O que é pegada digital e como retomar controle sobre os seus dados na rede

João Ortega

Por João Ortega

7 de fevereiro de 2020 às 14:48 - Atualizado há 2 meses

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Em um mundo cada vez mais digital, tudo o que se faz na rede deixa rastros. O conjunto dos dados que aplicativos, websites, serviços e plataformas online guardam de um usuário configura a sua pegada digital.

É importante compreender que, ao preencher formulários, fazer compras em e-commerce ou reservar uma passagem online, por exemplo, o usuário está fornecendo dados de forma ativa para empresas. Além disso, é essencial estar ciente de que há também informações que são salvas por terceiros de forma passiva enquanto se navega pela internet, sem o claro consentimento do usuário.

Quando se tem a consciência da pegada digital que se deixa na rede, é possível retomar a propriedade dos dados. Com a chegada da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entra em vigor no segundo semestre deste ano, fica estabelecido que quem tem direito ao dado é o usuário e não as empresas. Portanto, será possível controlar quem pode armazenar as suas informações e “limpar” sua pegada digital.

Propriedade dos dados

Israel é um dos países mais avançados quando se trata da indústria de segurança digital e privacidade na rede. Entre as startups deste ecossistema, está a recém-lançada Mine, que se identifica como “o futuro da propriedade dos dados”. Em entrevista exclusiva à StartSe, Gal Ringel, CEO e fundador da startup, afirma que “com a chegada de regulações específicas sobre dados, os usuários podem se beneficiar e retomar a propriedade de seus dados, que é a escolha de que empresas podem possuí-los”.

O serviço da Mine permite, em poucos segundos, descobrir quantas empresas possuem seus dados digitais concedidos de forma ativa. Com mais de dez mil acessos, a plataforma verificou que, em média, cada usuário compartilha informações com 350 empresas. Além disso, este número tende a crescer em 8 companhias por mês.

Além de informar o usuário, a Mine auxilia no contato direto com as empresas para que os dados sejam excluídos da base. De acordo com Ringel, esta é a melhor forma de ter a propriedade dos dados sem prejudicar a experiência virtual.

“Existem diversas ferramentas que criam barreiras digitais na rede para evitar que outras empresas salvem os dados dos usuários. São os casos dos VPNs e serviços de pesquisa anônima”, explica o empreendedor israelense. “O problema dessas soluções é que elas alteram sua experiência online. A navegação fica mais lenta e em sites seguros o acesso é bloqueado, como na hora de realizar serviços bancários”.

LGPD como oportunidade de negócio

Do lado das empresas, adequar-se à LGPD antes dela entrar em vigor pode ser uma forma de se destacar no mercado virtual. De acordo com Leonardo Militelli, CEO e fundador da Ibliss Segurança Digital, transparência é o aspecto mais importante para criar uma relação de confiança com o cliente.

“Existem muitas oportunidades por conta desta lei”, afirma o executivo. “Definir a finalidade do uso dos dados do cliente e deixar claro com quem estas informações serão compartilhadas é obrigatório. Uma política de privacidade transparente, hoje, é um diferencial que faz a empresa ser mais confiável na visão do usuário”.

Ainda segundo o especialista em segurança digital, as companhias que já atuam conforme a nova regulação têm uma vantagem competitiva no mercado internacional. Isto porque na Europa já está em vigor uma lei de dados semelhante à brasileira. Portanto, para trabalhar em parceria com empresas digitais do continente europeu, ou armazenar dados de clientes da Europa, é necessário estar adaptado à LGPD. “Torna-se um diferencial competitivo na hora de negociar com outros países”, conclui Militelli.