Inovação nas empresas: como a reinvenção do negócio pode gerar muito mais faturamento

João Gobira

Por João Gobira

17 de março de 2020 às 15:02 - Atualizado há 3 semanas

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Mudar os rumos da sua empresa pode ser bem melhor do que você imagina.

Quando nós pensamos em empresas de sucesso, é comum imaginar algo perene, que tenha mantido a mesma fórmula durante décadas e ainda continue no topo mesmo depois de tanto tempo. Porém, a inovação nas empresas existe para mostrar que estamos errados – felizmente.

Não precisamos culpar nossa mente, pois é relativamente normal pensar desta forma, embora seja importante flexibilizar os critérios que adotamos para dizer que uma empresa é bem-sucedida ou não, o que no final das contas não está atrelado a ter o mesmo modelo de sua fundação ou a mudar constantemente.

Um panorama similar pode ser feito com o esporte. Por vezes, um jogador de futebol inicia sua carreira em uma posição, muda com o passar do tempo por diferentes motivos e, então, descobre outra função que potencializa seu talento, o que de forma alguma o torna menos digno do que quem sempre manteve a posição.

Vamos analisar algumas estatísticas com as quais provavelmente já nos deparamos em algum momento, mas agora sob o viés da inovação nas empresas, o que fará os resultados soarem bem diferentes.

De acordo com o U.S. Small Business Administration – Office of Advocacy, 79,8% da empresas que começaram em 2016 sobreviveram até 2017. Já em relação às que sobreviveram cinco anos ou mais, a porcentagem variou de 45,4% para as criadas em 2006 a 51% para as que nasceram em 2011.

Também temos dados nacionais, como os divulgados pelo Sebrae Nacional, que constatou, por meio de um estudo realizado em 2013, que 24,4% das empresas falem com menos de dois anos de existência, porcentagem que pode chegar a até 50% para as que têm menos de quatro anos.

É claro que há vários motivos envolvidos em tais falências que nós nem sabemos ao certo, mas será que abrir mão de um modelo que não está dando certo não poderia ajudar a melhorar esses indicadores? Será que o pilar a que elas estavam seguras não era, na verdade, uma âncora que impedia seu crescimento?

É nessa linha de raciocínio que te convidamos a nos acompanhar neste conteúdo, que te fará olhar para a inovação corporativa de uma maneira diferente, ainda mais positiva e acionável do que estamos acostumados, inclusive no quesito financeiro.

A reinvenção pode ser considerada como uma forma de inovação corporativa?

Tecnologia de desempenho (1978)

Com certeza! Embora nem sempre associemos esses dois conceitos, eles são muito próximos, até em sua definição.

De acordo com o Dicionário Michaelis, inovação é o ato ou efeito de inovar e, por extensão, tudo que é novidade; coisa nova. Já reinvenção é o ato ou efeito de reinventar, ou seja, inventar de novo.

Ora, se inovar é ter coisas novas, não há nada que impeça que essa renovação seja completa, o que pode até mesmo modificar o mercado em que a empresa atua ou o público-alvo que deseja atingir, mas não é exatamente isso que encontramos em nossa realidade.

Uma possível explicação para a análise de que a inovação nas empresas por meio de sua reinvenção é algo a se evitar é o senso comum de imediatismo que temos no mundo, o qual tende a se intensificar em uma sociedade que preza cada vez mais pela agilidade e que condena os erros e falhas como se fosse algo absurdo.

Um conteúdo do site Sloww, de autoria de Kyle Kowalski, traz sete hipóteses que tentam explicar porque estamos tão ocupados na vida moderna, em um conceito bem interessante citado pelo autor: o de busyness, que une os negócios com que estamos acostumados ao termo busy, que significa ocupado.

As hipóteses para o porquê de estarmos tão ocupados hoje são as seguintes:

  1. Medalha de honra e símbolo de status;
  2. Segurança profissional;
  3. O medo de perder coisas e experiências;
  4. Um subproduto da era digital;
  5. Uma forma de ocupar o tempo;
  6. Uma necessidade;
  7. Uma maneira de escapar da realidade.

