Edição genética com CRISPR em bebês é proibida na China

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

21 de janeiro de 2019 às 12:43 - Atualizado há 2 anos

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Um experimento recente chocou o mundo inteiro: a edição genética em bebês. O cientista He Jiankui liderou o processo e foi repreendido pela comunidade médica. Agora, o governo chinês decretou que o experimento é proibido no país.

Quando Jiankui iniciou o processo, em março de 2017, poucas pessoas sabiam de suas verdadeiras intenções. Oito casais foram recrutados para o que pensavam que seria um teste de vacina contra AIDS, usando CRISPR. A iniciativa rendeu duas gestações com bebês geneticamente modificados contra a AIDS. Ainda não se sabe se a iniciativa trouxe resultados.

Uma investigação foi iniciada assim que Jiankui divulgou seus resultados, em novembro do ano passado. A conclusão que levou o governo chinês a proibir a edição genética com o propósito de reprodução é que o cientista usou tecnologias não-seguras e forjou documentos éticos.

A Xinhua, agência oficial de notícias do governo chinês, informou que, com a proibição, o cientista, sua equipe e pessoas relacionadas serão punidas de acordo com a lei.

Das duas gestações originadas pelo experimento, um casal de gêmeas nasceu em dezembro. Chamadas de “Lulu” e “Nana”, agora elas passarão a ser monitoradas para identificar as consequências da edição genética realizada. O bebê da segunda gestação ainda não nasceu.

O que é a CRISPR?

A tecnologia CRISPR permite que os cientistas editem partes do genoma dos indivíduos. Na época, o criador da tecnologia pediu que encerrassem os testes com bebês. “Dado o atual estado da tecnologia, eu sou a favor da implantação de uma moratória para embriões editados”, afirmou Zhang em um comunicado ao MIT Technology Review.

Onde está o cientista?

Após divulgar sua pesquisa, He Jiankui foi declarado desaparecido. Segundo o South China Morning Post, existem boatos de que o cientista pode estar sendo mantido sob prisão domiciliar ou detido pela polícia. As especulações foram desmentidas por um dos membros de sua equipe na Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul de Shenzen.