Publicidade espacial? Anúncio da Pepsi no céu é cancelado

João Ortega

Por João Ortega

16 de abril de 2019 às 12:17 - Atualizado há 2 anos

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Uma representante da PepsiCo na Rússia confirmou ao portal Futurism, no último sábado, uma parceria com a startup russa StartRocket para criar um anúncio no espaço, visível para bilhões de pessoas na Terra. A estratégia da Pepsi era promover a bebida energética Adrenaline Rush e, ao mesmo tempo, criar uma campanha para “acabar com o preconceito contra gamers”, público-alvo do energético.

Dois dias depois, a sede norte-americana da empresa de bebidas desistiu do plano, afirmando que o contrato previa apenas um teste e não há pretensões em propagandear sua marca desta forma. Mas por que, em apenas 48 horas, a PepsiCo abdicou da publicidade espacial?

A principal razão, é, sem dúvida, a repercussão negativa após a notícia rodar o planeta. O astrônomo John Barentine afirmou ao portal Astronomy que anúncios luminosos na órbita terrestre são uma ameaça aos estudos na área. “Além disso, eu não imagino uma situação em que alguém olha para uma propaganda no céu noturno e diz: ‘que grande ideia’”, disse o cientista. Comentários de leitores do artigo trataram a iniciativa como “repulsiva” e sugeriram boicote a marcas que contratarem o serviço.

O jornal inglês Express foi além e afirmou que a StartRocket tem o plano de “arruinar” o céu noturno. O astrônomo Patrick Seitzer disse, no artigo, ser pouco inteligente lançar um projeto como este sem a devida base científica e de segurança nacional.

A quem pertence o céu?

Mesmo com as críticas por parte de especialistas, a ideia da startup russa não é ilegal. Um tratado criado em 1967 e ratificado em 2013 por mais de cem países afirma que nenhuma nação tem soberania sobre o que está fora do planeta Terra. Empresas privadas podem realizar voos espaciais e não há muitas regras definidas sobre o que se pode fazer lá fora.

Neste sentido, é difícil enquadrar o plano da StartRocket em alguma lei sobre anúncios que possa existir em um determinado país. A cidade de São Paulo, por exemplo, baniu outdoors para diminuir a poluição visual. Mas se esta poluição vem do espaço, como impedir?

A startup, porém, afirma que propaganda não é o único foco da tecnologia que desenvolve. Os anúncios espaciais podem servir para entretenimento – uma mensagem mundial divulgando o início das Olimpíadas, por exemplo. E, também, para comunicar assuntos emergenciais, no caso de uma calamidade pública em que as pessoas estejam sem acesso a telecomunicações.

Como funciona o “outdoor espacial”

A tecnologia por trás da propaganda da StartRocket funciona da seguinte forma: dezenas de pequenos satélites cúbicos são lançados a cerca de 450 km de distância da Terra. Eles são feitos de material refletor, que os mantém iluminados em certos horários do dia e visíveis a olho nu pela população terrestre.

Os satélites serão “descartáveis”, com previsão de um ano de funcionamento. A tecnologia é realizada em conjunto com a SkolTech, uma universidade privada em Moscow.

Apesar da desistência da PepsiCo, a startup russa continua com o mesmo plano de desenvolvimento de seu projeto – e não é difícil imaginar que outros anunciantes possam encarar o risco. Até o fim do ano, a StartRocket pretende captar cerca de US$ 25 milhões em investimentos. A expectativa é que as operações comecem, de fato, em 2021.