Eleições 2018: Henrique Meirelles quer digitalizar o governo do Brasil

A StartSe analisou o documento do candidato à presidência para descobrir o que ele pensa sobre inovação e tecnologia

Avatar

Por Da Redação

28 de setembro de 2018 às 12:15 - Atualizado há 1 ano

Henrique Meirelles

A StartSe iniciou uma série de análises sobre os planos de governo dos principais candidatos à presidência do Brasil. O objetivo é conhecer suas propostas sobre tecnologia, inovação e empreendedorismo, temas centrais para o desenvolvimento de nosso País. Após os candidatos Guilherme Boulos, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Fernando Haddad e Geraldo Alckmin serem analisados, agora é a vez de Henrique Meirelles.

Nos próximos dias, teremos matérias sobre as propostas de Marina Silva (REDE) e Álvaro Dias (PODEMOS). Todos esses presidenciáveis foram convidados a dar entrevistas em vídeo, mas apenas João Amoêdo (NOVO) aceitou o convite até agora – os outros declinaram por incompatibilidade de agenda.

Henrique Meirelles, 73 anos, é candidato à Presidência pelo MDB, partido do atual presidente Michel Temer. Depois de uma longa carreira na iniciativa privada, tendo liderado o BankBoston – o primeiro brasileiro a liderar um banco americano. 

Iniciou sua carreira política em 2002, sendo eleito deputado federal pelo PSDB. Em 2003, renunciou ao cargo para assumir a  presidência do Banco Central do governo Lula, onde ficou até 2010. Trabalhou para o grupo J&F depois, trabalhando na construção do Banco Original – que se orgulha em ser um dos primeiros bancos a conseguir operar de forma praticamente 100%. Em 2016, foi nomeado ministro da Fazenda, deixando o cargo neste ano para se candidatar.

O plano de governo do candidato possui 21 páginas, e pode ser acessado aqui. É provavelmente o mais vago em termos de detalhamento em relação ao que será feito para as áreas de empreendedorismo, tecnologia e inovação. Basicamente, é apenas uma única proposta para a área de tecnologia, mas há também uma ênfase na abertura da economia que pode resultar em maior empreendedorismo no Brasil. 

Gabinete Digital

Segundo Meirelles em seu plano de governo, “o Brasil mais forte deve tornar os serviços públicos e as ações de governo mais acessíveis aos cidadãos, a partir de novas tecnologias, colocando o Governo Federal verdadeiramente no século 21”.  Para isso, o candidato planeja criar um Gabinete Digital ligado diretamente ao Presidente da República.

De acordo com o documento, o Gabinete Digital será responsável por criar novas soluções para os cidadãos, além de pensar em todas as ações digitais já existentes, integrando todos os sistemas do governo, centralizando as informações dos cidadãos e tornando-as acessíveis onde eles estiverem. É a digitalização do governo federal, garantindo maior eficiência. 

Meirelles acredita que “a tecnologia é a grande aliada para reduzir a distância entre a prestação de serviços públicos e a população, por isso precisa ser usada como uma política de Estado, refletindo a realidade de uma parcela cada vez maior de brasileiros”.

Por fim, o candidato menciona  em seu plano de governo a pesquisa TIC Domicílios 2017, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, que indica que 120,7 milhões acessam a internet, presente em 42,1 milhões de lares – 87% usam a rede todos os dias ou quase todos os dias. O documento também traz dados sobre transações bancárias feitas por celular, que representaram 35% do total de 71,8 bilhões de operações realizadas no ano passado.

Candidato Geek

O Gabinete Digital é a única proposta para tecnologia e inovação registrada no plano de governo do candidato, mas ele tem falado de outras iniciativas conforme vai realizando sua campanha. Além do documento, Meirelles declarou, durante o GovTech, evento organizado pelo BrazilLAB e pelo ITS Rio, que o Brasil conhecerá um Meirelles “geek” – apelido que acabou pegando. 

No evento, o candidato reforçou que pretende digitalizar o governo federal e tornar mais rápido o registro de uma empresa no país,  que demora hoje cerca de 79 dias. Segundo Meirelles, se for eleito, uma empresa conseguirá se registrar em apenas três dias.

Essa medida, para o político, será eficaz para acelerar a economia, incentivar os empreendedores e aumentar o número de empresas no país. Ou seja, o meio digital passa a ser o maior permitidor do avanço do empreendedorismo no Brasil. 

No mesmo evento, Meirelles explicou melhor que usará a tecnologia para reestruturar o governo e dar mais transparência nas informações, propostas que também compõem o “gabinete digital” no Plano de Governo. “De tudo o que se faz, o que interessa, em última análise, é o efeito que a tecnologia terá na vida das pessoas”, declarou.

Banco Original

Um ponto interessante é que Meirelles já tem experiência na digitalização de serviços que são prestados primariamente de forma analógica. O candidato esteve à frente da digitalização do banco Original, relançando o banco em março de 2016, como a primeira instituição totalmente digital do Brasil. Na época, Meirelles era presidente do Conselho da J&F, holding do grupo que produz as marcas Friboi, Seara, Vigor e Havaianas. O projeto teve início em 2013. Em 2015, um site com a nova identidade do banco foi lançado como primeira iniciativa.

De acordo com o político, o banco investiu cerca de R$ 600 milhões na sua plataforma digital para oferecer serviços iguais aos bancos tradicionais, mas feitos pelo aplicativo. A expectativa era aumentar de 5.500 clientes para 2 milhões em dez anos. Também foi lançado, em 2016, o Bot Original – robô que permite interação com o público pelo Messenger do Facebook.