École 42, escola francesa que ensina programação de graça, abre unidade em SP

A École 42 abre nesta terça-feira (2) o seu processo seletivo para até 180 alunos; nova unidade de São Paulo é liderada por Guilherme Decourt, Mari Marcilio, Karen Kanaan e Guiga Caixeta

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Por José Eduardo Costa

1 de julho de 2019 às 11:10 - Atualizado há 8 meses

A escola francesa de programação École 42 abre, em agosto, a sua primeira unidade em São Paulo. Sem professores. Sem horários fixos. E, de graça. Criada em 2013, em Paris, pelo bilionário francês Xavier Niel, dono de uma fortuna de US$ 4,6 bilhões, segundo a revista americana Forbes, ele doou 50 milhões de euros ao projeto.

A doação garantiu a construção e a manutenção da escola pelos dez anos seguintes à fundação, sem a necessidade de cobrança de matrícula e mensalidade. Após esse período, a expectativa é que a escola se mantenha graças ao patrocínio de empresas, investidores e doações de ex-alunos. A unidade paulista, por exemplo, contou com o financiamento de empresas e family offices. O aluno, no entanto, não desembolsa um único Real para ter acesso ao método de ensino.  Além da gratuidade do ensino, a École 42 aposta em um modelo diferente de educação.

No início, a École 42 nasceu para formar engenheiros de software altamente qualificados, por meio de um programa intensivo de treinamento. Com o tempo ela foi se moldando ao mercado e ao seu público alvo. A escola trabalha com a ideia de aprendizado autônomo. Os estudantes aprendem tudo para se tornar programadores independentes e trabalhar em empresas e startups, ou empreender o seu próprio negócio.

Os alunos cumprem desafios de programação, dados pelos coordenadores. Os desafios vão ficando mais difíceis à medida que o aluno avança no programa, que possui 21 módulos e pode durar até três anos. Embora não exista uma ementa programática, há um cronograma a ser seguido com palestras ministradas e projetos práticos nas áreas de Inteligência Artificial, Redes, Programação Funcional, Segurança, Unix, Ruby entre outros.

Essa proposta de ensino foi em grande parte derivada da experiência da maior escola particular de informática na França, a Epitech, fundada em 1999 por Nicolas Sadirac, onde os estudantes ensinam uns aos outros. Sadirac saiu da Epitech em março de 2013 para dirigir a primeira unidade École 42, que ajudou a fundar. Ele continua até hoje como diretor-geral da escola de Paris. Assim como  na Epitech, o ensino da École 42 é baseado no trabalho colaborativo dos estudantes.

A responsável pela operação da unidade de São Paulo é a publicitária Karen Kanaan, que junto com Guilherme Décourt, ex-sócio do fundo de capital de risco Monashees, negociou o contrato com a matriz francesa, para a instalação da unidade da capital paulista. Trata-se da segunda unidade da escola no Brasil. Em dezembro de 2018, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento e Gestão e Fábrica de Startups, foi aberta no Rio de Janeiro a 42 Rio.

Como funciona na prática

O site da unidade paulista da École 42 afirma que “ a 42 não é uma escola ou uma faculdade. Somos um espaço onde você escolhe aquilo que quer aprender e aprende fazendo.” A unidade funciona 24 horas, sete dias por semana, e o aluno pode fazer o programa no seu ritmo. Cada projeto é um desafio, que possui uma breve descrição, objetivos e habilidades, onde os participantes definem quando iniciam e concluem, trabalham e aprendem. Alguns projetos são individuais e outros são feitos em grupos, simulando o trabalho no mundo real.

Os interessados em se inscrever para o processo seletivo da unidade paulista da École 42 devem se inscrever no site. As inscrições começam nesta terça-feira (2/7) e, neste primeiro ciclo, a escola espera selecionar 180 alunos. Àqueles que forem aceitos têm 100% da sua bolsa patrocinada por fundações, empresas e pessoas físicas. Não é necessário formação ou experiência anterior em programação. A única exigência é que o candidato tenha mais de 18 anos e seja uma pessoa questionadora, com uma enorme vontade de aprender.

O processo seletivo se dá em três fases: teste online, entrevista presencial e uma imersão de 28 dias na unidade da escola na Vila Madalena, em São Paulo, que irá apresentar o candidato ao método de aprendizagem.

Depois da imersão, ou piscina como o time da École 42 chama essa etapa, são selecionados os estudantes que vão prosseguir no programa de três anos da École 42.

As inscrições para ingresso na unidade paulista ainda não estão abertas. “Estamos preparando os jogos e o nosso processo seletivo. Em algumas semanas teremos novidades”, diz Karen, responsável pela unidade paulista da École 42.

Foto: divulgação

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