Pesquisadores usam inteligência artificial para revelar obra inédita de Picasso

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

27 de setembro de 2019 às 17:41 - Atualizado há 2 anos

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Anthony Bouchared e George Cann, pesquisadores da Universidade College London, na Inglaterra, revelaram uma descoberta importante para a História da Arte. Usando inteligência artificial e redes neurais, com algoritmos baseados em modelos matemáticos e no funcionamento do cérebro humano, eles afirmam ter reconstituído uma obra perdida de Pablo Picasso escondida por trás do quatro Vieux guitariste aveugle (O velho guitarrista cego), também pintado por ele.

A obra já conhecida pelo público foi produzida entre 1903 e 1904, durante o “Período Azul” de Picasso. Nesta época, o artista vivia de forma precária em Paris e só usava cores nesse tom para retratar a solidão, pobreza e melancolia que sentia na época. Anos depois, historiadores notaram a presença de uma mulher ligeiramente visível por trás da imagem principal — indicando que Picasso realizou outra pintura antes da Vieux guitariste aveugle.

Em 1998, membros do Instituto de Arte de Chicago, onde o quatro está exposto, fotografaram o quadro usando equipamentos de raio-x e luz infravermelha para tentar descobrir o desenho escondido, mas apenas algumas marcas sutis foram encontradas.

Os pesquisadores de Londres resolveram então retomar o processo, usando um algoritmo criado em 2015 por Leon Gatys e outros cientistas da Universidade de Tubingen, na Alemanha. O sistema é capaz de analisar imagens e reconhecer linhas, arestas, círculos e outros desenhos, identificando figuras como olhos e bocas. Além disso, reconhece padrões de artistas com base em fotografias de suas criações.

Pesquisadores analisaram imagens da obra original, do retrato obtido em 1998 e outras pinturas de referência para chegar ao resultado final

A rede neural foi treinada por Bouchared e Cann para converter a imagem registrada em 1998 em uma nova obra, “reconstituindo” o quadro secreto de acordo com o estilo de Picasso. O resultado é uma versão nítida da pintura, agora chamada La Femme Perdue (A Mulher Perdida).

“O nosso método de combinar obras de arte originais, mas ocultas, contribuições humanas subjetivas e transferência de estilo neural ajuda a ampliar a visão do processo criativo de um artista”, escreveram Bouchared e Cann na tese publicada. Os pesquisadores ainda afirmaram que esse é “apenas o começo” de um processo que tem o potencial de ir ainda mais longe.