Se a Uber de fato morrer, o que o mundo teria aprendido com ela?

A poeira começa a abaixar e começamos a ver as consequências do colapso da empresa – como seria esse cenário?

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Por Lucas Bicudo

29 de novembro de 2017 às 16:05 - Atualizado há 2 anos

Imagine que é dezembro de 2018 – um ano depois de uma espetacular depreciação corporativa da Uber. A poeira começa a abaixar e começamos a ver as consequências do colapso da empresa. Como seria esse cenário?

Mais players

Grande parte do valuation da Uber está relacionado às projeções futuras acerca dos carros autônomos, mas, a curto prazo, a decisão do conselho após o colapso para licenciar o sucesso da marca e o software de gerenciamento de motoristas levou pelo menos 50 empresas em diferentes países construírem pequenas empresas, locais e moderadamente bem-sucedidas. Todas foram amplamente aceitas pela população e reguladores das cidades locais, prova de que muito foi aprendido com os desafios regulatórios que a Uber enfrentou antes do colapso.

As taxas de licenciamento ajudaram a tornar a Uberify.Inc – entidade de patentes e licenças que surgiu depois da morte da Uber – em um provedor de software e treinamento altamente capacitado. Esses tipos de serviços, se jogarem bem com as autoridades, terão capacidade de tomar forma.

Trabalhadores ou donos de pequenas empresas?

O debate prossegue, mas a legislação histórica consagrou o direito à democracia, com proteções alinhadas aos aspectos-chave do direito do trabalho, como saúde, subsídio de desemprego e feriados pagos/dias de doença. Este desenvolvimento deu origem a pelo menos duas novas startups em Londres, especializadas nos chamados “direitos da plataforma solopreneur” (empreendedor solo, em tradução livre). A questão dos trabalhadores da Laundrapp na Espanha ilustra a importância dos direitos dos trabalhadores na Gig Economy. Não só as startups agora criam esses direitos em suas plataformas; elas estão construindo empresas inteiras em torno deles.

O aumento de corretores de dados pessoais

A legislação europeia de proteção de dados GDPR não conseguiu resolver a controvérsia de violação de dados que a Uber enfrentou em 2017, mas o comportamento da empresa em cobrir a violação serviu para mostrar a importância dessa legislação. Com os EUA prestes a abordar a possibilidade de direitos individuais sobre os dados, é claro que o caso da Uber avançou massivamente a causa dos defensores da privacidade, se não o controle individual e a monetização de dados. A atual safra de startups, que oferecem aos seus usuários a possibilidade de monetizar, agrupar e trocar seus dados, teria sido tão bem-sucedida se não fosse a maior consciência pública do GDPR provocada pela Uber? E com pelo menos dois grandes bancos agora oferecendo serviços de consultoria de dados para clientes pagos de contas correntes, está se tornando claramente a próxima grande onda fintech.

É plausível sair sem pagar

O salto de User Experiance que a Uber deu ao permitir que os usuários saíssem do veículo sem pagar fisicamente talvez tenha impactado todas as indústrias. No varejo, tornou-se uma realidade, pelo menos, para algumas das marcas de alto escalão e há experiências promissoras, mesmo com os supermercados. O debate do motor de compras como carrinho de compras é desenfreado. E várias empresas de petróleo estão muito próximas da adoção de estações de combustível sem pagamento.

Governança

Pelo menos três dos principais fundos de VC do Vale do Silício já nomearam Diretores de Ética para analisar as ramificações politico-éticas dos modelos de negócios de seus investimentos. Obviamente, deveria incumbir a cada investidor ter uma ampla visão social de suas carteiras, mas pelo menos é um começo. Vários órgãos nacionais e supranacionais agora têm comitês de ética e investimento para reforçar a capacidade das autoridades ou da concorrência.

Há uma aceitação generalizada de que o mantra “falhe rápido” do início de 2010 está oficialmente morto. Em seu lugar é uma maior ênfase em “questionar seus motivos” nos vários blogs e livros que o Vale nunca deixa de produzir. Nós também estamos caminhando para além da mentalidade “disrupção ou morte” e ver muito mais colaborações interprofissionais como resultado. Estas incluem empresas de energia e varejistas de eletrônicos, gerenciando conjuntamente cadeias de suprimentos e provedores de serviços financeiros em parceria com LinkedIn para provisão. O desaparecimento da Uber também provocou o desaparecimento da alvoroço alfa-masculino tão prevalente no Vale do Silício no final de 2010. O futuro talvez ainda não seja inteiramente verde e equitativo, mas os sinais são promissores.

A Nova Economia está revolucionando a cultura de gestão corporativa. A tecnologia tem desafiado modelos de negócios estabelecidos. As boas práticas de gestão e governança são importantes, mas não aceleram mudanças disruptivas. Existe um novo ecossistema de inovação que quer tomar o mercado dos incumbentes. Como juntar forças e se beneficiar dessa conexão, visando tanto a inovação radical, quanto a inovação incremental?  Não perca a oportunidade de conhecer o evento que a StartSe está promovendo sobre inovação corporativa via startups.

Carros autônomos

Com o projeto de carros autônomos interrompido, os concorrentes da Uber – empresas de tecnologia e montadoras – tiveram a chance de contextualizar seu potencial em empregos e no meio ambiente. Em vez de competir para lançar o próximo protótipo do carro autônomos, a GM, Geely e Apple estão pensando há muito tempo sobre como esses veículos precisam ser mais conscientes – não apenas da estrada à frente, mas da cidade à frente, sua população e seus trabalhadores.

Aqueles que estavam céticos sobre o aumento meteórico da Uber ficaram surpresos com as circunstâncias, mas não com o fato de sua morte. Agora que saímos do outro lado de uma explosão dolorosa de bolhas e uma reestruturação, podemos observar uma remodelagem politico-socioeconômico completa, impulsionada pela tecnologia e design. Nós sonhamos grandes, mas continuamos enraizados.

(via VentureBeat)

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