QuadrigaCX: fundador imprimia os códigos eletrônicos em papel

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

19 de fevereiro de 2019 às 16:19 - Atualizado há 2 anos

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Um podcast que Gerald Cotten, falecido fundador da corretora de criptomoedas QuadrigaCX, participou em 2014 pode trazer uma reviravolta para a startup. A corretora ficou conhecida após a morte do fundador pois cerca de C$ 190 milhões de criptomoedas estão inacessíveis para seus donos. O motivo? A empresa afirma que apenas o fundador tinha a senha do cofre offline que concentra os ativos.

Segundo a Bloomberg, Cotten conta no podcast “True Bromance Podcast” como armazenava as criptomoedas no início da empresa. O fundador imprimia os códigos criptografados do bitcoin em papel e os colocava em cofres.

Na gravação, ele apontou os riscos de ataques de hackers caso as criptomoedas permanecessem em redes com acesso à internet. Por esse motivo, ele apostava na opção analógica – e recomendava que todos o fizessem.

Ele ainda afirmou que, uma vez que as chaves de acesso – códigos que identificam cada criptomoedas – são perdidas, mesmo o governo dos Estados Unidos, com os melhores computadores do mundo, não seria capaz de recuperá-las.

Implicações legais

O caso está sendo julgado por Michael Wood, juiz da Suprema Corte de Nova Scotia. A QuadrigaCX foi capaz de recuperar apenas C$ 375 mil de seus clientes (cerca de US$ 286 mil), passando a dever mais de C$ 260 milhões (aproximadamente US$ 198,5 milhões).

Após a morte de Cotten, a corretora de criptomoedas ainda transferiu US$ 500 mil para a carteira inacessível. A transferência de dinheiro é possível, mesmo com os ativos em uma carteira offline, pois é necessária apenas o endereço das moedas, não seus códigos. As transações eram comumente realizadas dessa forma, a partir de transferências pelo aplicativo da corretora.

Por não acreditar ser capaz de reaver o dinheiro em tempo hábil, a empresa entrou com um pedido de proteção de crédito às autoridades canadenses na tentativa de pagar o que deve. O caso está sendo acompanhado pela consultoria corporativa Ernst & Young, como foi demandado pela Corte.