Pode ser que a relação não tenha ficado tão clara, mas nossa sociedade está em uma busca constante por agilidade, produtividade e eficiência, a qual não é negativa por si só, mas quando passa a ser desmedida, pode trazer sérios prejuízos.

Por extensão, ao mesmo tempo em que a inovação nas empresas é bastante procurada, uma total reformulação de seu modelo e suas atividades é algo que nem sempre soa tão bem, ainda mais em um mercado tão “ocupado” para as mudanças.

A reinvenção, inclusive, é algo que não está tão distante assim. De acordo com um estudo publicado pela Elsevier, em que participaram mais de 500 donos de negócios, 49% já tiveram “arrependimento empreendedor”, ou seja, o sentimento é bastante vivo entre quem comanda uma empresa.

Ao analisarmos friamente, não há como essa ser uma decisão equivocada caso o empreendedor realmente deseje proceder desta forma. Afinal, não faz tanto sentido continuar em uma empreitada em que nem mesmo o líder acredita nos potenciais resultados.

É inegável que um dos possíveis arrependimentos dos empreendedores é o baixo faturamento do negócio, o qual, na verdade, costuma ser um sinal de que algo está errado na gestão ou nas atividades daquela empresa.

Seja para quem empreende por oportunidade ou por necessidade, o faturamento é um dos principais objetivos a curto, médio e longo prazo e que, portanto, se coloca como uma das prioridades para qualquer negócio.

Se um bom faturamento não está sendo atingido, porém, este não deve ser um sinal para desistir de empreender, mas sim para mudar algumas coisas. Afinal, como diz uma famosa frase supostamente atribuída a Albert Einstein, “insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar um resultado diferente”.

Casos de sucesso de empresas que se reinventaram

técnica de blitzscaling

A melhor forma de mostrar que a reinvenção é uma alternativa realmente positiva para a inovação nas empresas em termos financeiros é trazer exemplos práticos de quem já fez isso para inovar e conseguiu resultados excelentes. Assim, você terá aquele incentivo que faltava para tomar coragem e revolucionar seu negócio!

IBM

ibm responsavel por inovação

A IBM era a maior empresa de computação no início dos anos 80 e continua sendo um dos maiores players do segmento de tecnologia. Pode parecer difícil acreditar que essa hegemonia já tenha sido ameaçada, mas acredite: isso já aconteceu.

Em suma, por volta de 1984, a IBM reinava soberana entre as empresas de computação com o icônico PC. As peças eram adquiridas de fabricantes menores e seus computadores eram entregues com o sistema operacional Windows, da Microsoft.

A grande questão é que outros fabricantes começaram a construir computadores com componentes mais baratos e entregar as mesmas versões do Windows, o que não era nada bom para a IBM. Apenas no segundo quarter de 1993, a empresa teve um prejuízo de nada menos que US$ 8 bilhões!

Foi então que a inovação corporativa aconteceu. A empresa decidiu deixar de construir e vender processadores, impressoras e outros hardwares baratos e passou a se concentrar nas áreas de TI e serviços computacionais para empresas.

O resultado disso tudo foi que a empresa continuou a ocupar um lugar de grande destaque no mundo corporativo. Apenas no Q4 2019, o faturamento foi de US$ 21,8 bilhões.

Shell

empresa shell de combustivel promove inovação

Uma das maiores e mais ricas empresas do setor de energia atualmente, a Shell começou em 1833 como uma pequena loja de antiguidades e colecionáveis em Londres, a qual vinha se especializando na importação de conchas decorativas do extremo Oriente.

Seus filhos fizeram com que a loja se transformasse em um negócio de maior porte, atuante como importadora e exportadora. Os navios saíam de Londres carregados de máquinas e equipamentos e voltavam do Japão e da China com arroz, seda e talheres.

