Fim do dinheiro em espécie? Como os pagamentos instantâneos mudarão o mercado

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

21 de fevereiro de 2020 às 15:34 - Atualizado há 10 meses

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Até o final deste ano, será possível realizar transferências de dinheiro entre pessoas e estabelecimentos em segundos, 24h por dia, em qualquer dia da semana. Os pagamentos instantâneos estão chegando para mudar a relação que possuímos com o dinheiro hoje, oferecendo uma alternativa mais ágil para as TEDs e DOCs. A previsão é que eles tenham início em novembro.

As ferramentas escolhidas para transferir e receber dinheiro em segundos foram os QR Codes ou “chaves”, como CPF e número de celular. Não importará em qual instituição financeira o recebedor possui conta – a transferência será possível inclusive com a ausência dessas informações. A expectativa é que o custo das transações seja reduzido.

Nesta quarta-feira (19), o Banco Central anunciou um grande passo para tornar os pagamentos instantâneos uma realidade no Brasil. O órgão regulador do mercado financeiro no país lançou o PIX, o sistema dos pagamentos instantâneos. Ele será integrado aos aplicativos de bancos, fintechs e instituições financeiras.

O Banco Central atuará como um intermediador que contém as informações de contas dos usuários, tornando possível que as transferências sejam feitas apenas com o número de celular, por exemplo. Além das transações entre pessoas, os pagamentos instantâneos poderão ser utilizados nas compras em estabelecimentos, substituindo o dinheiro em espécie e os cartões.

“O pagamento instantâneo será uma rede no Brasil inteiro. Será quase que uma bandeira – teremos a Visa, Master, Elo e o Banco Central. Eu brinco que será uma bandeira open source, um “Linux”, que irá conectar todo mundo à preço de custo”, contou Carlos Netto, CEO e fundador da Matera, no episódio do MVP, podcast da StartSe, sobre meio de pagamentos.

O potencial do QR Code

O pagamento instantâneo poderá ser realizado com QR Code, que serão divididos entre estáticos e dinâmicos. Os estáticos poderão ser utilizados em diferentes transações, concentrando valores fixos. Já os dinâmicos serão pessoalmente criados para cada necessidade e permitirá, inclusive, a adição de informações.

A novidade pode acelerar ainda mais a adoção do QR Code no Brasil, que segue em uma curva crescente. De acordo com o Estadão, este meio de pagamento cresce mais de 30% por mês. A Cielo atingiu 2 milhões de transações realizadas dessa forma – a primeira foi realizada no fim de 2018. Na China, essa se tornou a principal forma de pagar, impulsionada pelos super aplicativos WeChat e AliPay.

O QR Code é uma tecnologia democrática pois é compatível com celulares de diferentes valores, inclusive com os que não são smartphones. Em um segundo bloco de lançamentos do BC, previsto para 2021, a expectativa é de utilizá-los mesmo quando o usuário não possui internet, em um sistema em que cada celular (e conta de pagamento) gera um código específico e é validado usando a internet do próprio estabelecimento recebedor, por exemplo.

O fim do dinheiro em espécie?

Carlos Netto descreve os pagamentos instantâneos como “uma transação digital do dinheiro”. Essa foi a proposta dos cartões quando eles foram lançados, mas os próprios carregam intermediários. Eles dependem das bandeiras e possuem a barreira física do plástico.

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Ao mesmo tempo, a possibilidade de integrar todo o mercado financeiro de pagamentos – desde o salário até empréstimos, pagamento de contas e compras – poderá diminuir a circulação do dinheiro em espécie pelo país. Na prática, há a diminuição de preocupação com o troco, custos de transporte, carros-forte e segurança física. No entanto, cresce a preocupação com a segurança digital.

De acordo com o especialista, a mudança é positiva inclusive para quem é desbancarizado. “Se olharmos estudos de como pagamentos instantâneos cresceram em outros países, em geral o aumento é em locais muito desbancarizados. Há a questão cultural, há muitos analfabetos, o medo de bancos, e essa é uma alternativa mais barata para receber o salário”.

O impacto nas fintechs e empresas convencionais

O PIX terá um impacto do mercado financeiro ao varejo, desde a rotina das pessoas à liquidez das empresas. Ao utilizar essa forma de pagamento, as compras serão feitas muito mais rapidamente – o que pode ser uma solução para eventuais filas e para acelerar a compensação dos valores em comparação a um cartão comum.

Independente se é um banco tradicional ou uma fintech, surge a necessidade geral de se preparar para receber a novidade, pois as transações poderão ser realizadas dentro dos aplicativos. Alguns players do mercado estão participando de fóruns de discussão do BC de planejamento. Davi Vélez, fundador do Nubank, já falou em entrevistas que a fintech está investindo na nova tecnologia.

“A nova infraestrutura de pagamentos instantâneos representa uma grande oportunidade para as fintechs, que poderão criar produtos em que o ato de pagar se tornará quase que invisível. Esta regulamentação representa um marco no sistema financeiro nacional, colocando o Brasil mais uma vez na vanguarda global, da mesma forma que aconteceu quando implementamos o SPB, há quase 20 anos atrás”, conta Guilherme Horn, conselheiro da Associação Brasileira de Fintechs.

Já para as empresas tradicionais, especialmente aquelas com uma grande cadeia de clientes, como o varejo, a mudança também poderá reduzir os intermediários. “O pagamento estará tão barato que se um grande varejista abrir uma instituição de pagamento, ele não irá receber dinheiro em sua conta de algum banco, mas em uma conta própria”, conta Carlos Netto, CEO da Matera. “Irá ler o QR Code e o dinheiro irá cair na conta dele. Não tem nenhum risco do banco dele quebrar, pois virou dono de sua própria instituição de pagamento”.

Deseja saber mais sobre as mudanças em curso nos meios de pagamento? Escute o episódio do MVP, podcast da StartSe, sobre o tema:

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