União com startups e imersão no Vale do Silício: a transformação da Cetelem

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

4 de setembro de 2018 às 12:01 - Atualizado há 2 anos

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Logo que chegou à Cetelem, em junho de 2013, Wellington Moraes teve uma importante missão: traçar um caminho que levasse a instituição financeira, criada originalmente na França em 1953, até a famosa transformação digital. O objetivo era transformar o ambiente no Brasil, até então mais tradicional, e alavancar as experiências digitais dos clientes e colaboradores.

Na teoria, pode até parecer simples, mas o atual head de estratégia digital e inovação precisou começar de baixo. “A Cetelem ainda não estava preparada para falar sobre inovação. Por isso, focamos em criar uma base e, antes de tudo, ensinar o conceito de transformação digital”, explica.

Trabalho de base

Assim, teve início o incentivo à uma nova cultura na instituição. O primeiro passo foi, em parceria com a equipe de RH, capacitar os líderes de cada área. Ao todo, foram 120 pessoas recebendo um treinamento de oito horas – no estilo sala de aula. “Foram quatro módulos sobre digitalização e inovação”, conta Moraes.

Depois, foi hora de recrutar talentos que já estavam no “espírito” da transformação, reforçando os times para uma nova fase da Cetelem. “Em um primeiro momento, decidimos investir em pessoas, treinamento e cultura”, explica o executivo. Foi então que, cerca de dois anos depois, era hora de alçar novos voos.

Uma nova Cetelem

O projeto de transformação digital da instituição teve início no final de 2015 com um grande investimento do Grupo. O objetivo era reconstruir os canais digitais, criar novos aplicativos, reestruturar os processos internos e transformar o relacionamento com o cliente.

Além disso, o executivo passou a trabalhar para que a Cetelem se conectasse à um novo ecossistema: o de startups. “Esse não seria um processo isolado, por isso todos se envolveram nessa nova fase – desde a área de marketing ao jurídico”, explica Moraes.

Foi quando a empresa se tornou parceira da StartSe e acelerou suas iniciativas rumo à Nova Economia. “Tínhamos alguns desafios e a ideia de resolvê-los junto às startups. Precisávamos estar mais próximos delas”, ressalta o executivo. Para isso, a Cetelem decidiu colocar em prática algumas ações para aprimorar ainda mais os processos internos.

Uma delas foi o screening. Em parceria com a StartSe, a instituição fez uma seleção de startups das áreas de finanças e operações. “Criamos um procedimento que envolvia inscrições, pitch day e desenvolvimento de soluções testes”, conta o executivo. Para facilitar o relacionamento com as startups, a Cetelem alterou até mesmo seu contrato – uma papelada de trinta páginas reduzida à sete. O importante, segundo Moraes, era resolver os desafios e se inserir em um ambiente de inovação.

No ano passado, a instituição resolveu ir além, apostando também no Breaking The Walls, iniciativa da StartSe para conectar grandes empresas à startups por meio de um ciclo de apresentações mensais. Cada rodada é dedicada à uma área – recursos humanos, jurídico, marketing, vendas, logística, projetos, TI e compras. “Levamos coordenadores e gerentes de cada setor para que tivessem um olhar diferente. Muitas vezes, as startups nos davam ideias que não havíamos pensado antes”, ressalta o executivo. Segundo Moraes, o relacionamento com as startups funcionou como um treinamento prático de tudo que aprenderam na teoria.

Presença no Vale

Como head de estratégia digital, Moraes já estava acostumado a visitar o Vale do Silício, o maior pólo de inovação do mundo. O local se tornou um dos destinos mais buscados pelas empresas que querem se transformar. Ao longo dos anos, companhias e startups passaram a fazer parte do Vale por motivos simples: acelerar o crescimento, transformar a cultura interna e se aproximar de um novo ecossistema. Ali, as ideias se formam rápido, assim como as principais tendências mundiais.

Para mostrar isso ao restante do banco, Moraes resolveu enviar um líder de gerência para conhecer a região por meio da Missão Vale do Silício da StartSe. Durante uma semana, ele pôde abrir a mente, conhecer tendências e visitar lugares inspiradores. “Isso foi importante para que ele pudesse respirar essa nova cultura”, ressalta Moraes.

Por outro lado, para ter experiências mais voltadas ao mundo corporativo, Moraes participou da Missão Corporate Venture do Vale do Silício, em abril deste ano, voltada à grandes companhias e como trilhar caminhos rumo à Nova Economia. “Diferentemente das outras idas, pude ter acesso à empresas que estão inovando e entender como elas avaliam as startups, como definem fundos de investimento e se posicionam nesse novo cenário”, conta o executivo, que também viu na experiência uma oportunidade de aprimorar sua rede de contatos.

Na prática

Em pouco tempo, o relacionamento com as startups e a transformação nos processos já começaram a dar resultados. Por meio da tecnologia, a Cetelem testou e teve sucesso com diversas ferramentas, como reconhecimento facial, preenchimento automático de formulários, chatbots,  whatsapp e integração de canais para atendimento omnichannel, assinatura digital, automatização do reconhecimento de documentos e até mesmo robôs para uso jurídico.

Nos últimos dois anos a Cetelem elaborou vários PoCs (Proof of Concept ou Prova de Conceito), conversaram com mais de 24 startups e no mesmo período saíram de zero transações digitais na área de cobranças para 60% delas.

Para os próximos meses, a instituição planeja capacitar todos os seus 500 funcionários e já vem trabalhando em soluções e provas de conceito para o futuro. “O que vai impactar a Cetelem em 2, 3 ou 10 anos? Precisamos, no mínimo, nos questionar. As empresas que não pensarem nessas perguntas e não correrem atrás das respostas vão acabar morrendo”.

Foto: Maíra Acayaba