No final do século XIX, o mundo passou por um boom do petróleo. Motores de combustão interna estavam no centro de uma revolução global. Os filhos de Samuel, então, construíram o primeiro petroleiro a granel para navegar o Canal de Suez em 1892, o que levou a eficiência a níveis muito mais elevados.

No ano de 1897, a empresa passou a se chamar Shell Transport and Trading Company. No início do século XX, a Shell se uniu à Royal Dutch Petroleum, sua concorrente mais próxima nos campos de petróleo do extremo Oriente, para juntar forças contra a John D. Rockefeller’s Standard Oil.

Foi daí que surgiu o Royal Dutch Shell Group, com postos visitados por mais de 20 milhões de pessoas todos os dias. O faturamento no Q3 2019 foi de US$ 89,541 bilhões.

Este é um exemplo considerável de inovação nas empresas, já que a Shell mudou sua área de atuação e se uniu a uma das maiores concorrentes para alcançar o sucesso.

Nokia

empresa nokia de telefonia

Este é um exemplo curioso, pois mostra que a inovação nas empresas nem sempre precisa acontecer apenas uma vez como também pode se estender para várias estratégias inovadoras.

Em 1871, o engenheiro de mineração Fredrik Idestam construiu a segunda fábrica de papel às margens do rio Nokianvirta, próximo à cidade de Nokia, no sudoeste da Finlândia. A empresa passou a se chamar Nokia Ab. Já em 1898, a Finnish Rubber Works começou a fabricar pneus e galochas de borracha.

A Finnish Cable Works se juntou a essas duas empresas e as três juntas se transformaram na Nokia Corporation, que tinha como seu carro-chefe a fabricação de botas de borracha de design simples e colorido.

Em 1963, a divisão de eletrônicos da Nokia começou a fazer telefones de rádio para os serviços militares e de emergência. No final da década de 1970 e início da década de 1980, a empresa estava criando os primeiros telefones de rádio comerciais e telefones para carros.

As divisões de papel e borracha foram vendidas para que a Nokia pudesse focar exclusivamente nos celulares, que operavam na então nova rede GSM. Desde então, de 1998 a 2012, a Nokia vendeu mais celulares que todas as outras fabricantes no mundo. No Q4 2012, o faturamento foi de US$ 10,708 bilhões.

Essa posição de destaque foi perdida e hoje a Nokia não está entre os maiores players no mercado de smartphones. Para fins de comparação, o faturamento no Q3 2019 foi de US$ 6,323 bilhões, enquanto a Samsung faturou aproximadamente US$ 51,736 bilhões no mesmo período, ou seja, mais de 8 vezes este valor.

Porém, com uma história tão inspiradora, a inovação nas empresas do grupo pode ser alcançada novamente com um bom planejamento e ações precisas no mercado.

Inovação nas empresas: reinventar é sinônimo de viver

Experiência de Hawthorne (1927-1932)

Nem todas as empresas são obrigadas a se reinventar, já que algumas delas conseguem se manter na mesma área por décadas. Porém, nunca se sabe quando será preciso se reinventar para continuar em um mercado cada vez mais concorrido, como vimos nos exemplos anteriores.

Pode parecer insano mudar a área de atuação de uma empresa, mas mais insanidade ainda é ver que o futuro não reserva boas coisas e ficar parado. É preciso ter coragem para tomar tal decisão, mas os bons frutos são evidentes.

Assim como há dificuldades em manter uma startup funcionando, o mesmo também se aplica a outras empresas, independentemente de qual seja seu porte, e analisar o rumo que os negócios estão tomando faz parte desses desafios.

A inovação nas empresas é uma opção para alguns e uma necessidade para outros. Como nem sempre é possível saber em que grupo se está, o ideal é ter uma mentalidade aberta a mudanças. Assim, caso este momento chegue, a adaptação será tranquila e os resultados financeiros poderão voltar aos seus melhores níveis.