Investidores podem matar a Uber se venderem o programa de carros autônomos

Os investidores da Uber alegaram que esse seria o melhor caminho para a empresa, considerando as perdas que aconteceram nos últimos 18 meses

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Por Isabella Câmara

16 de agosto de 2018 às 11:01 - Atualizado há 2 anos

De acordo com o The Information, os investidores da Uber defenderam a venda da unidade de carros autônomos da companhia, alegando que esse seria o caminho mais saudável para a saúde da empresa após acumular perdas de US$ 125 milhões a US$ 200 milhões a cada trimestre nos últimos 18 meses. A Uber ainda não divulgou os lucros do seu último semestre, mas, segundo o relatório, feito a partir de informações de uma fonte anônima familiarizada com a situação, a empresa deve divulgar esses dados ainda nesta semana.

Apesar dos prejuízos, a Uber parece se importar mais em seguir a velha estratégia do Vale do Silício – “primeiro crescer, depois ganhar dinheiro”. Além disso, na Nova Economia, perder dinheiro é um dos grandes sinais de ambição necessário para ter sucesso, mostrando que a empresa está investindo na conquista de mercado e no avanço de tecnologias cada vez mais disruptivas. Mas, para financiar as operações, os investidores precisam acreditar no propósito da empresa e estar muito dispostos a desembolsar mais dinheiro do que receber de volta – o que parece que não é mais o caso da Uber.

Em contrapartida, há quem acredite que o real objetivo da Uber envolve carros autônomos – é o caso de Travis Kalanick, cofundador e ex-CEO da companhia. Para ele, o serviço que a Uber oferece hoje é apenas uma prova de conceito, mas o que tornará as ruas realmente seguras, objetivo principal da empresa, são os carros autônomos. “Os carros autônomos do Uber têm um enorme potencial para cumprir nossa missão e melhorar a sociedade, ao reduzir o número de acidentes de trânsito, liberar até 20% do espaço urbano que atualmente se usa para estacionar e reduzir o congestionamento, que implica em um desperdício de bilhões de horas ao ano”, disse.

Mas a implantação dos carros autônomos desafia o que a Uber construiu. A empresa, que se mostra como um serviço que oferece a milhares de condutores no mundo a possibilidade de ganhar dinheiro com corridas sem burocracia, parece não estar de acordo com sua visão – um mundo de carros sem motoristas chamados por meio de um aplicativo. Como diz o próprio vice-presidente de engenharia da companhia, Anthony Levandowski, os veículos autônomos “são centrais na missão da Uber”.

Engana-se, no entanto, quem pensa que um serviço de transporte combinado com veículos autônomos significa menos empregos – pelo menos é o que acredita Kalanick. O executivo aposta que isso fará crescer ainda mais as ofertas de emprego neste segmento, uma vez que, com tantos carros sem motorista em circulação, ainda existirá a necessidade de manter um auxiliar de condução humano. Além disso, de acordo com ele, o crescimento de carros autônomos também aumentará as ofertas de trabalhos de manutenção de veículos e criarão postos de trabalho que ainda não existem.

O único receio do ex-CEO é que as montadoras talvez não aceitem trabalhar em conjunto com a Uber no desenvolvimento desse projeto. Ao contrário dessas empresas, a Uber, que não têm demonstrado nenhum planejamento de construir carros autônomos e vendê-los, não demonstra nenhuma resistência ao trabalhar com as possíveis concorrentes. Travis Kalanick, inclusive, disse uma vez que poderia comprar todos os carros autônomos que a Tesla viesse a desenvolver para colocar em sua rede.

A relação de carros e caminhões autônomos dentro da Uber

Recentemente, a Uber anunciou que estava encerrando sua unidade de caminhões autônomos. Desde o início, o programa atraiu atenção até indesejada, unindo a aquisição da Otto e o processo judicial sobre roubo de segredos comerciais que acabou em acordo multimilionário, e agora parece que a empresa vai concentrar seus esforços apenas na unidade de carros autônomos.

Em um comunicado enviado a funcionários, e obtido pelo TechCrunch, Eric Meyhofer, chefe do Uber Advanced Technologies Group, que liderava a unidade, afirmou que, “ao invés de ter dois grupos trabalhando lado a lado, focados em plataformas de veículos diferentes”, queria uma colaboração como um só time. Segundo o texto, a ideia agora é concentrar as forças da empresa no projeto de carros autônomos, para só depois levar para aplicações de transportes de carga.

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