã. Na hora do rush, você espera na fila por cinco minutos, paga e espera na fila por mais cinco minutos para receber o seu pedido”, conta. Segundo ele, há muita interação excessiva que não é significativa para os clientes, e a missão da Ratio é acabar com isso.

O movimento chinês

Empresas de tecnologia chinesas estão buscando automatizar a indústria de alimentos e bebidas, alterando desde a forma de fazer o pedido até o pagamento e entrega de alimentos. Um dos principais cases desse movimento é a rede de supermercados Hema, da Alibaba, que possui uma elegante praça de alimentação. Os robôs substituem garçons e cozinheiros – embora não completamente, já que o cardápio da Hema inclui alguns pratos complicados e pouco conhecidos. Assim como na Ratio, os clientes da Hema fazem o pedido e pagam por meio de um aplicativo.

De acordo com Alan MacCharles, sócio da Deloitte, há muito espaço para automação na indústria de alimentos chinesa. Na China, muitos estabelecimentos de fast-food sofrem com uma taxa de rotatividade de 17,8% ao ano, o que gera um custo significativo ao empregador. “Os empregadores precisam continuar contratando e treinando, contratando e treinando. Isso é muito caro”, diz MacCharles.

Com os robôs, além do custo com mão-de-obra ser reduzido, os processos de pedidos são acelerados e as necessidades dos clientes são atendidas mais prontamente. “Manter a precisão de, digamos, 2,8 doses de café expresso é quase impossível para um barista, por mais talentosos e experientes que sejam”, diz Pathross. Além de café, o robô da Ratio também faz drinks e coquetéis. Segundo MacCharles, isso é um grande diferencial da cafeteria, uma vez que a automação será capaz de combater a grande margem de erro em coquetéis, que precisam de muita  precisão na hora de adicionar bebidas alcoólicas.

Devido à redução dos gastos com mão-de-obra, a maior parte do cardápio da Ratio é mais barato que o da Starbucks, e seu coquetel mais caro não passa de US$ 13. Mas apesar de reduzir as despesas com mão de obra, eliminar totalmente os garçons humanos não é uma meta da empresa. “Minha meta é maximizar a experiência do consumidor de maneira econômica. Como tal, estou procurando reinvestir a redução de custos no atendimento ao cliente e em ingredientes de maior qualidade”, explica. Nessa corrida, o que realmente importa nessa corrida é a experiência de aprendizado do cliente – “as melhores marcas da China estão migrando para integrar produtos à experiência geral do cliente”, o que inclui não apenas comprar o produto, mas também aprender a usá-lo e consumi-lo, destaca um relatório da Bain.

Mas além disso, ao digitalizar jornadas de usuários, empresas com a Ratio e a Heman podem agregar mais dados de usuários, os quais podem gerar insights do consumidor no futuro. A oportunidade é tão grande que Pathross compara o futuro do varejo de café com o Spotify – nesse contexto, as máquinas poderiam aprender sobre milhões de gostos diferentes e fazer recomendações personalizadas.

*Fotos: Ratio