Embraer terá avião autônomo, elétrico e que transmite dados

Futuro da empresa brasileira de aviação está sendo construído em conjunto com startups de inteligência artificial

João Ortega

Por João Ortega

30 de outubro de 2019 às 16:55 - Atualizado há 4 meses

A Embraer busca inovação em todos os seus processos e está definindo o futuro para a aviação nacional, segundo Sandro Valeri, diretor de estratégia de inovação da empresa. Na Inteligência Artificial Conference, da StartSe, o executivo detalhou a visão da Embraer para a próxima geração de aviões: autônomos, elétricos e que transmitem dados dos voos para a base.

Inovação

Segundo Valeri, adotar uma estratégia de inovação é fundamental para que a Embraer se mantenha na liderança nacional do setor. “Teremos em breve outra fabricante do setor de aviação no país”, afirma em relação à Boeing Brasil, empresa que será criada após a concretização da compra da área de aviação comercial da Embraer pela concorrente norte-americana.

“Estamos mantendo aproximadamente metade da receita ligada a produtos inovadores”, explica Sandro Valeri. “Isto significa que, há cinco anos, 50% da receita que temos hoje não existia. E que, daqui a cinco anos, os produtos que temos hoje serão apenas metade da receita que teremos”.

Desde 2005, a Embraer investe em inteligência artificial para criar novos produtos e otimizar processos internos e externos. Inicialmente, a estratégia era desenvolver as tecnologias “em casa”. Hoje, parcerias e investimentos em startups são os principais instrumentos para promover inovação com IA.

Avião do futuro

Sandro Valeri afirma que a aeronave E2, da Embraer, é o primeiro modelo da empresa que armazena todos os dados obtidos durante o voo e os transmite, ao pousar, para a base do aeroporto. Este modelo será replicado para os novos veículos desenvolvidos pela fabricante.

Está nos planos da Embraer desenvolver aviões elétricos. Inclusive, estes veículos poderão ser usados em um contexto urbano, como taxi aéreo, e não apenas para viagens de longa-distância. “Já estamos trabalhando nisso, mas vamos começar com híbridos”, revela Valeri.

Para um futuro mais distante, a previsão da Embraer é ter aviões autônomos realizando viagens comerciais. Neste sentido, a empresa já realizou um teste com sucesso no Espírito Santo, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e a startup Motora, na fase de taxiamento (em solo) de uma aeronave autônoma. “Esta é a etapa da jornada do avião com mais desafios para a direção autônoma”, explica o executivo. “No entanto, embora a tecnologia deve estar pronta em alguns anos, tem toda a questão regulatória e principalmente de segurança para realizar voos autônomos comerciais. Precisamos coletar muitos dados”.