União com startups, nova cultura e presença no Vale: a constante transformação da Gerdau

Há mais de 100 anos no mercado, a companhia modernizou seu ambiente de trabalho, treinou os seus colaboradores para que adquirissem um novo mindset, e se aproximou de um ecossistema global de inovação

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

30 de outubro de 2018 às 14:28 - Atualizado há 1 ano

Gerdau

Presente no setor de metalurgia e siderurgia desde 1901, a Gerdau, com sede no Brasil e operações em outros 11 países, está se reinventando para seguir competitiva nos mercados onde atua. Um dos líderes envolvidos neste processo é Luiz Fernando Medaglia, gerente de inovação. Nos últimos anos, o executivo tem atuado em frentes de Inovação, bastante alinhado com os esforços de transformação cultural e digital da companhia.

Modernização Cultural e Propósito

Com o objetivo de criar a estrutura apropriada para inovar, nos últimos anos, a Gerdau vem investindo forte em transformação cultural. Atributos como abertura, simplicidade, autonomia e desenvolvimento de líderes estão sendo trabalhados com os colaboradores, visando a criação de um ambiente cada vez mais dinâmico e preparado para enfrentar um contexto cada vez mais desafiador.

Além disso, ao se questionar sobre o impacto e legado que busca deixar como empresa, recentemente, definiu seu propósito: “Empoderar pessoas que constroem o futuro”. “A transformação cultural veio num primeiro momento para olharmos para dentro e entender mudanças necessárias no nosso jeito de trabalhar e fazer negócios. Entendendo que já evoluímos bastante nessa trajetória, o propósito agora vem com o olhar para fora, para o legado que queremos deixar. Esse movimento gerou um terreno fértil onde nós, colaboradores, nos sentimos protagonistas e nos motivamos a buscar soluções inovadoras para a companhia, o mercado e a sociedade”, comenta Medaglia.

Novos ambientes

Outra mudança significativa foi a criação de ambientes modernos e abertos. Diretores passaram a compartilhar a mesma sala, as paredes ganharam novas cores, os espaços informais e colaborativos se tornaram parte da companhia e os colaboradores têm maior flexibilidade na jornada de trabalho, além da alternativa de home office. Tudo para que essa mudança de cultura se tornasse real e percebida. “O objetivo era trazer um espaço mais aberto, leve e dinâmico para se trabalhar”, diz Medaglia.

Segundo Medaglia, o novo ambiente está alinhado à proposta de mentalidade ágil – conceito que está sendo praticado na companhia. “Ambientes abertos e colaborativos permitem a comunicação mais efetiva e direta.  Adicionalmente, tornam o clima organizacional mais leve, dinâmico, criativo e menos hierárquico. É uma premissa chave para respondermos de maneira mais rápida às demandas externas”, explica.

Inovação na prática

Em 2016, a companhia promoveu o seu primeiro hackathon. Levando em consideração as tecnologias que estão impactando o mercado, o desafio proposto foi a busca de soluções que trouxessem facilidade de fazer negócios com a Gerdau. Estudantes de universidades puderam apresentar soluções para o tema, como por exemplo a ideia de um Chatbot, que hoje já está em curso dentro da empresa. “Colocamos nossos colaboradores em contato com estes estudantes. A troca foi muito rica para ambas as partes. Pudemos compartilhar nossas experiências e absorver muito desta nova cultura”, explica Medaglia.

No ano de 2017, visando identificar oportunidades que representassem o futuro da construção civil, em conjunto com outros grandes players e uma aceleradora reconhecida, a companhia realizou um programa de aceleração de startups. “Foi uma iniciativa muito interessante, que nos trouxe aprendizado sobre o tema construtech, além de reforçar o posicionamento da Gerdau como protagonista na construção do futuro.”

Relacionamento com startups

A Gerdau monitora atentamente o ecossistema de Inovação, visando identificar oportunidades que contribuam em sua transformação digital ou representem oportunidades de novos modelos de negócio. Um dos caminhos utilizados é o de parcerias com startups.

Como parte desta jornada, a Gerdau se uniu à StartSe, estabelecendo uma relação muito próxima com o Vale do Silício. Por meio do Corporate Venture as a Service, serviço da StartSe que conecta a estratégia da empresa com ecossistemas de inovação variados, a companhia passou a ter acesso às principais tendências do mercado e startups do maior pólo de inovação do mundo para acelerar sua transformação.

“É importante estar conectado com o ecossistema, para entender de que forma o mercado está se movimentando, identificar as tecnologias emergentes, assim como antecipar as principais oportunidades existentes nos setores que atuamos”, diz Medaglia. Como resultado desta parceria, mais de 100 startups foram avaliadas, dois “demo days” realizados, e startups focadas em produtividade e Customer Experience já estão trabalhando com a Gerdau. Fruto do primeiro demo day realizado em Outubro de 2017, a 3DR Robotics – plataforma digital que realiza topografia de solo com utilização de drones – já está implantada na Gerdau, com plano de expansão de escopo já desenhado.

Chegada ao Vale do Silício

Considerando os bons resultados obtidos durante estas imersões, a Gerdau decidiu implantar um Outpost no Vale do Silício. O Outpost será uma base avançada da companhia no Vale do Silício, com o objetivo de buscar soluções em termos de produtividade para o core business da empresa e para seus clientes, bem como analisar tendências e investir em novos negócios. Além disso, a iniciativa tem como intuito disseminar a cultura digital promovida pela Empresa, com foco em empreendedorismo, inovação, métodos ágeis e diversidade.

O início se dará com uma equipe formada por dois profissionais seniors com perfis complementares: visão estratégica e de negócios combinado com conhecimento tecnológico e de TI. O objetivo é ampliar a presença no Vale do Silício à medida em que as soluções e investimentos incorporem valor ao negócio.

Os efeitos da nova Gerdau nos colaboradores

Segundo Medaglia, é muito positivo o efeito dessa transformação. “Noto hoje uma empresa mais aberta, colaborativa, com diversidade e, como consequência, mais inovadora. Além disso, temos uma Gerdau mais ágil, preparada para a nova geração de trabalho e para os próximos anos. O saldo é muito positivo, e com certeza será ainda melhor no futuro”, completa.