Qual o futuro dos patinetes elétricos no Brasil? Mercado entra em nova fase

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

3 de fevereiro de 2020 às 18:54 - Atualizado há 8 meses

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O trânsito intenso de patinetes elétricos nas ruas de São Paulo – como nas avenidas Faria Lima ou Paulista – denuncia o quanto este mercado foi movimentado em 2019. Enquanto reguladores brasileiros se adaptavam e criavam decretos para recebê-los, as empresas expandiam suas operações e novas marcas aterrissavam no mercado. A Grin e a Yellow, precursoras no modelo, realizaram uma fusão, criando a Grow. A Lime, que opera em mais de 100 cidades ao redor do mundo, chegou em São Paulo e no Rio de Janeiro em junho.

Mas tampouco chegou, a Lime saiu. A companhia passou apenas um semestre em terras tupiniquins. A empresa encerrou sua operação no Brasil e em 10 cidades pelo mundo. No anúncio feito em janeiro, a companhia afirmou que decidiu deixar os locais em que a “micromobilidade evoluiu mais lentamente”.

Enquanto a Lime estava chegando no Brasil, a Grow comemorou 10 milhões de corridas realizadas na América Latina. No entanto, apenas seis meses depois, a startup de modalidade urbana anunciou que está retirando seus patinetes elétricos de 14 cidades do país. A mudança é para “continuar prestando serviços de forma estável, eficiente e segura”. A companhia irá continuar operando apenas em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.

Durante todo o ano passado, essas empresas lidaram com questões que poderiam dificultar – e muito – seus negócios. A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, chegou a apreender mais de 500 patinetes da Grow. A Prefeitura justificou que a empresa não estava atendendo a um novo decreto, que requeria uso de capacetes e a proibia circulação nas calçadas.

Os patinetes elétricos causaram polêmica desde o momento em que começaram a circular pelas ruas. Se eles seriam depredados, furtados ou roubados foram algumas das perguntas frequentes.  Ao longo do ano, parte das dúvidas foram resolvidas: embora alguns veículos de fato sofressem essas mazelas, o compartilhamento de patinetes foi algo muito presente no cotidiano em regiões específicas das cidades.

A regulamentação em SP e RJ

“Qual deve ser a regulamentação?” também foi uma das principais pautas do ano passado. As prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro protagonizaram discussões. Em alguns momentos, em São Paulo, era obrigatória a utilização de capacetes. Depois, deixou de ser. Já no Rio de Janeiro, chegou a ser pensada a necessidade de prestar uma prova no Detran para conduzir os veículos, que podem chegar à 30 km/h, a depender do modelo.

O último decreto que rege São Paulo entrou em vigor em 31 de outubro. No momento, é proibido estacionar os patinetes em vias públicas, como ciclovias ou calçadas; as empresas devem ser cadastradas junto ao órgão regulador; a velocidade máxima de 20 km/h (e de 15 para as primeiras corridas do usuário).

A velocidade máxima é a mesma no Rio de Janeiro, embora os usuários iniciantes deverão permanecer em até 12 km/h até a nona viagem. Já em parques urbanos, praças públicas e em vias fechadas para lazer, a velocidade máxima passa a ser de até 6 km/h. Como em SP, o uso de capacete não é obrigatório, embora as empresas tenham que recomendá-lo. Independente da cidade, as companhias estão sujeitas a multas em caso de descumprimento pelas regras.

Embora não tenha caráter definitivo em ambos os locais, com os novos decretos a regulamentação deixou de ser uma questão urgente. A discussão que se segue é: este modelo de negócios é sustentável?

O modelo de negócios

A redução de operação da Grow e a saída em definitivo da Lime apontam que, embora inovador, este mercado ainda passa por dificuldades. Passadas as etapas de descobrimento e regulamentação, o desafio em que as companhias se encontram no Brasil é a de sustentabilidade. A Grow teve a oportunidade de testar em quais cidades o veículo elétrico teve um desempenho maior com os usuários. Curitiba, no Paraná, é a única cidade que foge do eixo São Paulo-Rio de Janeiro.

Mas enquanto as empresas do setor aprendem onde este modelo de negócios tem o maior potencial de desenvolver, novos competidores se preparam para operar. A Scoo está chegando de mansinho nas estações da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo. Já a Uber decidiu trazer seus patinetes elétricos para o Brasil iniciando por Santos, cidade litorânea de SP.

A chegada da Uber está balançando este mercado. Enquanto a Scoo está encontrando seus clientes em locais em que precisam de um transporte para completarem com mais rapidez seus trajetos (conhecido como last mile), a Uber possui a vantagem da praticidade. Os usuários podem alugar os patinetes elétricos no mesmo aplicativo em que pedem por corridas de carros ou pedem delivery (com o Uber Eats). O veículo faz parte do objetivo da empresa de se tornar uma plataforma completa de mobilidade urbana.

A Uber não revelou, ainda, quais são seus planos para os patinetes no Brasil. A companhia recebeu, recentemente, permissão para operar em São Paulo. Agora, passada a fase da “novidade”, essas empresas irão descobrir como – e até quando – esses veículos permanecerão na rotina das pessoas.